BAHIA, Salvador - Em comemoração ao Novembro Negro, foram abertas na sexta-feira (dia 23) as três salas que abrigam a Coleção permanente de Arte Africana Claudio Masella no Centro Cultural Solar Ferrão (Pelourinho).

'Ibejis etnia Iorubá' - Arte Africana Solar Ferrão / Foto: Fernando Barbosa (Ipac)

Na ocasião, os visitantes conheceram o acervo e participaram de um bate papo com o curador Ademir Ribeiro. Para a nova expografia, foram selecionadas 198 peças, divididas em três núcleos expositivos que exploram o colecionador e sua coleção, a questão das identidades africanas e a ancestralidade africana e afro-brasileira.

“Fico feliz pela quantidade de pessoas interessadas em arte africana. Apesar do sacrifício de trazer essas peças da África pra cá, era um sonho do Claudio ver essas peças expostas. Ele colecionou essas obras ao longo de 35 anos”, disse o curador Ademir Ribeiro.

“O que me chamou mais a atenção quando trazia essa coleção pra cá, é que muitas dessas peças eram de famílias adventistas e muçulmanas que se convertiam e doavam para o Claudio”, disse o turismólogo Antônio Luiz.

“Eu conheci essa coleção desde quando ela chegou à Bahia. É uma coleção muito bonita, imensa e ganhou agora uma expografia mais didática onde a gente consegue visualizar e entender cada peça”, disse a museóloga Maria Emília.

A coordenadora da Dimus, Fátima Santos, explica que esta reabertura é apenas o início do processo de requalificação pelo qual o Solar Ferrão está passando. “Já revisitamos as salas da Coleção de Walter Smetak e agora estamos entregando a nova expografia da Coleção de Arte Africana. Além disso, estamos realizando uma requalificação física geral do prédio e ainda vamos finalizar o trabalho no Museu Abelardo Rodrigues”.

A nova expografia – A Coleção de Arte Africana Claudio Masella ocupa três salas no Solar Ferrão. Na primeira sala é feita uma contextualização sobre a história do colecionador e sua coleção, onde estão peças representativas de cada categoria estabelecida no processo de identificação e classificação do acervo.

Na segunda sala é abordada a questão das identidades culturais africanas, enfocando quatro regiões estilísticas da África que estão bem representadas na coleção. Esta sala expositiva pretende desconstruir a supervalorização do elemento étnico em relação aos outros níveis de identidade, pois há uma tendência à “tribalização” dos povos da África. A etnicidade, vista como o processo de manutenção das fronteiras sociais e a coesão dos indivíduos dentro do grupo, pode até mesmo nem ser expressa na cultura material. Os estudos etnoarqueológicos atuais mostram que a identidade cultural africana se evidencia principalmente nos níveis regional e familiar, mais do que no nível étnico. Assim, quatro regiões estilísticas são exibidas nesta sala para exemplificar essas questões.

Na terceira sala expositiva são vistas máscaras e estatuetas relacionadas à ancestralidade africana e afro-brasileira que celebram, materializam ou tornam presentes os antepassados de um grupo social. Os rituais de culto aos ancestrais estão amplamente difundidos entre as sociedades africanas e também formaram o substrato cultural dos antigos terreiros de candomblé baianos.

Muitas vezes, a pluralidade das culturas africanas é descrita como se formasse um todo homogêneo e estático, mas a materialidade dos objetos exibidos permite perceber a grande diversidade cultural do continente e suas transformações ao longo do tempo. “À ideia de primitivo, contrastam as complexas tecnologias de forja dos metais e tratamento das formas em madeira, que foram desenvolvidos ao longo de milênios. Ao contrário de serem ligadas a forças destrutivas, as estatuetas e máscaras africanas são usadas para promover o bem da comunidade, pois participam de celebrações religiosas que propiciam a saúde, fartura, bem-estar e harmonia social”, acrescenta Ademir Ribeiro.

Centro Cultural Solar Ferrão
Tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), o casarão construído entre o fim do século XVII e início do XVIII possui seis andares e abriga a Galeria Solar Ferrão, o Museu Abelardo Rodrigues e quatro coleções: a Coleção de Arte Popular (ampliada pela arquiteta Lina Bo Bardi) que reúne peças representativas da cultura popular do Nordeste coletadas entre as décadas de 50 e 60; a Coleção de Arte Africana Claudio Masella, que mostra a riqueza estética e a diversidade da produção cultural africana do século XX; a Coleção de Instrumentos Musicais Walter Smetak, suíço que marcou a história da música brasileira, influenciando movimentos como a Tropicália; e a Coleção de Instrumentos Musicais Tradicionais Emília Biancardi. O Solar Ferrão integra os espaços administrados pela Diretoria de Museus do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (DIMUS/IPAC), da Secretaria de Cultura do Estado (SecultBA).

Visitação: terça a sexta das 10h às 17h; sábado das 13h às 17h.
Entrada: grátis
Endereço: Rua Gregório de Mattos, 45 - Pelourinho, Salvador (BA)
Contato: (71) 3116- 6743

Fonte: IPAC

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31