RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Slides usados nas salas de aula do Brasil entre as décadas de 1930 e 1960 são a matéria-prima de Rafael Adorján para 'Desdidática', exposição que vai ocupar o quinto nível do Centro Cultural Oi Futuro de 26 de março a 27 de maio.

O fotógrafo e artista visual reconfigura imagens com intervenções que criam outras possibilidades fotográficas a partir de slides arquivados do antigo Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE).

“O título da mostra vem da relação de subverter as lições que os diapositivos preconizam, através dessas novas combinações, o que o torna um novo objeto, mas sem a ‘utilidade’ educativa original”, diz Adorján. “Me inspirei no poeta Manoel de Barros para justificar o uso de uma palavra "inventada". A partir de uma pesquisa, retirei um trecho que um artigo comentado sobre sua predileção pelo uso do prefixo ‘des’. Para desexplicar, recorre à desutilidade poética. Esta lhe faz experimentar o dessaber, com a ajuda dos desnomes. Quando afirma que é ‘formado em desencontros’, no ‘Livro sobre nada’, de 1996, faz o elogio do paradoxal, do contrastante, da antítese. Uma didática poética, ou uma ‘desdidática’, enfatizando o valor do imprestável, a sensatez do despropósito, a nadeza que preenche, a desinventação das coisas para recriá-las”, explica o artista.

A série promove uma reflexão sobre os objetivos do projeto político-pedagógico do governo brasileiro com a instauração de órgãos como o INCE, mantido e ampliado durante a Ditadura (1964-1985), com a criação da Embrafilme. Um dos objetivos do INCE foi a produção de conteúdo audiovisual que contribuísse para o advento de uma “educação brasileira”, visto por uma perspectiva nacionalista, com a criação de séries educativas, adotadas em escolas públicas para serem utilizadas como recurso didático pelos professores. Partindo dessa coleção, Adorján cria, por interferências como sobreposições e colagens, “uma memória não vivenciada”.

Os diapositivos são repletos de referências nacionalistas, com elementos e episódios históricos que se sobrepõem como fantasmas da História e de sua necessidade de se criar marcos, através dos slides projetados em sala de aula. A série de fotografias no formato 50 x 75 cm de “Desdidática”, impressa em papel de algodão, busca trazer à luz um material que estava em descarte e que foi reativado a partir dessas transformações, de acordo com o artista.

“O Oi Futuro é um espaço aberto para a investigação das possibilidades tecnológicas na arte e acredita na potência transformadora da cultura na vida dos cidadãos”, lembra o gestor de Cultura do Oi Futuro, Roberto Guimarães. “Ao promover a revisão de uma tecnologia de época que marcou a formação de tantos brasileiros nas escolas públicas, o trabalho de Adorján cria novos significados e narrativas em uma pesquisa que ressignifica as imagens que fizeram parte do imaginário de mais de uma geração, em um momento de adensamento e ampliação das cidades”.

Nascido no Rio de Janeiro, em 1982, Rafael Adorján é formado em Educação Artística, com licenciatura em História da Arte e com Mestrado em Artes, ambos pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Sua pesquisa artística é voltada para a criação de publicações independentes e livros-objetos, desenvolvidos como desdobramento de sua linguagem no campo da imagem, em narrativas criadas a partir de jornadas que abrangem períodos de imersão em lugares específicos, mas também de experimentações possibilitadas por linguagem da fotografia. Em 2017, realizou a exposição individual “MSV432” na Galeria da Gávea (RJ), acompanhada da publicação do fotolivro homônimo sobre o projeto que desenvolveu ao longo 2016 para a galeria e sob a curadoria de Luísa Duarte.

Adorján participou de diversas exposições, como “Reply All” na Grosvernor Gallery, em Manchester (Inglaterra) em 2016; a exposição individual da série “Religare” na Amarelonegro Arte Contemporânea (RJ) acompanhado de fotolivro com todas as imagens da série pela editora Pingado-Prés, de São Paulo, em 2015; realizou a exposição da mesma série no Paço Imperial (RJ), fruto do Prêmio Honra ao Mérito Arte e Patrimônio do IPHAN/MinC em 2014; recebeu o IV Prêmio Diário Contemporâneo de Fotografia, em Belém pela série “Derrelição”, em parceria com Daniela Alves em 2013; apresentou a individual “HI-FI”, selecionada para o Programa anual de exposições do Centro Cultural São Paulo (CCSP) em 2011, também exibida na Amarelonegro Arte Contemporânea (RJ) em 2012. Com suas obras, participa do acervo de coleções institucionais e privadas, como a do Museu de Arte do Rio (MAR) e a Coleção Joaquim Paiva (MAM-RJ).

Sobre O Oi Futuro
O Oi Futuro promove, apoia e desenvolve ações inovadoras e colaborativas para melhorar a vida das pessoas e da sociedade. Com a atuação nas frentes de Educação, Cultura, Inovação Social e Esporte, o instituto acelera iniciativas que potencializam o desenvolvimento pessoal e coletivo, fomentam experimentações de inovação e estimulam conexões.

Na Educação, o Oi Futuro investe em modelos inovadores para inspirar novas formas de aprender e ensinar com o NAVE (Núcleo Avançado em Educação), que forma jovens para as economias digital e criativa, com foco na produção de games, aplicativos e produtos audiovisuais. O programa, desenvolvido em parceria com as Secretarias de Estado de Educação do Rio de Janeiro e Pernambuco, oferece ensino médio integrado. Além de obter formação voltada para a indústria criativa e digital, os estudantes do NAVE são incentivados a desenvolver o espírito empreendedor e a estabelecer suas primeiras conexões profissionais, por meio de projetos e eventos de integração com o mercado de inovação.

Na área Cultural, o instituto atua como um catalisador criativo, impulsionando pessoas através das artes, estimulando a produção colaborativa e promovendo o acesso à cultura na era digital. O Oi Futuro mantém um centro cultural no Rio de Janeiro, com uma programação que valoriza a produção de vanguarda e a convergência entre arte contemporânea e tecnologia, e realiza o Programa Oi de Patrocínios Culturais Incentivados, que seleciona projetos em todas as regiões do país por meio de edital público. O Instituto também faz a gestão do Museu das Telecomunicações e sua Reserva Técnica, pioneiro no uso da interatividade no Brasil, e do LabSonica, laboratório de experimentação sonora. Também no Rio, o Oi Futuro mantém a Oi Kabum!, escola de arte e tecnologia onde está abrigado o Lab.IU, Laboratório de Intervenção Urbana.

Na Inovação Social, o Oi Futuro mantém o Labora, laboratório voltado para soluções inovadoras e de impacto para as cidades e a gestão cultural. O Labora é um ambiente de conexão, aprendizagem e criação para organizações e empreendedores comprometidos com a transformação de impacto e oferece programas de incubação e aceleração para projetos e negócios sociais em diferentes fases de maturação e perfil empreendedor. O Oi Futuro também aposta em projetos esportivos que conectem pessoas e promovam a inclusão e a cidadania.

Serviço
Oi Futuro – Galeria 03 (5º Pavimento)
(Rua Dois de Dezembro, 63 – Flamengo - RJ)
De 26 de março a 27 de maio de 2018
Terça a domingo, 11h às 20h
Entrada franca | Classificação etária: Livre

Fonte: Oi Futuro

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