DISTRITO FEDERAL, Brasília - O Ministério da Cultura, por meio da Fundação Cultural Palmares (FCP), lança nesta quinta-feira (3), no Museu da República, em Brasília, o 1º Mapeamento dos Terreiros do Distrito Federal.

Foto: divulgação/MinC

Desenvolvido em parceria com a Universidade de Brasília (UnB), o levantamento visa registrar onde estão os principais locais dedicados à prática das religiões de matriz africana para a promoção de políticas públicas que vão do acesso a serviços básicos ao combate à intolerância religiosa.

O levantamento constatou a existência de 330 terreiros no Distrito Federal. Ceilândia é a localidade com maior registro, tendo 18,6% (43) do total. Já Planaltina ocupa a segunda posição, com 10,8% (25) dos terreiros. Gama, Sobradinho, Sobradinho II, Samambaia e Santa Maria possuem, em média, 15 terreiros cada um.

A pesquisa também constatou que a maioria dos terreiros fica no ambiente urbano (87,8%). Os demais (12,2%) ficam em áreas rurais. Quanto à denominação, 33,5% são de candomblé, 57,8% de umbanda e 8,9% reúnem as duas religiões de matriz africana.

Para o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, o mapeamento dos terreiros brasileiros não é uma obra apenas religiosa, mas, sobretudo, cultural. "Mais do que nunca, é necessário assegurar o respeito e o espaço da cultura de matriz africana no Brasil. E destacar sua presença aqui e agora. Dar à luz, tornar visível para o maior número possível de pessoas, afirmar sua potência e intensidade, estimular a tolerância e a convivência. A força deste país está em suas singularidades", afirmou.

O presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira, considera o mapeamento um marco no reconhecimento das religiões de matriz africana. "Quando cheguei a Brasília e, pela primeira vez, tive acesso ao censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), vi que havia um número praticamente irreal de praticantes de religião de matriz africana. O censo da época afirmava que 50 pessoas, em todo o Distrito Federal, se declaravam como umbandistas ou candomblecistas. Certamente esse número não refletia a realidade vivida pelos adeptos dessas religiões", afirma.

O mapeamento dos terreiros do DF, adianta o presidente da FCP, foi apenas o projeto modelo. "Nossa intenção é expandir esse levantamento para outros estados. Queremos saber quantos somos, onde estamos. Somente com a identificação de cada um dos terreiros podemos elaborar uma política pública que garanta a proteção dos centros religiosos e de seus adeptos, com aumento do policiamento nas áreas onde estão localizados", destaca Oliveira.

A pesquisa, coordenada pelo professor Rafael Spanzio, da FCP, será lançada em um grande evento em Brasília. Durante a cerimônia, lideranças de terreiros irão entregar o mapeamento às autoridades presentes. O evento contará com uma grande celebração religiosa comandada por cerca de 300 baianas, que irão realizar uma lavagem em frente ao Museu da República para recepcionar os convidados. Também haverá com atrações musicais da cantora Dhi Ribeiro, participante da última edição do programa The Voice Brasil, e dos grupos afro-brasilienses Asé Dudu e Obará.

Serviço
Lançamento do Mapeamento dos Terreiros do Distrito Federal
Local: Museu da República, Esplanada dos Ministérios Brasília
Hora: 10h

Fonte: MinC

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