DISTRITO FEDERAL, Brasília - De alvo de discriminação e perseguição nas primeiras décadas do século XX a símbolo nacional, o samba no Rio de Janeiro se destaca como um fenômeno cultural pujante.

Diante disso, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), no âmbito das comemorações de seus 80 anos, faz uma homenagem ao Museu do Samba por sua relevância enquanto Centro de Referência das Matrizes do Samba do Rio de Janeiro: Partido Alto, Samba de Terreiro e Samba-Enredo. Também recebem certificado de agradecimento pelos serviços prestados à cultural brasileira, especialmente ao samba carioca, a Associação  da Velha Guarda das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e os 26 membros do Conselho do Samba do Rio de Janeiro. A cerimônia de entrega do certificado acontece no dia 13 de janeiro, no Museu do Samba, no Rio de Janeiro.

O museu teve origem no Centro Cultural Cartola, instituição responsável pelo pedido oficial de registro do bem como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil, com o apoio da Associação das Escolas de Samba do Rio de Janeiro e da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa). Nilcemar Nogueira, neta do compositor Angenor de Oliveira, o Cartola, e na época presidente do Centro e hoje secretária municipal de Cultura do Rio de Janeiro, foi autora do requerimento ao Iphan. Na ocasião do pedido, ela explicou que era possível observar um enfraquecimento das raízes do samba do Rio: “A massificação deu ao samba um formato que está distante dos principais elementos que compõe suas matrizes. Não é uma proposta de engessamento ou saudosismo. O samba é vivo, dinâmico. Nossa intenção é de valorizar e preservar as matrizes do samba carioca: samba de partido-alto, samba de terreiro e samba-enredo”, explicou.

O reconhecimento se deu no ano de 2007, com a inscrição das matrizes do samba no Livro das Formas de Expressão. Entre os objetivos do registro está situar o valor patrimonial do samba no Rio, mostrando seu papel fundamental na tradição cultural da cidade e como referência da cultura nacional, assim como levantar as ações e políticas necessárias para a valorização e salvaguarda dessa expressiva manifestação da cultura brasileira.

O pedido do Centro Cultural Cartola, hoje Museu do Samba, levou o Iphan a realizar a pesquisa que resultou no dossiê para registro do samba de terreiro, partido-alto e samba-enredo. Seguindo a metodologia do Inventário Nacional de Referências Culturais (INRC), os estudos buscaram explicitar aspectos das dimensões melódicas, harmônicas, rítmicas e coreográficas, bem como caracterizar seus contextos de prática e revelar os principais personagens.

A pesquisa reuniu um conjunto de referências históricas: monografias, teses, livros, vídeos, reportagens, discografia da época e o testemunho de sambistas da velha guarda, como Monarco, Xangô da Mangueira, Nelson Sargento. Desde as reuniões em casa de Tia Ciata, no início do século 20, a pesquisa identifica o samba nos blocos, nos morros, nas ruas e quintais.

Para a presidente do Iphan, Kátia Bogéa, o samba é um componente da identidade nacional e um instrumento de coesão que tem ajudado a derrubar barreiras e eliminar preconceitos. “Valorizar o samba e as práticas culturais que o rodeiam é também uma maneira de minimizar as diferenças sociais”, afirma.

Em 2017, o carnaval da Mangueira levará para a Sapucaí elementos do Patrimônio Cultural, abordando a fé nacional com a temática Só com a Ajuda do Santo. A ação é uma das atividades que celebrarão os 80 anos, criado em 13 de janeiro de 1937.

Centros de Referência
No âmbito das ações de salvaguarda – que buscam, além da produção de inventários e registros, conceder apoio e fomento visando garantir a realização de atividades e práticas de valorização e promoção do Patrimônio Imaterial Brasileiro –, o Iphan recomenda o incentivo junto aos detentores para a estruturação de Centros de Referência de Bens Registrados. Esses centros, como é o caso do Museu do Samba, são compreendidos como espaços físicos de uso coletivo para abrigar acervos relativos ao bem cultural registrado, realizar ações diversas e ser um espaço para a socialização dos detentores e divulgação do bem cultural para a sociedade mais ampla. O intuito do Centro de Referência é estabelecer um espaço “neutro” para a união dos diversos grupos e segmentos relacionados ao bem cultural.

