BAHIA, Salvador - A plenária do Conselho Estadual de Cultura teve um ritmo de celebração na tarde desta sexta-feira (10), quando os conselheiros se reuniram numa sessão extraordinária, em prol de uma razão mais do que nobre.

Foi apresentado o parecer da Câmara de Patrimônio do CEC, representada pelo conselheiro e diretor da Fundação Pedro Calmon, Zulu Araújo, favorável ao tombamento do Terreiro Ilê Axé Asipá. Por unanimidade e sob palmas incessantes dos integrantes do Asipá e de outras casas ali presentes para acompanhar o momento histórico, o parecer foi aprovado pela plenária.

“É inquestionável o valor histórico do Terreiro Ilê Asipá, localizado à Rua da Gratidão nº 472, próximo a Avenida Orlando Gomes, em Salvador, Bahia. A relevância histórica deste Terreiro e o seu reconhecimento pela comunidade baiana e brasileira, o torna uma referência como um pólo de irradiação, expansão e fortalecimento da ancestralidade africana no Brasil, que vem sendo transmitida de geração a geração”, assim o parecerista Zulu Araújo inicia o seu texto de duas laudas no qual se posiciona favorável ao tombamento. O conselheiro, que conhece o Asipá desde a sua fundação, revela que pôde basear o parecer em sua própria experiência de vida, assim como em seu compromisso com a diversidade cultural e a liberdade religiosa.

Foto: Lucas Rosário

Abrindo a sessão, a secretária de Cultura, Arany Santana, agradeceu ao empenho do CEC e do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) em cumprir o seu papel com celeridade. “Neste momento em que vivemos a intolerância religiosa, é histórico um órgão de cultura do estado da Bahia atender com prontidão, com presteza um apelo de merecimento da nossa comunidade”, declarou a secretária, que ainda prestou uma saudação à memória de Mestre Didi, fundador do Ilê Asipá.

Nascido no ano de 1917, Deoscóredes Maximiliano dos Santos, o Mestre Didi, foi um escritor, artista plástico e sacerdote da religião de matriz africana. Fundou em 1980 o Terreiro Ilê Axé Asipá, sociedade cultural e religiosa, referência no Culto aos Egungun. Falecido em outubro de 2013, o Supremo Sacerdote do Asipá foi um exemplo de fé e condução de vida, permanecendo nos ensinamentos transmitidos e que permanecem sendo repassados. O tombamento do Asipá, conforme revela Genaldo Novaes, Alagbá Babá Mariwo – chefe de comunidade – representante do terreiro, era um desejo antigo do próprio Mestre Didi, que chamava atenção para a importância do ato há mais de 10 anos. “Mestre Didi tinha três pontos fundamentais sobre a sua personalidade. Foi um artista plástico famosíssimo que foi para o topo valorizando somente a afrodescendência, demonstrando que nós não precisamos imitar ninguém. Foi o educador mor, que mostrou o que todo afrodescendente deveria saber. E era extremamente rigoroso com a questão religiosa, como ele aprendeu com os africanos. Ele não inventou nada, como ele dizia. Ele ensinou a preservar, a ter amor”, relembra. O Alagbá opina que o ponto mais favorável quando o tombamento for concretizado será a garantia da preservação do Terreiro e sua estrutura em meio ao processo de crescimento imobiliário que se alastra pela região na qual ele está localizado.

O processo de tombamento foi enviado ao Conselho através do IPAC, que encaminhou um parecer técnico à Comissão da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural do CEC. Nos próximos passos, o parecer aprovado será enviado à Secretaria de Cultura, que por sua vez encaminhará diretamente à Governadoria para a assinatura do decreto definitivo.

“Entendemos que o processo de salvaguarda vem atender a uma demanda da sociedade de um patrimônio que vai além de um bem edificado, além de saberes e fazeres. É o reconhecimento das pessoas, é o reconhecimento da ancestralidade, do que isso representada para a identidade cultural da Bahia e do país”, explica o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Emílio Tapioca.

Fonte: Secult BA

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