RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - As visitas guiadas ao Palácio das Laranjeiras, que vão acontecer até o dia 15 de dezembro, receberam, neste sábado (24/11), um grupo de admiradores especiais.

Foto: divulgação (Crédito: André Gomes de Melo)

Trinta integrantes do movimento Urban Sketchers estiveram no local para registrar espaços internos e externos do palácio. O grupo Urban Sketchers reúne desenhistas de diversos países, que se dedicam a produzir e divulgar na web ilustrações feitas em locações de cidades de todo o mundo.

Cada um com seu traço, técnica e materiais próprios, os artistas passaram a manhã recriando o palácio em papel, com registros que vão de detalhes do acervo à suntuosidade da arquitetura local. Uma das poucas regras do grupo é publicar, nas redes, fotos dos desenhos produzidos, no local que serviu de inspiração.

– Fazemos encontros quinzenais e buscamos lugares variados. Ocupamos a cidade de uma forma interessante. A relação com o desenho é demorada. Você tem tempo para apreciar o espaço, mais do que na fotografia – explicou um dos organizadores do segmento carioca do movimento artístico, Francisco Leocádio.

Ao saber que o palácio estava recebendo visitas guiadas, a designer Márcia Quintela, também da organização do Urban Sketchers no Rio de Janeiro, correu para conseguir um horário para o grupo conhecer e retratar o casarão histórico.

– Este tipo de atividade tem apelo no mundo inteiro. O último encontro internacional aconteceu em Portugal, na cidade do Porto, e conseguiu reunir 800 pessoas. No Brasil, já fizemos três encontros nacionais: em Curitiba, São Paulo e Salvador. No ano que vem, será em Ouro Preto – antecipou Márcia.

O movimento Urban Sketchers foi criado em 2008, pelo jornalista espanhol residente nos Estados Unidos Gabriel Campanario, para reunir entusiastas desse tipo de atividade artística. A adesão de desenhistas em outros países foi rápida. No Brasil, os sketchers surgiram em 2011, e já em 2014, a cidade de Paraty sediou o encontro internacional do grupo.

Além do Palácio das Laranjeiras, representantes do movimento no Rio de Janeiro já registraram locais como o Hospital Nossa Senhora das Dores (em Cascadura), a Igreja da Penha, o Theatro Municipal, a Fortaleza de Santa Cruz (em Niterói), a Ilha de Paquetá, o Sambódromo, a Ilha da Gigoia (na Barra da Tijuca) e o Museu do Índio (em Botafogo). A próxima locação será o Trem do Samba, no Dia Nacional do Samba.

– Este é o nosso jeito de ocupar a rua, mostrar que é possível apreciar a cidade, mesmo em um momento em que as pessoas estão refratárias a ficar em espaços públicos – definiu Francisco Leocádio.

Os sketchers expõem seus trabalhos no grupo do Facebook Urban Sketchers Rio e no Instagram, pela #urbansketchersrio. Para participar do grupo, não é necessário ser um profissional de Belas Artes. Basta gostar de desenhar.

Foto: divulgação (Crédito: André Gomes de Melo)

Visita guiada
Enquanto os Urban Sketchers faziam seus traçados, outros dois grupos de visitantes participaram do programa Palácio das Laranjeiras de Portas Abertas neste sábado. Eles foram guiados pelos alunos do curso Técnico em Guia de Turismo do Senac RJ, parceiro do Governo do Estado no projeto. Iniciado no dia 10 de novembro, o programa já está com todas as 200 vagas para visitação preenchidas.

O aposentado Armando Curado, de 73 anos, aproveitou a oportunidade para conhecer, ao lado da esposa, o palácio que já admirava de longe, sempre que passeava com os netos pelo Parque Guinle.

– É deslumbrante. Deveria virar um museu, porque não me lembro, no Brasil, de um acervo tão rico de mobiliário, obras e arquitetura. Já sonhava em conhecer o palácio, e logo na entrada tive um grande impacto com a escadaria e o enorme vitral de tema mitológico – disse o aposentado.

O Palácio das Laranjeiras conta a história do país e do estado, através de anos de utilização pelos presidentes da República e por governadores, que receberam autoridades brasileiras e estrangeiras.

Após a venda, em 1947, pela família de Eduardo Guinle ao governo brasileiro, o Palácio foi utilizado para receber os presidentes estrangeiros em visita ao Brasil. Com a morte de Getúlio Vargas no Catete, em 1954, o presidente eleito Juscelino Kubitschek resolveu usar o Laranjeiras como residência oficial. Assim o palácio tornou-se o epicentro da política nacional, até que em 1975 o presidente Marechal Ernesto Geisel passou o Palácio das Laranjeiras para o governo do recém-criado Estado do Rio de Janeiro e este continuou a sua trajetória, a partir de daí, como residência oficial dos governadores do estado.

O planejamento para a execução do programa Palácio das Laranjeiras de Portas Abertas surgiu logo após a conclusão das primeiras turmas da Oficina de Restauro de mobiliários e elementos pétreos, promovida pelo RioSolidario, obra social do Rio de Janeiro, em parceria com o Senac e o Sebrae.

Os visitantes são apresentados aos vários ambientes internos, como toda a área social, que inclui o hall de entrada, o grande salão de visitas - chamado Salão Luis XIV, o fumoir, a Sala de Música, com o famoso piano inspirado no cravo de Maria Antonieta, o Salão de Jantar; e no pavimento superior, a biblioteca que abriga o Bureau do Roi, réplica do original de Versalhes; o Salão Império e a Galeria Regência.

A grande novidade da visita guiada é a abertura ao público de ambientes de serviço e íntimos. O visitante poderá conhecer a Sala de Almoço, a Copa, o Boudoir, o Quarto do Casal, o Quarto das Crianças e o belíssimo banheiro de mármore. Esses locais, até então, ainda não haviam sido abertos à visitação pública.

Foto: divulgação (Crédito: André Gomes de Melo)

Fonte: Governo do Estado do RJ

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