RIO DE JANEIRO, Rio de Janeiro - O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro e a Pinakotheke Cultural apresentam a exposição 'Jaildo Marinho – Cristalização', a partir das 15h do próximo dia 27 de maio, com curadoria do crítico de arte francês Jacques Leenhardt, que reúne 19 obras, entre pinturas, esculturas e a instalação que dá nome à mostra – com 27 metros quadrados – , do artista pernambucano nascido em 1970 e radicado há 24 anos em Paris.

A exposição será acompanhada de um livro-catálogo bilíngue (português-francês), com textos do crítico francês Jacques Leenhardt e do curador do MAM, Fernando Cocchiarale, editado pela Pinakotheke Cultural, realizadora da exposição em parceria com o MAM.

Jaildo Marinho utiliza mármore de Carrara em suas esculturas e na instalação “Cristalização”, com pintura em tinta acrílica. Leenhardt – diretor da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais, em Paris, e estudioso do Brasil desde 1980 – explica que a exposição se dá em torno desta instalação, “um ambiente impregnado pelas cores da ametista”. “Essa peça é construída em redor de um vácuo, a condição, em geologia, para que o tempo infinito dos processos minerais venha a formar cristais que, ao se desenvolverem livremente, acabam constituindo um geodo”, diz. “Essa estrutura central é o emblema da exposição inteira, que funciona em seu conjunto à maneira de uma estrutura cristalina, reproduzindo na escala do Museu o longo processo através do qual se elabora o mundo mineral, mediante reduplicações e simetria”.

O tempo efêmero da existência humana, em oposição ao da formação mineral, é uma das questões presentes na exposição. “Jaildo Marinho situa-se resolutamente na linha construtivista, oriunda de Malevich (1878-1935) e Mondrian (1872-1944), que se alforriou do mundo concreto com a vontade de se tornar a matriz de uma linguagem universal, sem relação com o mundo material do cotidiano tão constantemente representado na pintura da Antiguidade”, afirma Jacques Leenhardt. O crítico destaca que se deve considerar a exposição “como o resultado de uma dupla reflexão a partir de uma releitura da tradição inaugurada pela obra de Mondrian – desenvolvida por Jesús Soto (1923-2005), de um lado, e, do outro, estabelecida solidamente na linhagem do concretismo e, em seguida, do neoconcretismo brasileiro, que vai de Flávio de Carvalho até Hélio Oiticica, passando por Waldemar Cordeiro e muitos outros”.

Fernando Cocchiarale observa que é possível pensar nas “Cristalizações” de Jaildo como “uma repactuação pessoal e híbrida entre a sintaxe geométrica (legada pelas vanguardas da primeira metade do século XX) e a tradição pré-construtivista da escultura”. “As cinco esculturas agora mostradas – “Palette Rio-rouge”, “Rio-jaune”, “Rio-bleu”, “Rio-rose” e “Brazil rose-zen”– sugerem a síntese entre a racionalidade construtiva da forma geométrica e os métodos de produção clássicos da escultura greco-romano-renascentista. Seu título comum, “Palette”, nos evoca sua inscrição institucional (por meio da palette de Carrara que aqui não opera mais como veículo para o transporte da obra, e sim como parte inseparável das esculturas, fixando-as em seu lugar de exposição)”, diz o curador do MAM.

Fonte: Jornal do Brasil

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