DISTRITO FEDERAL, Brasília - Vinte e nove anos dedicados à defesa e à promoção da cultura afro-brasileira.

Nesta terça-feira (22), a Fundação Cultural Palmares comemora mais um aniversário, celebrando as principais conquistas do povo negro ao longo dessas quase três décadas de trabalho. Apesar das vitórias, a Palmares sabe que muito ainda tem de ser feito para erradicar o racismo, o preconceito e a intolerância no Brasil. Para esta luta, conta com a parceria do Movimento Negro, de toda a sociedade civil e do Poder Público.

Vinculada ao Ministério da Cultura (MinC), a Fundação Cultural Palmares foi criada pela Lei nº 7.668, de 1988. Além de desenvolver políticas públicas para valorizar o patrimônio cultural afro-brasileiro, a instituição age como interlocutora dessa população com o governo.

Muitas são as conquistas a serem lembradas, como as Diretrizes Curriculares para a Educação Nacional Quilombola, que adaptaram a pedagogia à realidade dessa população; o Estatuto da Igualdade Racial, importante instrumento para combater o racismo, que recentemente completou sete anos; a Lei 10.639, de 2003, que tornou obrigatório ensino da História da África e Afro-Brasileira nas escolas; e o recente reconhecimento da Serra da Barriga, onde ficava o célebre Quilombo dos Palmares, em União dos Palmares (AL), como Patrimônio Cultural do Mercosul; além do apoio a uma série de projetos e eventos culturais.

Uma das atividades relevantes desenvolvidas pela Fundação é certificar as comunidades que se autodefinem como remanescentes de quilombos. A partir daí, é realizado o trabalho de regularização fundiária por parte do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). A titulação permite que os quilombolas tenham acesso a programas sociais do governo, instalação de serviços básicos de saneamento, educação e saúde, entre outros direitos. No total, já foram emitidas cerca de 2,5 mil certificações.

Para o presidente da Fundação Cultural Palmares, Erivaldo Oliveira, os 29 anos da entidade se traduzem na valorização do legado dos negros brasileiros e na busca da mobilidade social tão merecida. "O afro-brasileiro quer escola, segurança, saúde, lazer, trabalho e voz ativa nas decisões do nosso país. Desejamos, mais do que nunca, mostrar nossa cara, sem ter medo de nada e de ninguém. Por isso, comemoramos com muito orgulho esta data, nos lembrando do passado e construindo o futuro", afirma.

Equipe da Fundação Cultural Palmares (Foto: Divulgação)

Programação especial
Para comemorar o aniversário, a Fundação Palmares preparou uma série de eventos, que se estendem até esta sexta-feira (25). Nesta terça-feira (22), será realizado, das 9h às 17h, o seminário Estado, Racismo e Violências, no Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB). O evento contará com presença de representantes do Ministério da Educação (MEC), de alunos e de universidades que implantaram o sistema de cotas, além de especialistas sobre o tema.

Nesta quarta-feira (23), será realizado o encontro Literatura Negra Contemporânea – Mesa de Debate com Escritores e Escritoras, no Beijódromo, no ICC Sul, na UnB. Na quinta-feira (24), será a vez do seminário Muitos Caminhos – Um Único Encontro, com a presença de diversos líderes religiosos. A ideia é mostrar que, independentemente das convicções religiosas, que é possível a convivência pacífica e o respeito à diversidade.

A programação inclui ainda o I Encontro de Cineastas e Produtoras Negras, que homenageia Adélia Sampaio, primeira cineasta negra brasileira. A mostra competitiva do Encontro será na terça (22), quarta (23) e quinta (24). Os vencedores serão conhecidos na sexta (25). Confira neste link a programação e os horários/locais das sessões dos filmes.
 
Fonte: FCP/MinC

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