RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Mesmo com suas programações suspensas em função do Carnaval, os teatros Café Pequeno, Ipanema, Sala Baden Powell, Sérgio Porto, Serrador e Ziembinski estarão de portas fechadas por tempo indeterminado.

Os contratos das residências artísticas que ocupam esses importantes espaços culturais terminaram em dezembro e foram prorrogados, excepcionalmente, até o último dia 28. A Secretaria Municipal de Cultura (SMC) anunciou que criará uma comissão para pautar a programação, mas ainda não informou qual será composição - apenas que será formalizada no próximo dia 12. A data não garante que espetáculos voltem a ser realizados em seguida.

Esse impasse agravou-se pelo fato da Secretaria não haver iniciado uma nova licitação em meados do ano passado. Apostou na renovação dos contratos que estavam em vigor mas esbarrou no veto da Procuradoria Geral do Município. Acabou tendo que montar um edital às pressas e seus critérios foram repudiados pela classe artística, que ameaçou não participar do processo. A SMC recuou e suspendeu o edital por tempo indeterminado. "Os contratos das residências que estavam ocupando os teatros tinham prazos definidos e chegaram ao fim. Por recomendações da Procuradoria Geral do Município e do Tribunal de Contas do Município, em hipótese alguma poderiam ser renovados. Não haverá vácuo, porque os teatros continuarão abertos", assegura a secretária Mariana Ribas, que assumiu o cargo em meio à crise desencadeada pela posição de sua antecessora, Nilcemar Nogueira, de acreditar que a renovação dos contratos seria possível e não preparar um edital a tempo.

"Acredito que a secretária Mariana tenha capacidade de nos tirar desse imbroglio mas, infelizmente, teremos o ônus das casas fechadas neste início de mês", lamenta Joelson Gusson, gestor do Espaço Cultural Sérgio Porto, no Humaitá. "Os residentes cujos contratos acabam de terminar tinham interesse em participar da nova licitação mas a mudança de quase todas as regras, um modelo que estava dando certo, é desanimadora. Esperamos que a SMC dialogue com a classe artística antes de anunciar um novo edital", acrescenta.

A perspectiva de diálogo é real pois Mariana Ribas convocou uma plenária para o próximo dia 19 e a tendência é que se tome uma posição conjunta de sepultar o edital que está suspenso. A maior fonte de insatisfação da proposta era o fim dos repasses da prefeitura que pretendia liberar os gestores para captar patrocínios na iniciativa privada. A contrapartida era a prefeitura assumir 100% dos custos de manutenção e infra-estrutura técnica dos teatros (som e iluminação) e permitir que as casas fiquem com 100% da bilheteria (pelo contrato encerrado, os produtores tinham que devolver 15% da bilheteria aos cofres públicos).

Fonte: Jornal do Brasil - Affonso Nunes

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