SÃO PAULO, São Paulo - Professor do Instituto de Artes da Unesp, Percival Tirapeli expõe pela primeira vez em Franca, com a série de pinturas Núpcias, com abertura dia 9 de junho.

A série compreende cinco telas de 1,50 x 1,00m, em acrílico sobre lona e novas paisagens de apontamentos ecológicos. Ao lado de Núpcias, obras também abstratas como Homenagem a Mondrian, e figurativo abstratas, da série São Paulo, Arte e Etnias, que trata da vida na megalópole em meio aos destaques do patrimônio arquitetônico da cidade.

Embora resida na capital, o artista tem seu ateliê na serra da Cantareira, em Mairiporã, um verdadeiro refúgio a poucos minutos do centro nervoso da megalópole paulistana, e ali tem concebido e realizado séries de paisagens como as ora expostas em Franca, em ambiente propício para a admiração da natureza e arte. Suas pinturas em acrílico sobre tela gravitam entre as memórias de adolescência vivida entre as montanhas da serra da Mantiqueira em Guaratinguetá, e sua experiência de quarenta anos de pintura. Começou a expor em 1972 e, como docente no Instituto de Artes da Unesp, a Universidade Estadual Paulista, ministrou desenho e pintura entre 1987 a 2008; atualmente é professor doutor e titular em História da Arte Brasileira naquela instituição.

A série Núpcias foi iniciada em 2012, entre a realização de duas obras em grande formato, os painéis para o Conselho Estadual de Educação de São Paulo e o da nova sede do Centro Estadual de Educação Tecnológica Paula Souza, ambos na capital paulista.

Já a série Núpcias foi concebida a partir do casamento de sua filha Tarsila, em maio de 2012. São espaços grávidos, formas arredondadas, penetrações coloridas... o artista das cores usou toda sua emoção de homem, de marido, de pai, na inspiração destas obras prenhes de formas e cores. Azuis sutis, lilases femininos, rosas etéreos, marrons telúricos....

As composições verticalizadas ganham espacialidade nos campos pictóricos com o recurso de linhas retas inclinadas a comprimirem as extremidades e abrindo espaços arredondados no centro da tela. Acompanham as retas inclinadas convergentes para o ponto central geométrico, paralelas acima e abaixo - das quais explodem colorações que se movem nos espaços curvos. As pinceladas largas rompem por vezes os espaços comprimidos pelas retas, sobrepondo os gestos insistentes do artista que, com maestria, consegue sequências de veladuras com o acrílico aquarelado.

As linhas das amplas pinceladas se intensificam e tensionam os espaços nas laterais, ora acima das linhas geométricas dos campos retangulares, ora abaixo. Desloca assim para as laterais microcampos pictóricos de interesses visuais, potencializados por manchas de cores intensas e pinceladas gordas, aliviando o centro geométrico que se apresenta mais limpo, com baixas tonalidades - revelando a trama da lona. Esse recurso provoca um brilho intenso nas composições, a ponto de eclodirem depois de intensa gestação de infinitas camadas de finas cores sobrepostas, processo lento que requer paciência nas pinceladas e hora exata da concepção de novas tonalidades obtidas pelas veladuras.

Por fim as cores azuladas remetem às águas, aos líquidos envolventes que possibilitam novas vidas em espaços harmoniosos de paz e silêncio. As cores mais quentes, com vermelhos, laranjas, intensificam as linhas penetrantes- dos fluxos energéticos para a ampliação das formas gestadas. Verdes e rosas equilibram os campos pictóricos e se esparramam por todos os sentidos, ampliando horizontes por vezes interceptados por linhas finas, escuras, sulcadas com espátulas a demarcar fissuras ao mesmo tempo em que unem campos extremos. (Laura Carneiro, jornalista)

Percival Tirapeli (1952)
Mestre e doutor pela ECA/USP. Prof. Titular em História da Arte Brasileira na Universidade Estadual Paulista, Unesp, em São Paulo. Expõe desde 1975. Recebeu dois prêmios e o Grande Prêmio no Salão de Arte Contemporânea de Santo André. Realizou exposições individuais no Museu de Arte Contemporânea da USP, Museo de Arte Moderno de La Paz e Galeria Enio Rossi, Roma, dentre outras. Participou de duas Bienais Internacionais de São Paulo como artista selecionado. Homenageado pela Associação Brasileira de Críticos de Arte em 2016.

Exposições mais recentes: Galeria da ACBEU em Salvador, Galeria Belvedere em Paraty, Espaço de Arte Integrado Paula Unger em Monte Verde (MG), Galeria do Club Athletico Paulistano e Galeria Casa Ranzini, São Paulo. Obras públicas em grandes formatos na FATEC e na Casa Caetano de Campos/Secretaria Estadual de Educação. Realizou exposição sobre sua trajetória artística na Galeria do Instituto de Artes da UNESP em 2015, tendo publicado Arte sobre Arte: depoimentos de Percival Tirapeli sobre o tema.

É pesquisador e professor de História da Arte no Instituto de Artes da Unesp onde lecionou pintura e desenho por 20 anos, e autor de mais de 20 livros sobre arte brasileira.  Foi conselheiro do MAM/SP, trabalhou na Pinacoteca do Estado com Emanoel Araujo, realizou curadorias no Acervo dos Palácios do Governo (Palácio dos Bandeirantes e Campos do Jordão) e no Museu de Arte Sacra de SP. É membro do conselho dos Acervos dos Palácios do Governo de São Paulo e conselheiro do Condephaat/ Secretaria da Cultura (patrimônio estadual). Suas obras estão expostas permanentemente na Casa Ranzini, à rua Santa Luzia, 30, Liberdade, São Paulo. Informações: www.tirapeli.pro.br

Exposição: Pinturas de Percival Tirapeli
Abertura
Laboratório das Artes, Rua Cuba, 1099 - Jardim Consolação, Franca - SP
Período da Exposição: a partir de 11 de Junho
Visitação: Segundas a Sextas, das 10 às 12 h e das 14 às 17 h

Fonte: UNESP

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