RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - Já imaginou poder embarcar em um passeio para conhecer melhor Botafogo, um dos bairros mais tradicionais do Rio, com todo o seu conteúdo histórico? Com o livro recém-lançado pela editora Ex-Libris O Corcovado conta histórias, isso é possível.

Dando asas à imaginação, a historiadora Kaori Kodama, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), se utilizou da ficção para mostrar o bairro, desde a era de um Brasil recém-descoberto pelos portugueses, no ano de 1568, e habitado primordialmente pelos índios. “A intenção, ao escrever esse livro, foi proporcionar um material que unisse história, geografia e turismo, especialmente para crianças do 2° ao 4° ano fundamental e, dessa forma, viabilizar e estimular um turismo diferente, em que esses jovens passam a reconhecer o local e, ao mesmo tempo, aprendem sobre seu legado histórico, vendo a cidade com outros olhos”, explica Kaori. A publicação contou com o auxílio da FAPERJ por meio do edital Apoio à Produção e Publicação de Livros e DVDs Visando à Celebração dos 450 Anos da Cidade do Rio de Janeiro. O projeto foi idealizado pela historiadora com a equipe da Espaço e Vida, empresa especializada em turismo educacional.

A icônica enseada de Botafogo, ainda pouquíssimo habitada, aparece na fotografia tirada no começo do século XX
(Foto: A. Ribeiro)

Tudo começa quando dois amigos, Clara e Pedro, decidem subir o Corcovado, o personagem central do livro. Em determinado momento, é o próprio morro-símbolo da cidade que toma vida e passa a conversar com as crianças, contando a história do bairro. “Além de o Corcovado ser um ponto de referência turística na cidade, lá do alto consegue-se ver Botafogo por inteiro”, diz a historiadora. Ainda perplexas por conversar com o próprio Corcovado, Clara e Pedro acham uma máquina do tempo. A partir daí, começa o mergulho histórico no bairro.

Em 1568, as crianças encontram o indiozinho tupinambá Teçá, que lhes mostra os rios que corriam pelo bairro e que hoje, em sua maioria, passam por debaixo do asfalto. Em uma canoa, passam pelo rio Berquó, que, conforme explica o livro, pode ter um trechinho canalizado, visto dentro do Cemitério São João Batista. Elas veem, deslumbradas, um bairro bastante diferente, ainda despovoado. Depois de aprender um pouco da linguagem dos tupinambás e de ver os botos-cinza, figurinhas fáceis na enseada de Botafogo à ocasião, Clara e Pedro continuam sua viagem pelo tempo. Agora, eles rumam para 1700 e são recepcionados por Rita, filha de escravos, que lhes apresenta um Botafogo ainda rural, cheio de plantações. Em cada época, as duas crianças encontram personagens que lhes contam curiosidades e diferentes aspectos do bairro.

Tudo isso se soma às divertidas ilustrações de Guto Lins, tornando o livro aprazível não só para crianças, como também para adultos. “É muito interessante que todos se interessem pela leitura, pois complementa muito o objetivo do meu trabalho. Pais, mães, tios, professores, por exemplo, podem tornar-se mediadores e guias turísticos para os mais jovens, criando roteiros que permitam conhecer histórica e culturalmente o bairro”, explica. Uma página na internet traz informações sobre o livro e um caderno de atividades para ser baixado: https://espacoevida2017.wixsite.com/corcovado

O Corcovado conta histórias foi lançado no início de maio, no pátio do Museu Villa-Lobos, situado na tradicional Rua Sorocaba, em Botafogo, em evento marcado pela apresentação da orquestra Tuhu, formada por jovens do projeto social “Villa Lobos e as Crianças”. Uma equipe de recreação e outra de contadores de histórias leram trechos do livro e brincaram com as crianças. Certamente, foi um jeito divertido de aprender sobre o bairro.

Fonte: Faperj - Danielle Kiffer

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