DISTRITO FEDERAL, Brasília - Não apenas um "museu em processo", mas "um museu vivo", que se articula com a sociedade.

Localizado no centro histórico de Salvador (BA), o Museu Nacional da Cultura Afro-Brasileira (Muncab) abriga exposições, mostras cinematográficas e atividades educativas, além de mais de 300 peças de acervo. Aberto ao público há 10 anos, o museu, no entanto, não está completamente constituído. Em busca de auxílio para garantir a conclusão e a manutenção do espaço, o músico e letrista José Carlos Capinam esteve reunido, na manhã desta quarta-feira, com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão.

"Saio da reunião com o ânimo modificado. Eu estava um pouquinho desanimado em função de tantas tentativas que a gente tem feito para finalizar o museu. Achei a postura do ministro muito aberta, ele se mostrou muito disposto a ouvir e conhecer os problemas e também em contribuir em resolvê-los", afirmou Capinam, que é coordenador-geral da Associação Amigos da Cultura Afro-Brasileira (Amafro), administradora do museu.

Para o ministro Sérgio Sá Leitão, a riqueza da cultura afro-brasileira merece ter um espaço, ainda mais em um local como a Bahia, que teve como base de sua composição a cultura dos povos afrodescendentes, que chegaram ao País em condição de escravos durante o período colonial.

"A cultura afro-brasileira merece ser valorizada e difundida. Faz todo o sentido ser em Salvador. Inclusive, é mais uma atração de visitação com potencial de despertar grande interesse até fora do Brasil", destacou Sá Leitão.

De acordo com Capinam, 70% da reforma do prédio principal já foi concluída, mas ainda falta toda a reforma de um segundo local, que deverá abrigar as atividades educativas realizadas pelo museu, que serão voltadas a alunos e visitantes de todo o País.

Desde sua abertura, em 2005, o museu vem sido mantido por recursos provenientes de convênio com o Ministério da Cultura (MinC). Segundo Capinam, a mudança de gestão causou incerteza quanto à manutenção da parceria. Por parte do MinC, já está em processo uma análise do andamento das obras e será feita uma avaliação do ministro sobre as condições de manutenção do convênio com o museu.

Outra perspectiva de captação de recursos para Muncab, segundo o ministro, poderia ser feita por meio de parcerias do museu com empresas privadas e estatais. Nesse sentido, o ministério se colocou à disposição para ajudar o museu.

Também participaram da reunião a assessora de gestão do Muncab, Grasiele Fair, e o presidente do Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), Marcelo Araújo.

Sobre Capinam
Expoente da geração baiana de poetas e letristas tropicalistas das décadas de 1960 e 1970, Capinam usava da metáfora de suas letras para combater a ditadura militar. Fez parcerias com diversos artistas da música popular brasileira, como Caetano Veloso, Edu Lobo, Gilberto Gil, Jards Macalé, João Bosco, Joyce, Paulinho da Viola, Tom Zé, Moraes Moreira, Sueli Costa e Zé Ramalho. É coautor de sucessos como Soy Loco por ti América. Também atuou como escritor, jornalista e publicitário.

Nos últimos 15 anos, Capinam preside o Muncab e batalha pela instalação definitiva de um espaço apara a difusão da cultura afro-brasileira na Bahia. De acordo com o músico, essa história se realiza "com uma equipe de quatro pessoas e 10 voluntários". Mesmo assim, o Muncab continua aberto ao público e oferece, de forma gratuita, a exposição de seu acervo e as atividades educativas e culturais.

"Essa expressão (museu vivo) veio do grupo de voluntários que fazia a parte educativa do museu, um grupo de cerca de 10 mulheres, que faz o Projeto Erê. Este projeto está vivo, se articulando com a sociedade, com as escolas, trazendo os alunos para o museu", destacou.

Fonte: MinC

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