RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro inaugurou, no dia 11 de junho de 2016, a exposição “Coleção Joaquim Paiva”, com cerca de 100 importantes fotografias da coleção, que está em regime de comodato no MAM Rio.

Atualmente, a coleção, uma das mais importantes do país, possui quase duas mil fotografias, de artistas brasileiros e estrangeiros, de diferentes gerações e nacionalidades, revelando um amplo panorama da história da fotografia.

Com curadoria de Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes, a mostra, que é realizada exatamente dez anos depois da primeira exibição da coleção no MAM Rio, apresentará uma ampla seleção com os destaques da coleção, incluindo obras de renomados fotógrafos como Ansel Adams, Claudia Andujar, Diane Arbus, Evandro Texeira, Grete Stern, Geraldo de Barros, José Medeiros, Marcel Gautherot, Martín Chambi, Pierre Verger e Rosângela Rennó. “Na coleção estão 230 fotógrafos brasileiros e cerca de 140 estrangeiros de 22 países, em três continentes, todos eles nascidos entre 1885 e 1988. E o que há em comum entre nomes de origens, gerações e escolas tão diferentes é que todos eles, por diferentes motivos, chamaram a atenção do olhar de Joaquim Paiva. Diplomata e fotógrafo, ele levou sua paixão pela fotografia para além do ato de fotografar”, ressaltam os curadores.

A ideia da exposição é apresentar um panorama com os highlights da coleção e também um panorama da fotografia com nomes que ajudaram a construí-la como técnica e como linguagem artística. “Olhando do ponto de vista da técnica, a coleção conta a história dos séculos 20 e 21 a partir dos processos empregados na produção de uma imagem. Tendo como ponto de partida a fotografia de base de película sensibilizada com sais de prata, há nesse con¬junto exemplos de praticamente tudo aquilo que foi sendo experimentado ao longo das décadas, como pinhole, colagem, fotomontagem, imagens revertidas, fotografia infraverme¬lha, combinação de fotografia com pintura, desenho, fragmentos de jornais, retalhos de tecidos e decalques, apresentação em séries ou seqüências, viragens, imagens negativas, light painting, além de imagens que ficam entre o bidimensional e o tridimensional das mais diversas maneiras, desde a simples tecelagem até montagens de caráter escultórico, séries apresentadas em tiras sanfonadas, em portfólios, em livros de artista ou montadas sobre papel artesanal”, contam os curadores.

Dentre os destaques da exposição estão obras dos americanos Ansel Adams (1902-1984) e Diane Arbus (1923-1971), ele com fotografias de paisagem e ela com retratos. Fernando Cocchiarale e Fernanda Lopes observam que a paisagem e o retrato “são dois gêneros clássicos da fotografia sendo utilizados por nomes que são referências em cada um deles, pela qualidade técnica e pela força da imagem”. Outros destaques da mostra são os artistas brasileiros Geraldo de Barros (1923-1998) e Rochelle Costi (1961), “artistas de diferentes gerações, mas igualmente interessados em expandir as fronteiras do que se chama fotografia, fazendo releituras da técnica fotográfica e incorporando outros procedimentos a ela”.

Publicação
A exposição é acompanhada de uma publicação, o segundo volume dedicado à Coleção Joaquim Paiva, com 126 fotografias de 130 artistas. O primeiro volume foi publicado em 2014, reunindo 125 imagens de 118 artistas, entre brasileiros e estrangeiros, de diferentes gerações. “O que se vê aqui é um panorama completo da história da fotografia, desde os tempos inaugurais da daguerreotipia e suas vertentes mais documentais, até a presente era da imagem digital e a afirmação como meio de expressão artística”, afirmam os curadores.

Eles acrescentam que “nesta publicação, esse olhar pessoal do colecionador é redimensionado”. “Assim como aconteceu no primeiro volume, aqui não só as imagens como a sequência na qual elas aparecem dispostas foram pensadas pelo próprio Joaquim Paiva. Dessa maneira, o conjunto formado por ele ao longo das últimas décadas tem a possibilidade de ganhar outros significados desde o momento em que, colocadas em uma sequência específica, as obras criam diálogos a partir do contato que estabelecem entre si. Elas já não são mais as mesmas. Por meio delas, temos a possibilidade de relembrar histórias, mas também de construir histórias novas”.