Salvaguarda
O Museu do Samba, desde o registro do bem, e como Centro de Referência das Matrizes do Samba Carioca, desenvolveu inúmeras ações por meio do Projeto Memória do Samba Carioca, uma parceria com Iphan e Ministério da Cultural (MinC) realizada entre 2009 e 2011. Além disso, a organização atua por meio de outras parcerias estabelecidas com instituições públicas e privadas para desenvolvimento das ações do plano de salvaguarda do bem registrado.

Nesse sentido, foi instituído em 2009 o Conselho do Samba do Rio de Janeiro, composto por representantes com reconhecida atuação na transmissão dos saberes valorização e promoção da continuidade das matrizes do samba. O conselho tem a missão de implementar a gestão participativa  da salvaguarda deste bem registrado nas linhas de ação que conformam o plano de salvaguarda do samba. São elas: estímulo à transmissão dos saberes e difusão das manifestações culturais dos sambas de partido alto, samba de terreiro e samba-enredo; valorização dos indivíduos que mantém vivas as tradições culturais das matrizes do samba; promoção do registro documental e circulação da produção dos grupos e segmentos praticantes das tradições musicais; apoio às ações para formação de público; apoio à pesquisa, produção, sistematização, e disponibilização de conhecimentos, documentos e acervos sobre as matrizes do samba no Rio de Janeiro.

Matrizes do samba
O samba de terreiro faz referência aos espaços de encontro e celebração dos sambistas, que ali dançam um samba livre com as marcas de sua ancestralidade. Nos terreiros, pátios das escolas de samba, são cantadas as experiências da vida, o amor, as lutas, as festas, a natureza e a exaltação das escolas e da própria música.

Já o partido-alto é marcado pelos versos de improviso. Nasceu das rodas de batucada, onde o grupo marca o compasso, batendo com a palma da mão, repetindo o refrão e inventando estrofes segundo um tema proposto. O refrão serve de estímulo para que um participante vá ao centro da roda sambar e, com um gesto ou ginga de corpo, convide outro componente da roda.

Com a criação das primeiras escolas , no final da década de 1920, o samba se adaptou às necessidades do desfile. Criou-se uma nova estética e uma nova modalidade: o samba-enredo. O compositor elabora seus versos com base no tema (enredo) a ser apresentado pela escola, descrevendo uma história, de maneira melódica e poética. De sua animação e cadência depende todo o conjunto da agremiação, tanto em termos de evolução como de envolvimento harmônico.

A partir do material pesquisado, o Iphan produziu, além do dossiê, um vídeo-documentário disponível também no canal do Youtube do Instituto.

Iphan 80 anos
Criado em 13 de janeiro de 1937, por meio da Lei nº 378, o Iphan comemora em 2017 80 anos. Nessas oito décadas, as políticas públicas executadas pela instituição foram fundamentais para a construção de uma identidade nacional e a proteção de um expressivo universo de bens materiais e imateriais. A autarquia vinculada ao MinC teve como grandes desafios a consolidação dos marcos regulatórios para o setor e a descentralização do Instituto que, atualmente, está presente em todas as unidades da Federação.

Membros do Conselho do Samba, que serão homenageados na cerimônia:
Nilcemar Nogueira
Janaina Reis
Ivonete Pereira
Leci Brandão
Marcia Moura
Selma Candeia - Selma Teixeira Candeia
Pituka Nirobe - Ivanir Guimarães
Rachel Valença
PQD da Portela - Sandoval Mattos
Manoel Dionísio - Manoel dos Anjos Dionísio
Zeca da Cuíca - José de Oliveira
Tia Surica - Iranette Ferreira Barcellos
Mestre Odilon - Odilon Costa
Zé Luiz do Império -  José Luiz Costa Ferreira    
Tantinho da Mangueira - Devani Ferreria
Careca do Império - Arandi Cardoso dos Santos
Aluisio Machado - Alcides Aluízio Machado
Martinho da Vila - Martinho José Fereira
Lygia Santos
Tiãozinho da Mocidade - Neuzo Sebastião de Amorim Tavares
Noca da Portela - Osvaldo Alves Pereira
Wanderley Caramba - Wanderley Jorge Euzébio da Silva
Zé Katimba - José Inácio dos Santos
Nelson Sargento - Nelson Mattos
Hildmar Diniz - Monarco da Portela
Rubem dos Santos - Rubem Confete

Serviço:
Homenagem ao Museu do Samba - Entrada livre
Data: 13 de janeiro, às 10h
Local: Museu do Samba
Endereço: R. Visconde de Niterói, 1296 - Mangueira, Rio de Janeiro - RJ
Horário: 10h
 
Fonte: Iphan

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