DISTRITO FEDERAL, Brasília - O projeto Memória Viva Indígena, iniciativa da ONG Thydêwá em parceria com comunidades indígenas do Nordeste e os ministérios da Cultura (MinC) e dos Direitos Humanos (MDH), lançou uma compilação com 67 vídeos etnográficos produzidos a partir do registro de práticas de mais de 100 indígenas ligados a oito Pontos de Cultura dos estados de Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia.

Vídeos estão sendo exibidos em comunidades indígenas do Nordeste (Foto: Projeto Memória Viva)

Nos vídeos, é possível conhecer tradições indígenas por meio de temas como culinária, ervas medicinais, bebidas sagradas, música, cerâmica tradicional e artesanato, entre outros.

Disponíveis on-line no endereço www.indiosonline.net/memoriaviva, os vídeos, com duração de 3 a 15 minutos, serão distribuídos, em formato DVD, a diversas aldeias indígenas da região Nordeste. O material visa fortalecer as relações que valorizam os saberes e as trocas de conhecimentos entre os povos indígenas, além de preservar e projetar saberes tradicionais.

Para realização do DVD, uma equipe interdisciplinar realizou, nas comunidades indígenas, dinâmicas e oficinas que aproximaram as gerações com o objetivo de valorizar seus conhecimentos e salvaguardar seus patrimônios. Esses vídeos estão sendo utilizados pelos Pontos de Cultura e por escolas indígenas das localidades contempladas para fortalecer atividades educacionais. Além disso, anciões e jovens indígenas estão participando de rodas de conversa nas comunidades, apresentando os filmes e dialogando com os alunos.

Participaram do projeto o Ponto de Cultura da Aldeia Trambuco - Povo Pataxó (Porto Seguro); Ponto de Cultura da Aldeia Milagrosa - Povo Pataxó Hahahãe (Pau Brasil); Ponto de Cultura da Aldeia 2 Irmãos - Povo Pataxó (Cumuruxatiba - Prado); Ponto de Cultura Tupinambá (Olivença- Ilhéus) – todos os localizados na Bahia; Ponto de Cultura Pankararu (Tacaratu - Pernambuco), Ponto de Cultura Kariri Xocó (Porto Real do Colégio - Alagoas), Ponto de Karapotó Plaki-ô (São Sebastião - Alagoas) e Ponto de Cultura Xokó (Porto da Folha - Sergipe).

História além da escrita
Mayá Pataxó Hãhãhãe, de 69 anos, conta que os indígenas idosos escrevem sua história de outras maneiras além da escrita. "Há muitos idosos que a sociedade tacha de analfabetos, mas, quando a pessoa conversa com eles, percebe que são importantes sábios. Muitos de nossos anciões não tiveram oportunidade de aprender a ler e escrever, mas leem com maestria os sinais da vida e assim escrevem a história de nosso povo, uma história de inteligentes resistências", destaca.

Um dos coordenadores do projeto, Sebastián Gerlic destaca que a memória viva está em constante movimento. "Ela se nutre do passado, se faz no presente e sempre busca transformar o futuro. Quando os livros didáticos falavam apenas em ‘descobrimento do Brasil', isso era uma tentativa de matar a memória dos povos indígenas, e assim matá-los. Mas os indígenas resistiram porque mantiveram sua memória viva", afirma.

Fonte: MinC

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