Sobre a coleção Joaquim Paiva
Desde 2005, o MAM Rio possui, em regime de comodato, grande parte da coleção do diplomata Joaquim Paiva. A coleção teve início em 1981 quando o diplomata começou a adquirir sistematicamente fotografias brasileiras contemporâneas. No Museu estão depositadas 1963 obras que registram o que há de mais representativo na fotografia brasileira de nosso tempo. Desde retratos e paisagens a experimentos fotográficos dos anos 1990. Entre os nomes mais representativos da Coleção estão: Pierre Verger com a sua preciosa documentação sobre a cultura afro-brasileira; Geraldo de Barros e seus experimentalismos técnicos; Miguel Rio Branco, que busca a intensidade das cores no universo mais duro da realidade brasileira, o fotojornalismo ligado à temática social e bem brasileira de Walter Firmo, a atitude questionadora sobre o ato de fotografar da artista Rosângela Rennó, entre outros. Assim, a Coleção Joaquim Paiva representa no MAM toda a qualidade e a pluralidade de trabalhos e tendências que a fotografia contemporânea brasileira pode nos oferecer.

Histórico da coleção no MAM
A Coleção já foi exibida em treze mostras no MAM Rio, dedicadas exclusivamente a ela ou junto com outras obras, já tendo sido vista por 116 mil pessoas. A primeira delas foi “Demasiado Humano – Coleção Joaquim Paiva”, em 2006, para comemorar a chegada da Coleção Joaquim Paiva ao Museu, com curadoria de Fernando Cocchiarale e Franz Manata. Ainda com os mesmos curadores, em 2007, foi realizada a mostra “Foto 90 – Coleção MAM e Coleção Joaquim Paiva”. Em 2008, com curadoria de Reynaldo Roels, foi apresentada a mostra “Fotografias estrangeiras na Coleção Joaquim Paiva”. Em 2011, algumas fotografias participaram da mostra “Horizonte construído – fotografia e arquitetura nas coleções MAM”, com curadoria de Luiz Camillo Osorio. Neste mesmo ano, Camillo e Joaquim Paiva curaram a exposição “Fotografias – Coleção Joaquim Paiva”. A coleção participou, ainda, da “Mostra Carioca”, em 2012, no MAM Rio, que itinerou em 2014 para a Casa das Onze Janelas, em Belém, e Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, em Fortaleza, e “Mundos Cruzados – Coleções MAM”, ambas com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre; “Expo 1: Rio”, com curadoria de Klaus Biesenbach, Hans Ulrich Obrist e Luiz Camillo Osorio, além de “Poucas e Boas...! Coleções MAM”, “Ações, estratégias e situações nas coleções MAM”, e “Coleção Joaquim Paiva, Coleção MAM e Coleção Gilberto Chateaubriand”, ambas em 2015, com curadoria de Luiz Camillo Osorio e Marta Mestre. A mais recente exposição dedicada exclusivamente à Coleção Joaquim Paiva foi “Limiares – Coleção Joaquim Paiva”, de 10 de outubro de 2014 a 22 de março de 2015, com curadoria de Marta Mestre.

Texto do curador:
Há pouco mais de dez anos, no momento em que todos os mais importantes museus do mundo dedicavam atenção especial aos seus departamentos de fotografia, o Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro dava um passo importante e incorporava ao seu acervo, em regime de comodato, a Coleção Joaquim Paiva. Para comemorar a chegada dessas quase duas mil fotografias, o museu realizou, em 2006, um primeiro recorte desse con¬junto, apresentado ao público a mostra “Demasiado Humano, Coleção Joaquim Paiva”. De lá para cá, foram montadas outras 12 exposições exclusivamente dedicadas a essa parte do acervo ou com participação de algumas de suas obras, reafirmando o compro¬misso do MAM não só em preservar, mas também em manter ao alcance do público o seu acervo. Ao todo, essas 13 mostras foram vistas por 116 mil pessoas.

Renovando seu compromisso e ampliando o acesso a essas obras, o MAM realizou em 2014 sua primeira publicação dedicada a essa que é uma das mais importantes coleções de fotografia do país. Foram reunidas, no primeiro volume, 125 imagens de 118 artistas, entre brasileiros e estrangeiros, de diferentes gerações, e agora, neste segundo volume, mais 126 fotografias de outros 130 artistas. Essas publicações revelam a grande potência da coleção não só em cada uma de suas obras, mas especialmente da potência de seu conjunto. O que se vê aqui é um panorama completo da história da fotografia, desde os tempos inaugurais da daguerriotipia e suas vertentes mais documentais até a presente era da imagem digital e a afirmação como meio de expressão artística.

Olhando do ponto de vista da técnica, a coleção conta a história dos séculos XX e XXI a partir dos processos empregados na produção de uma imagem. Tendo como ponto de partida a fotografia de base de película sensibilizada com sais de prata, há nesse con-junto exemplos de praticamente tudo aquilo que foi sendo experimentado ao longo das décadas: pinhole, colagem, fotomontagem, imagens revertidas, fotografia infraverme¬lha, combinação de fotografia com pintura, desenho, fragmentos de jornais, retalhos de tecidos e decalques, apresentação em séries ou sequências, viragens, imagens negativas, light painting, além de imagens que ficam entre o bidimensional e o tridimensional das mais diversas maneiras – desde a simples tecelagem até montagens de caráter escul¬tórico, séries apresentadas em tiras sanfonadas, em portfólios, em livros de artista ou montadas sobre papel artesanal.

