RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - A construção já chama atenção de longe. Uma estrutura moderna, que mais parece uma enorme escultura, abriga o Museu do Amanhã, instalado na Praça Mauá, no Centro do Rio de Janeiro.

Uma vez em seu interior, o ponto de partida da visitação é um grande domo negro, de 360°, que representa o Cosmos. É assim, navegando pelas galáxias mais distantes e imerso na imensidão do universo que o visitante dá início à viagem proposta nas modernas instalações do museu. São cinco áreas distintas, 82 telas – 56 delas interativas – e vídeos legendados em português, inglês e espanhol, que levantam as questões fundamentais que o homem vem se fazendo desde o começo dos tempos: “quem somos?” “de onde viemos?” “onde estamos?” “para onde vamos?” E, especialmente, “como queremos ir?” Mais do que simples respostas, o que se coloca como proposta é uma reflexão sobre o futuro, com base no que fizemos no passado e em nossas escolhas do presente. Mas tudo isso só se torna possível por conta da Internet. E, nesse caso, pela conectividade fornecida pela Rede Rio de Computadores/FAPERJ.

Isso porque não se trata de um museu nos moldes daqueles que costumamos visitar.  É, isso sim, um museu eminentemente visual, em que predominam imagens, instalações e vídeos. Para que tudo deixe de ser meramente expositivo e funcione também de modo interativo, some-se aí uma conectividade média diária de cerca de 250 Mbits/segundo e podemos ter uma ideia da importância da internet para esse modelo de museu. Sua capacidade é mais ou menos o equivalente à visualização on-line de 50 filmes em alta resolução.

Alimentada pela Rede Rio de Computadores/FAPERJ – que tem um de seus ramos passando pela Praça Mauá e fornece internet de alta velocidade ao museu, assim como às demais instituições de ciência & tecnologia do estado –, essa conectividade é o que permite, por exemplo, que uma das atrações que mais impressionam no museu seja um imenso globo terrestre, girando em torno do seu eixo com imagens do mundo. “Esse é bom exemplo de atividade que só é possível com internet. O que gira é o conteúdo, mas a impressão que se tem é de que estamos vendo o globo inteiro em órbita”, diz o curador do museu, físico e doutor em Cosmologia Luiz Alberto Oliveira.

Cercado por espelhos d’água, jardim, ciclovia e área de lazer, o museu já chama a atenção pelo formato futurista do prédio, que ocupa uma área de pouco mais 34 mil metros quadrados do Píer Mauá. Do ponto de vista arquitetônico, ele segue o projeto do espanhol Santiago Calatrava, inspirado nas formas orgânicas das bromélias brasileiras. A preocupação com a sustentabilidade levou à instalação de 5.500 placas voltaicas para captar energia solar e ao uso das águas da Baía de Guanabara, logo ali em frente, não só para abastecer os espelhos d’água como para alimentar o sistema de refrigeração do prédio. Uma vez utilizada, a água é devolvida à baía, já purificada, numa forma simbólica de uso consciente.

Do ponto de vista do conteúdo, aquelas perguntas filosóficas que sempre incitaram o homem são também tema das cinco grandes áreas da exposição principal: Cosmos, Terra, Antropoceno – período geológico mais recente em que as atividades humanas começaram a ter um impacto significativo sobre o planeta –, Amanhãs e Nós. O que se vê é resultado do esforço de 31 cientistas e pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, com destaque em seu campo de atuação, que, como consultores, produziram material e participaram dos debates para elaborar sua concepção.

“O museu conjuga o rigor da ciência e a linguagem expressiva da arte, tendo a tecnologia como suporte, em ambientes imersivos, instalações audiovisuais e jogos, criados a partir de estudos científicos desenvolvidos por especialistas e instituições do mundo inteiro”, explica o curador Luiz Alberto Oliveira.

Nas várias salas, vídeos com especialistas ajudam a entender a dimensão de cada uma das várias questões levantadas, explicando e aprofundando aspectos ligados às várias áreas do conhecimento. “Em cada uma das áreas, o público tem acesso a um panorama geral sobre os temas tratados e, se quiser, pode aprofundá-lo nas videopalestras apresentadas por especialistas”, fala o curador. Com cerca de 25 mil visitantes por semana, entre eles grupos de alunos de diversas escolas fluminenses, o museu atingiu a marca de 500 mil visitantes já nos cinco primeiros meses de funcionamento, completados em maio.

