EUA, Nova York -  A obra do mestre gravurista Gilvan Samico é objeto da exposição "Samico Between Worlds – Rumors of war in Times of Peace" apresentada a Nova York pela Dream Box Art Lab no bairro do Lower East Side, com curadoria de Marcio Harum.

Abordando os aspectos metafísicos da obra do artista em 14 xilogravuras, a exposição inaugurada dia 4 de fevereiro que fica em cartaz até o dia 5 de março mostra a obra de um dos mais importantes e geniais artistas latino-americanos,  com uma carreira de 300 exposições em 30 países, premiado pela Bienal de Veneza e com obras no MoMA NY.

Obra 'Sereias' (Foto: Roman Makhmutov)

Nascido em Recife, Brasil, Samico vem sendo "redescoberto" desde seu falecimento em 2013, em diversas exposições solo e coletivas pelo Brasil desde então, incluindo todas as últimas bienais realizadas no país. Seu trabalho se ergue e diferencia de seus pares pela universalidade. Ao se basear em lendas e mitos e reinventar a arte popular de seu local de nascimento, agregando a ela elementos e temas de muitas outras culturas, Samico tocou , segundo ele mesmo e alguns críticos, no que Jung chamou de "Inconsciente Coletivo", uma espécie de conhecimento comum entre os seres humanos, contido nas lendas, figuras, símbolos que se mostram em diferentes culturas: "Tem gente aqui que pergunta qual é o meu encantamento pela arte egípcia, porque vê na minha gravura influências egípcias. Eu não tenho nada a dizer. A não ser que isso faz parte da minha vivência, do Inconsciente coletivo, sei lá. É como se fossem histórias antigas se repetindo nos genes até chegar a mim. Um crítico disse que a minha gravura hoje está impregnada dos símbolos essenciais da cultura popular. Acho que ele está certo". Samico citado citado por  Tânia Nogueira no livro "Mitologia e Cordel".

Para Júlia Rebouças, curadora da última Bienal de São Paulo, que mostrou 51 trabalhos de Samico, a repercussão entre o público da Bienal foi tremenda e o fato na contemporaneidade do artista, notória:  - "Samico é muito "agora" e a obra muito universal.  Causa enorme impacto entre o público e curadores internacionais".  

Os relatos dos mediadores da Bienal foram assim: "Acompanhei uma proposta que achei muito interessante e bonita de perguntar ao grupo de que nacionalidade eles achavam que era este artista.  Acho bonita a abordagem pensando que o Samico, com suas gravuras, nos remete a referências arquetípicas, "originais", simbólicas, que quase que poderiam ser de qualquer lugar do mundo, de qualquer começo de mundo... enfim. (...) Os visitantes costumam relacionar com cartas de baralho e desenhos egípcios. Relacionam também com narrativas religiosas e com feminismo".

Para o Professor Doutor Caesar Sobreira, que ministra disciplinas de Antropologia (da Religião, da Sexualidade, da Cultura, entre outras) na Universidade Federal Rural de Pernambuco e escreveu o livro "O Nordeste Semita" - Prêmio Nacional Gilberto Freyre, cuja capa é reprodução da obra "A Espada e o Dragão", o artista é um "gênio absoluto": "Samico criou uma obra tão vasta e polifônica que, através do romanceiro popular e de coruscantes intuições espirituais, revela a cultura nordestina e universal cultivada na terra das palmeiras" (...) "Sua obra realiza uma síntese das tradições do arcaísmo nordestino na representação (graças à abissal ancestralidade judaica) do nosso inconsciente coletivo. Ele retratou em suas gravuras o Nordeste arcaico, o sertão judaico e o ser tão semita que é o sertanejo meio eremita".

Inauguração da mostra, em NY (Foto: Roman Makhmutov)

Considerado um dos ícones do Movimento Armorial, que buscou criar uma arte brasileira a partir dos elementos indígenas, negros e europeus que fundaram a cultura de seu lugar de origem, Samico, em sua última fase, da qual as obras mostradas na exposição são integrantes, procurou uma interpretação mais autoral do universo abordado: - Por favor me entendam, eu não faço trabalho de ilustração. Eu estou me baseando numa lenda para criar um novo mundo". – afirmou Samico em entrevista à imprensa em 2011.

Marcio Harum, que esteve à frente da curadoria do Centro Cultural de São Paulo – um dos mais importantes espaços para arte contemporânea no Brasil - nos últimos quatro anos, inseriu na exposição leituras de tarot  sob agendamento. Alude à recorrente identificação da obra com a estética das cartas de tarô e com a prática da esposa do artista, D. Célida Samico, bailarina e professora de yoga, que também lê as cartas.

Com produção do Grupo Om, Dream Box Art Lab e Juliana Freire, a exposição ocupa sala na 319 Grand Street no Lower East Side, uma galeria "pop-up" no mais importante distrito de artes visuais de Nova York , vizinha ao The New Museum, The Tenement Museum e outras 40 galerias.

