SANTA CATARINA, Florianópolis - A Fundação Cultural Badesc abriu, no dia 1º de dezembro, a exposição 'Schwanke, Habitar os Incorporais', que reúne 89 trabalhos do artista Luiz Henrique Schwanke (1951-1992) em todas as salas expositivas.

A curadoria é da professora e doutora Rosângela Miranda Cherem. Entre as obras, a maioria nunca expostas em Florianópolis, estão as "Sem Título", criadas entre 1988 e 1991, apelidadas como mandala, perfis, maletas, pregadores de roupas, cuja matéria-prima é o plástico. Além disso, a seleção inclui a chamada fase das revisitações, em que o artista descontrói a referência original de telas de Georges La Tour, Canova e Leonardo da Vinci, entre outras, adotando signos do design contemporâneo. O público também poderá apreciar desenhos e pinturas de diferentes fases, como os sonetos, os Cristos e os shorts. Inéditos na Capital, "Cobra Coral", instalada no jardim, e a instalação "Claro-escuro" (1990) composta de plotagem, ferro, 24 spots de luz e 24 espetos. A iniciativa da mostra é uma parceria entre a Fundação Cultural Badesc e o MAC Schwanke, cuja sede fica em Joinville.

Desde 1994, quando a mostra Vida Schwanke Vivo ocorreu no Museu de Arte de Santa Catarina, Florianópolis não via um conjunto tão expressivo da produção do joinvilense que se alinhou a diferentes correntes e linguagens, da pop art ao neo-expressionismo, concretismo, construtivismo e ao minimalismo. Como poucos em Santa Catarina, embaralhou arte e ciência, tempo e espaço, luz e ausência, transparência e luminosidade.

A curadoria é um desdobramento do curso Schwanke, Arquivo, Interlocuções e Desdobramentos, realizado no segundo semestre no Instituto Schwanke em Joinville. Ao lado de 15 alunos de três Estados do Sul do Brasil, a pesquisadora mergulhou na produção do artista a partir da singularidade de seu repertório e arquivo. Em 40 horas, a análise dos paradoxos contidos nos trabalhos, as filiações e pertencimentos inscritos na história da arte, as experimentações que reverberam na produção. Na combinação de leituras teóricas, Michel Foucault, Georges Didi-Huberman e outros historiadores, críticos e filósofos, como Gilles Deleuze, Walter Benjamin, Giorgio Agamben e Jacques Lacan, a mostra Schwanke, Habitar os Incorporais situa o artista na clave do incorporal, o que para "os estóicos era tudo aquilo que não podia ser medido ou pesado, quantificado ou que ocupasse lugar". Cherem pensa trajetória e produção naquilo "que sempre volta e no que sempre escapa, era lá que ele estava. A essa dimensão do mundo pertenciam o sonho e a memória, a obstinação e a imaginação, o tempo e o próprio pensamento, sendo que na sua condição de incompletude e inapreensão seguiram constantemente frequentados e revisitados. Se a tarefa da arte é aproximar-se das forças heteróclitas e inexprimíveis, imponderáveis e incongruentes que existem no mundo, se a arte vive em zonas inextensas e indeterminadas, então podemos dizer que a matéria artística se refere aos incorporais".

Sobre Schwanke
Entre as décadas de 1970 e 1980, Luiz Henrique Schwanke (1951-1992) construiu uma produção vasta e vigorosa com 5 mil peças entre desenhos, pinturas, instalações, esculturas e projetos, recebeu cerca de 30 prêmios nacionais e participou de inúmeras exposições individuais, coletivas e salões. Suas obras integram acervos de museus de diferentes cidades, como Curitiba, São Paulo, Rio de Janeiro e Florianópolis, entre outras.

Sobre Rosângela Miranda Cherem
Doutora em história pela USP (1998) e doutora em literatura pela UFSC (2006); professora associada de história e teoria da arte no curso artes visuais e Programa de Pós-graduação em Artes Visuais no Ceart (Centro de Artes) da Udesc (universidade do Estado de Santa Catarina); coordenadora do Grupo de Estudos de Percepções e Sensibilidades e do Grupo Imagem-acontecimento. Orienta e tem pesquisas e publicações sobre História das Sensibilidades e Percepções Modernas e Contemporâneas; atualmente desenvolve pesquisa intitulada Maneira de Arquivar, Modos de Experimentar, Paradoxos e Singularidades do Gesto Artístico na Contemporaneidade.

MAC Schwanke
Criado em 2002, o Museu de Arte Contemporânea (MAC Schwanke), mantido pelo Instituto Schwanke, filiado ao MinC (Ministério da Cultura) e ao IBRAM (Instituto Brasileiro de Museus), tem o compromisso de zelar pela memória de Schwanke e oferecer possibilidades de aprimoramento intelectual em torno da arte contemporânea. Com esse fim, organiza seminários e encontros de discussão, cursos e palestras com pesquisadores, críticos e artistas.

Fundação Cultural Badesc
Criada em 2005 e inaugurada em 2006, está instalada em uma das importantes edificações históricas de Florianópolis tombada pelo patrimônio municipal. Além de preservar parte da memória arquitetônica da cidade, o imóvel foi moradia de um dos políticos mais influentes do Estado, Nereu de Oliveira Ramos, que foi presidente da República por um breve período. O casarão se tornou um ponto de encontro de intelectuais, profissionais ligados às diferentes vertentes da arte e da cultura de Santa Catarina, professores, artistas e público interessado na intensa agenda. Espaço transdisciplinar, valoriza o artista e todas as formas de arte e cultura.

Serviço
O quê: Mostra 'Schwanke, Habitar os Incorporais'
Visitação: de 1º.12.2016 até 16.3.2017, segunda a sexta, 12h às 19h
Onde: Fundação Cultural Badesc, rua Visconde de Ouro Preto, 216, Centro, Florianópolis, tel.: (48) 3224-8846
Quanto: Gratuito
Realização: MAC/Instituto Schwanke e Fundação Cultural Badesc
Saiba mais: http://fundacaoculturalbadesc.com/ e www.schwanke.org.br

Fonte: divulgação por e-mail

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31