Fruto de uma iniciativa da prefeitura do Rio de Janeiro, o Museu do Amanhã foi concebido e realizado em conjunto com a Fundação Roberto Marinho, instituição ligada ao grupo Globo, com o Banco Santander como patrocinador máster. O projeto conta ainda com a BG Brasil como mantenedora e o apoio tanto do governo do estado, por meio de sua Secretaria do Ambiente, quanto do governo federal, por intermédio da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O responsável pela gestão é o Instituto de Desenvolvimento e Gestão (IDG).

“O museu é um espaço de conhecimento que oferece uma reflexão ética sobre o amanhã que queremos, uma visão dos futuros possíveis que podemos construir a partir das nossas escolhas, em uma perspectiva de convivência com o planeta e entre nós mesmos”, define o diretor geral da Fundação Roberto Marinho, Hugo Barreto. Em outras palavras, é pensar sobre as consequências que o nosso modo de vida hoje trará para as gerações futuras. São experiências que vão além do discurso. É possível verificar o que vai ser do amanhã de acordo com o que fazemos hoje. “O Museu do Amanhã é um disseminador das reflexões produzidas no campo da ciência, abrindo um espaço fundamental para o debate do conhecimento científico. É um lugar privilegiado para que a ciência possa ser divulgada entre quem mora ou visita a cidade”, elogia Nelson Silva, executivo da BG América do Sul, mantenedora da instituição.

“Nosso acervo é imaterial, expõe possibilidades. Ao contrário de outras instituições, que precisam preservar seu acervo, o do museu deve ser o tempo todo renovado”, explica o curador do museu. “É um espaço de conhecimento, que oferece uma reflexão ética sobre o amanhã que queremos, uma visão dos futuros possíveis que podemos construir a partir das nossas escolhas, em uma perspectiva de convivência com o planeta e entre nós mesmos”, define Hugo Barreto. Para o curador Luiz Alberto Oliveira, “o museu oferece as perguntas, não as respostas. São elas que norteiam nossa série de experiências, de maneira a construir uma narrativa de exploração e interrogações.”

Instituições interconectadas pela tecnologia
Desde que surgiu, em 1992, a Rede Rio de Computadores/FAPERJ é responsável por interconectar à internet as instituições de ciência e tecnologia do estado, criada para manter uma infraestrutura avançada e compartilhada de comunicação, para atender às necessidades da comunidade acadêmica. Essa infraestrutura tem canais de comunicação com outras redes estaduais, nacionais e internacionais, por meio de um canal próprio, da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e do Ponto de Troca de Tráfego do Rio de Janeiro (PTT-RJ do Comitê Gestor da Internet do Brasil).

Ao estender sua malha por mais 300 km de fibra ótica pelo Rio de Janeiro, em 2014, a Rede Rio de Computadores/FAPERJ, passou a abranger também as Redes Comunitárias de Educação e Pesquisa (Redecomep) da região metropolitana. Com essa expansão, as instituições de ensino, pesquisa, ciência, tecnologia e inovação fluminenses passaram a contar com duas conexões. “Qualquer universidade ou instituição de ensino e pesquisa fluminense só tem garantido seu acesso à internet pela Rede Rio”, explica o coordenador da Rede Rio, Luiz Felipe Magalhães Moraes. Com a expansão dos serviços, a Rede Rio passou a abranger também a Redecomep e seu anel principal, que em 2005 era de 1 Gigabit/por segundo e a partir de 2014 passou a contar com 10 Giga/segundo. “A vantagem é que, funcionando paralelamente, garante-se a manutenção do serviço, mesmo se uma dessas conexões falhar”, acrescenta Nilton Alvez Junior, da Redecomep. "Sem essa expansão da Rede Rio, o Museu do Amanhã certamente teria limitações para funcionar", conclui.

Fonte: Faperj - Vilma Homero

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