Por outro lado, folhear essas páginas torna revelador, praticamente inegável, o caráter autobiográfico compartilhado por todas essas obras. Na coleção estão 230 fotógrafos brasileiros e cerca de 140 estrangeiros de 22 países, em três continentes, todos eles nascidos entre 1885 e 1988. E o que há em comum entre nomes de origens, gerações e escolas tão diferentes é que todos eles, por diferentes motivos, chamaram a atenção do olhar de Joaquim Paiva. Diplomata, ele levou sua paixão pela fotografia para além do ato de fotografar.

Foi nos anos 1970, quando começou a realizar uma série de mais de 300 fotografias em preto e branco sobre a cidade de Brasília, que ele adquiriu suas primeiras obras: duas fotografias da norte-americana Diane Arbus. Naquele momento, a fotografia não tinha ainda o prestígio que tem atualmente no mercado de arte e sua atuação como diplomata foi importante nessa escolha. Seu primeiro posto, no Canadá, deu-lhe a oportunidade de conhecer mais profundamente a produção norte-americana. Mas, apesar do seu interesse pela fotografia internacional, Paiva decidiu se concentrar em uma coleção brasileira – que começa a ser reunida de maneira mais sistemática em 1981. Ao longo dos 35 anos seguintes, as obras que foram sendo incorporadas à sua coleção revelam um olhar pessoal, marcado por um forte interesse de Paiva pela realidade brasileira, mas sem considerar nosso país isolado do contexto mundial.

Nesta publicação, esse olhar pessoal do colecionador é redimensionado. Assim como aconteceu no primeiro volume, aqui não só as imagens como a sequência na qual elas aparecem dispostas foram pensadas pelo próprio Joaquim Paiva. Dessa maneira, o conjunto formado por ele ao longo das últimas décadas tem a possibilidade de ganhar outros significados desde o momento em que, colocadas em uma sequência específica, as obras criam diálogos a partir do contato que estabelecem entre si. Elas já não são mais as mesmas. Por meio delas, temos a possibilidade de relembrar histórias, mas também de construir histórias novas.

Entre fotografias de datas e títulos desconhecidos, somos levados, ao longo dessas pági¬nas, em um passeio que começa no Yosemite National Park (Califórnia), passando por uma paisagem na Tasmânia, uma ressaca no bairro carioca da Urca, um acampamento nômade na Mongólia, uma paisagem no Vietnã, o Parque Xingu (no Amazonas), o Ser¬tão do Cariri, o Mercado Ver-o-Peso (visto através do furo de uma agulha) e tem como uma das últimas paradas uma tomada do filme de Woody Allen com Helen Hunt, O escorpião de Jade. Entre os “personagens” dessa nova história que vai sendo construída com o passar das páginas estão o ex-presidente Tancredo Neves com o papa João Paulo II, o ator José Lewgoy, o escultor Franz Krajcberg, o escritor Jorge Luis Borges, o guer¬rilheiro Che Guevara, o palhaço Carequinha, o próprio fotógrafo – com seu reflexo capturado ou com sua imagem propositalmente multiplicada –, Bruna L., uma menina em seu quarto, ou, simplesmente, Maria.

Chegar ao final desta publicação nos faz perceber outras nuances da coleção, rea-firmando sua importância e a necessidade de mantê-la em exposição constante. Em conjunto, essas obras repensam, reinventam e expandem os limites da fotografia como técnica e também como poética. E também nos fazem lembrar do que é, ou pelo menos deveria ser, o ato de colecionar.

Fernando Cocchiarale
Curador

Fernanda Lopes
Assistente

Serviço: Coleção Joaquim Paiva no MAM Rio
Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro
Exposição: até 14 de agosto de 2016
Realização: MAM Rio
De terça a sexta, das 12h às 18h.
Sábado, domingo e feriado, das 11h às 18h.
Ingresso: R$14,00
Estudantes maiores de 12 anos: R$7,00
Maiores de 60 anos: R$7,00
Amigos do MAM e crianças até 12 anos: entrada gratuita
Quartas-feiras a partir das 15h: entrada gratuita
Domingos ingresso família, para até 5 pessoas: R$14,00
Endereço: Av. Infante Dom Henrique, 85
Parque do Flamengo – Rio de Janeiro – RJ 20021-140
Telefone: 21. 3883.5600
www.mamrio.org.br

Fonte: divulgação por e-mail

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