DISTRITO FEDERAL, Brasília - O Museu das Missões reabre suas portas ao público no próximo dia 29 de setembro, depois de passar por uma obra emergencial de recuperação, executada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

O edifício da década de 1940, projetado por Lucio Costa com objetivo de reunir o rico e marcante acervo sacro da região dos Sete Povos das Missões, foi gravemente danificado em abril de 2016, quando um tornado atingiu a cidade de São Miguel das Missões (RS).

O investimento no Museu das Missões, que é administrado pelo Instituto Brasileiro de Museus (Ibram), foi de mais de R$1,68 milhão para contratação de obra emergencial de recuperação, que incluiu também a Casa do Zelador, Pavilhão Lucio Costa e Sacristia Velha do Sítio Histórico de São Miguel Arcanjo. Com a força dos ventos, a cobertura do edifício foi fortemente comprometida, com destelhamento, deslocamento e desalinhamento de peças de madeira. Esquadrias de ferro e vidro foram destruídas, danificando também esculturas do acervo, seu mobiliário de sustentação, instalações elétricas, de iluminação e de segurança, além dos aparelhos de desumidificação das salas expositivas. A Sacristia Velha da Igreja de São Miguel Arcanjo teve seu telhado desestruturado e calhas retorcidas, ocasionando a entrada da água da chuva e risco de desabamento da cobertura.

Por causa disso, durante o período das intervenções o Museu e a Sacristia ficaram fechados para visitação e serão agora reabertos. A solenidade de entrega, que será realizada no Dia de São Miguel Arcanjo, terá a participação da presidente do Iphan, Kátia Bogéa, do presidente do Ibram, Marcelo Araújo, do prefeito de São Miguel, Hilário Casarin, da superintendente do Iphan-RS, Juliana Erpen, entre outras autoridades. Na véspera da entrega, no dia 28, os representantes das instituições envolvidas farão uma reunião técnica no local, a fim de avaliar a gestão do Sítio e questões referentes à recuperação e manutenção de seu acervo.

Missões Jesuíticas no Brasil
São Miguel das Missões foi o local de uma das missões jesuíticas que compreendiam os 30 povos indígenas entre Brasil, Argentina e Paraguai durante a colonização portuguesa e espanhola. Em 1937, o arquiteto Lucio Costa foi enviado ao Rio Grande do Sul para analisar os remanescentes dos Sete Povos das Missões e a visita resultou no tombamento, pelo Iphan, em 1938, dos remanescentes das Missões. Em 1983, o sítio arqueológico de São Miguel foi declarado Patrimônio Mundial Cultural pela Unesco e em 2009 foi criado o Parque Histórico Nacional das Missões, que reúne os sítios arqueológicos de São Miguel Arcanjo, São Lourenço Mártir, São Nicolau e o de São João Batista.

O Iphan também inscreveu, em 2014, o bem imaterial Tava, Lugar de Referência para o Povo Guarani no Livro de Registro de Lugares. A Tava Miri São Miguel Arcanjo é entendida como lugar de importância e referência cultural, pois converge significados e sentidos atribuídos pelo povo indígena Guarani-Mbyá ao sítio histórico que abriga os remanescentes da antiga Redução Jesuítico-Guarani de São Miguel Arcanjo.

As Missões Jesuíticas Guaranis - um sistema de bens culturais transfronteiriços em território do Brasil e da Argentina - compõem-se de um conjunto de remanescentes dos povoados implantados em área originalmente ocupada por indígenas, durante o processo de evangelização promovido pela Companhia de Jesus nas colônias da Coroa Espanhola na América, durante os séculos XVII e XVIII. Representam importante testemunho da ocupação do território e das relações culturais que se estabeleceram entre os povos nativos, na maioria da etnia Guarani, e missionários jesuítas europeus.

Serviço:
Entrega das obras de recuperação do Museu das Missões
Data: 29 de setembro de 2017
Horário: 11h
Local: Museu das Missões – São Miguel das Missões/RS

Fonte: Iphan

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