Exposição: Samico Between Worlds
Artista: Gilvan Samico
Curadoria: Marcio Harum
Produtores: Grupo Om, Dream Box Art Lab e Juliana Freire
Período Expositivo: 4 de fevereiro a 5 de março | 12 às 18 hrs
Local: 319 Grand Street, 5th Floor (Elevador sob demanda na 63 Orchard Street) Lower East Side - New York, NY 10002 - U.S.A
Direção: Linhas do metrô F, M, J, Z para Delancey Street Station Linhas do metrô B, D para Grand Street Station
Contatos: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.

Sobre o Artista
Samico (1928 - 2013, Recife, Pernambuco) é um dos artistas brasileiros cuja obra vem sendo retomada com mais intensidade na atualidade. Participou da XXXI Bienal de Veneza em 1962 e, em 2016, da 32a. Bienal de São Paulo, entre outras grandes exposições. Gravador, pintor, desenhista, professor. Em 1952, Gilvan Samico funda, juntamente com outros artistas, o Ateliê Coletivo da Sociedade de Arte Moderna do Recife (SAMR). Estuda xilogravura com Lívio Abramo (1903 - 1992), em 1957, na Escola de Artesanato do Museu de Arte Moderna de São Paulo (MAM/SP). No ano seguinte, transfere-se para o Rio de Janeiro, onde cursa gravura com Oswaldo Goeldi (1895 - 1961) na Escola Nacional de Belas Artes (Enba). Em 1965, fixa residência em Olinda, Pernambuco. Leciona xilogravura na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). Em 1968, com o prêmio viagem ao exterior obtido no 17º Salão Nacional de Arte Moderna (SNAM), permanece por dois anos na Europa. Em 1971, é convidado por Ariano Suassuna (1927 - 2014) a integrar o Movimento Armorial, voltado à cultura visual popular nordestina. Sua produção é marcada pela recuperação do romanceiro popular nordestino, por meio da literatura de cordel e pela utilização criativa da xilogravura. Suas gravuras são povoadas por figuras provenientes de lendas e narrativas arquetípicas, assim como por animais fantásticos e míticos. Suas obras fazem parte da coleção do MoMA, do Museo de Belas Artes de La Coruña (Espanha), do Museu de Arte Moderna de Brasília, do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, do MAMAM de Recife e da Pinacoteca de São Paulo.

Sobre o Curador
Marcio Harum foi curador de artes visuais do Centro Cultural São Paulo de 2012 a 2016. Foi assistente curatorial da 27a Bienal de São Paulo em 2006, fellow do departamento de programas públicos da dOCUMENTA (13) de Kassel em 2012, dirigiu junto com Paola Santoscoy o SITAC XI na Cidade do México em 2013 e foi um dos curadores do Focus Latinoamerica da ARCOmadrid em 2014. Em programas de residência, esteve ultimamente em 2015/2016 no CAC de Vilnius, Lituânia e no HIAP em Helsinki, Finlândia. Em 2016 realizou a exposição "Hudinilson Jr: Zona de Tensão". Neste mesmo ano apresentou as mostras "Transmigração" de Arnaldo Dias Baptista na Caixa Cultural São Paulo e "As cidades, as ruínas e depois" na Torre Malakoff no Recife. E um dos fundadores do espaço independente CHÃO em São Luís do Maranhão. Vive em São Paulo.

Sobre os Produtores
Grupo Om: Dirigido pela jornalista e artista multimeios Clara Clarice, produz exposições e promove a obra de Samico no Brasil e internacionalmente.  Atua através do Off Broadway de Olinda e Grupo Om Produções e seus parceiros, a Associação Cultural Povo da Rua e a Dream Box nos Estados Unidos. Promove e apoia artistas de Olinda e outros lugares e expressões.

Dream Box é um creative lab que conceitualiza, faz curadoria e produz projetos artísticos. Usando pesquisa, design e tecnologia como base de criação, o creative lab cultiva ideias que são transformadas em publicações, exposições, pop-ups e instalações imersivas. Com sede no bairro de Greenpoint no Brooklyn, NY, Dream Box foi fundado por Juliana Leandra em 2016.

Juliana Freire é artista, designer, ilustradora e galerista formada em Artes Plásticas pela Universidade Federal de Minas Gerais, UFMG. É sócia-proprietária e fundadora da Galeria Emma Thomas desde 2006, projeto que atualmente completa 10 anos e a intensifica suas ações em produção cultural e pesquisa de arte contemporânea nacional e internacional. Atuou em diversas áreas: como designer para Zoomp, Zaaping, Vide Bula; como professora em cursos livres na UFMG e FAAP, e, como artista, participou de dois Prêmios Porto Seguro de Fotografia e mostras em galerias e instituições como Palácio das Artes (BH) e Centro Cultural de Belo Horizonte. Há 9 anos é ilustradora da coluna do jornalista Élio Gaspari no jornal A Folha de São Paulo.

Fonte: divulgação por e-mail

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