BAHIA, Salvador - O afoxé é uma das manifestações mais antigas do Carnaval da Bahia, uma expressão direta da ancestralidade africana no Brasil: é festa, é luta, é política, é música e alegria.

Filhos do Congo (Foto: André Frutuôso)

Com uma história que ultrapassou gerações, o Afoxé Filhos do Congo celebra no carnaval de 2019 seus 40 anos de folia e trabalho comprometido com a cultura afro-brasileira. Em seu primeiro desfile no Carnaval 2019, neste domingo, dia 03 de março, a agremiação contou com a presença da rainha Diambi Kabatusuila da República Democrática do Congo, que veio direto de Kinshasa, capital e maior cidade do país.

“Os afoxés e os blocos afro têm o costume de preparar o nosso povo na dança, na capoeira, na música, no teatro, na pintura e também no empreendedorismo”, explica Nadinho do Congo. Segundo ele, é fundamental investir e valorizar a cultura de matriz africana e seu lugar dentro do carnaval de Salvador. “O afoxé é patrimônio imaterial da Bahia e é importante guardar essa consciência, do seu papel de preservação da capoeira, o candomblé e é por isso que exige o envolvimento de toda comunidade”, acrescenta.

Outro destaque do Carnaval dos Filhos do Congo é a Ala de Danças Sagradas, coordenada por Jasimmay Dandara, que estreia neste ano e aposta na reverência à ancestralidade dentro do território do carnaval. “As danças cantam e contam uma tradição. Vamos dançar por todas as gerações que nos trouxeram até aqui”, explica a dançarina, que se inspirou no diálogo com a rainha Diambi. “Ela nos trouxe reflexões do pensamento africano, em que não há separação entre as coisas. O equilíbrio vem da integração, reconhecendo que somos iguais. Especialmente na importância social da mulher. Ela lembrou que todas somos rainhas e que a mulher negra é a mãe da terra” adianta a coreógrafa.

A vereadora Marta Rodrigues (PT) é uma das dançarinas da nova ala: “Saio sempre no Filhos e Filhas do Congo, especialmente neste Carnaval. Celebramos os 40 anos desta que é uma das três gerações do bloco. É também um momento importante porque é um momento de discussão dentro da Secretaria de Cultura do Governo do Estado da Bahia sobre a salvaguarda dos afoxés, que é fundamental para manutenção da tradição e do trabalho desses blocos , cujo trabalho é rico e precioso para as suas comunidades” explicou.

Também foliã de outros carnavais do afoxé, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial Fabya Reis marcou presença na saída do bloco e falou sobre a importância da continuidade do seu trabalho. “É um parceiro da propagação da mensagem do respeito à diversidade religiosa. É um bloco que enfrenta esse debate na sociedade, assim como a luta anti-racista. Além de uma explosão estética de beleza no Carnaval da Bahia, com toda a riqueza da herança africana”, afirma a gestora pública.

E tem mais Ouro Negro
O Afoxé Filhos do Congo desfila ainda na terça-feira de Carnaval, dia 5 de março, às 18h30, no Circuito Osmar (Campo Grande), ainda recebendo a Rainha Diambi Kabatusuila Diambi Mukalengna Mukaji wa Nkashama, que segue na cidade cumprindo uma agenda de troca de experiências com entidades religiosas de matriz africana.

Carnaval da Cultura
É o carnaval dos blocos afro, de samba, de reggae e dos afoxés, apoiados por meio do Edital Ouro Negro para desfilar nos três principais circuitos da folia: Batatinha, Dodô e Osmar. É a folia animada, diversa e democrática do Carnaval do Pelô, que abraça o carnaval de rua, microtrios e nanotrios, além de promover nos palcos grandes encontros musicais e variados ritmos numa ampla programação. Tem Afro, Reggae, Arrocha, Axé, Antigos Carnavais, Samba, Hip-hop e Guitarra Baiana, além de Orquestras e Bailes Infantis. Promovido pelo Governo do Estado, através da Secretaria de Cultura (SecultBA), o Carnaval da Cultura é da Bahia. O Mundo se Une Aqui!

Fonte: Secult BA - Monica Santana

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30