RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Será lançado hoje, às 16h, no Museu do Meio Ambiente, no Jardim Botânico, o livro “Natureza, ciência e arte na viagem pelo Brasil de Spix e Martius 1817–1820”, organizado pela historiadora Alda Heizer e pelo botânico Paulo Ormindo.

O trabalho aborda a viagem dos naturalistas bávaros Carl Friedrich Philipp von Martius e Johann Baptist Von Spix, que desembarcaram no Brasil dois séculos atrás e, ao longo de três anos, catalogaram a flora brasileira com requinte inigualável na documentação e descrição.

O material pesquisado está no acervo da Biblioteca Barbosa Rodrigues, detentora de raridades e álbuns ilustrados em finíssimas gravuras, muitas delas coloridas a mão. A obra se estrutura também em textos de José Augusto Pádua, Kaori Kodama, Lorelai Kury, Maria da Penha F. Ferreira, Marco Antonio Palomares Accardo Filho, Rafaela Campostrini Forzza, Renato de Mello-Silva e Rosana Simões Medeiros. O projeto editorial é assinado pelo Andrea Jakobsson Estúdio (100 páginas, R$ 70) e o livro é um desdobramento da exposição homônima, que acontece até 1º de abril no Museu do Meio Ambiente, sob a curadoria de Paulo Ormindo.

Os naturalistas alemães elaboraram, com requinte ímpar, catalogação da flora brasileira ao longo de três anos. Finíssimas gravuras pertencem ao acervo da Biblioteca Barbosa Rodrigues

“Das muitas publicações que resultaram dessas expedições pelo Brasil e Alto Amazonas, entre 1817 e 1820, destaca-se a ‘Flora Brasiliensis’, editada por Martius. Nela, estão descritas mais de 20 mil espécies em 40 volumes, ilustradas em cerca de três mil gravuras, que levou 66 anos para ser concluída. As observações de Martius e Spix não se limitaram à Botânica e constituem rico material para outras áreas do conhecimento sobre o país”, destaca Paulo Ormindo.

Os naturalistas se debruçaram sobre os indígenas e suas tribos, compondo um dicionário de línguas e dialetos falados no Brasil Império e uma ampla coleção de gravuras referentes a diferentes etnias e objetos etnográficos. Por fim, produziram mapas, atlas e pranchas fisionômicas, entre muitos outros ítens. “Ilustrações científicas nos remetem aos macro e microuniversos que nos circundam, com infinitas cores e formas oriundas da flora e da fauna que habitam nossos rios, matas e mares. Diferentemente de imagens que possam nos transportar a um mundo onírico de imaginação e fantasia, essas ilustrações precisam ser ‘lidas’, pois a interpretação requer um certo conhecimento específico ao meio cientifico”, observa Alda Heizer.

A historiadora complementa: “O jovem botânico Carl Friedrich Philipp von Martius (1794–1868) e o zoólogo Johann Baptist von Spix (1781–1826) aportaram no Rio de Janeiro em 1817 e se depararam com essas imensidões de ‘naturezas’, de ‘vidas’ e de ‘verdes’; percorreram nosso território durante três anos, palmilhando 4 mil quilômetros de Norte a Sul, 6.500 quilômetros de Leste a Oeste”. Científica, cultural e socialmente, as pesquisas enriqueceram o entendimento do Brasil. A obra de Spix e Martius é imensurável, inesgotável e vem se desdobrando em múltiplas “viagens”.

Serviço
Natureza, ciência e arte na viagem pelo Brasil de Spix e Martius 1817-1820 Lançamento às 16h; às 15h30, visita guiada no Museu do Meio Ambiente com o curador Paulo Ormindo. Associação de Amigos do Jardim Botânico (Rua Jardim Botânico, 1008 / casa 6, Jardim Botânico)

Fonte: Jornal do Brasil - Monica Riani

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