BAHIA, Salvador - Um dos monumentos artístico-arquitetônicos mais importantes do Brasil, o Convento de São Francisco, originário de 1587 e localizado no Centro Histórico de Salvador, vai receber ação emergencial do Governo do Estado da Bahia, via Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (IPAC) da Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA).

Até o final de agosto será iniciada intervenção preventiva no conjunto de painéis de azulejos portugueses do século XVIII da Ordem 3ª de São Francisco. O conjunto arquitetônico, incluindo bens móveis e artísticos, é de propriedade dessa congregação católica e tombado como Patrimônio do Brasil desde 1939 sob responsabilidade do Governo Federal, via Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) do Ministério da Cultura (MinC).

Foto: Jeferson Vieira

“Mesmo não tendo responsabilidade legal direta para com monumento, o diretor do IPAC, João Carlos, teve a sensibilidade de nos visitar e oferecer ajuda; este é um tesouro secular que estava se perdendo”, afirma Jayme Baleeiro Neto, diretor executivo da Ordem terceira de São Francisco. O investimento emergencial do IPAC será de R$ 10 mil com recursos próprios e servirá como conservação inicial, necessitando depois que a Igreja ou o IPHAN façam a restauração completa. “Trata-se de um Bem Cultural Nacional de valor inestimável de azulejos feitos em Portugal durante o reinado de D. João V, entre 1730 e 1750; a área de intervenção cobre 85 metros quadrados”, explica o diretor geral do IPAC, João Carlos de Oliveira.

Na última quinta-feira (27) a equipe do IPAC realizou vistoria aos azulejos. “Existe infiltração que vem das calhas, e este pode ser um dos motivos dos azulejos estarem caindo da parede. A umidade é sempre vilã. As instalações precisam ser revistas. Quanto mais a área for preservada e coberta evitará esse tipo de degradação”, relata a restauradora do IPAC, Célia Moura, que coordenou a vistoria técnica. Segundo ela, após a revisão das infiltrações na estrutura do prédio, será necessário retirar os azulejos, fazer trabalho de dessalinização e colocação de placas de isolamento entre a parede e os azulejos”, afirma a especialista.

Segundo a direção da Ordem, há mais de 15 anos que os azulejos não recebem manutenção. “Eles estão descascando em diversos pontos por ação do sol, do salitre e de infiltrações nas paredes”, conta Baleeiro. Responsável pela administração e conservação da igreja tombada pelo IPHAN, a Ordem informa não possuir recursos para o restauro,

O IPAC atua sobre edificações da sua propriedade, ocupadas por suas diretorias ou que tenham recebido a chancela de tombamento, em Salvador ou interior do estado. “Imóveis e áreas como o Palacete das Artes (Graça), Museu de Arte da Bahia (Corredor da Vitória), Passeio Público (Campo Grande), Praça das Artes e Solar Ferrão (Pelourinho), dentre dezenas de outros, dispõem de manutenção permanente do IPAC”, diz o dirigente estadual, João Carlos. Ele lembra que o IPAC tem feito ainda parcerias com prefeituras e organizações governamentais para orientação, obras e fiscalização como forma de continuar trabalhos em momento de crise econômico-financeira em todo o país.

O diretor do IPAC destaca a necessidade de parceria. “Ninguém faz nada só; em momentos de crise, a união e parcerias são fundamentais”, completa. Dentre as parcerias do IPAC estão as realizadas nos municípios de Xique-Xique, Itacaré, Piatã e Cairu. “Estamos agora inaugurando a implantação do Museu da Fortaleza de Morro de São Paulo, um dos destinos turísticos mais importantes da Bahia”, finaliza.

Fonte: IPAC

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