18 Maio 2021 - Dia Internacional dos Museus

Angelo Oswaldo de Araújo Santos [1] 

A indagação sobre o futuro dos museus alcança o destino de uma cidade museal como Ouro Preto. Monumento e documento, a cidade protegida por legislação municipal pioneira, de 1931, tornada monumento nacional em 1933, tombada em 1938 e inscrita no patrimônio mundial em 1980 vive as mesmas contradições das demais cidades brasileiras, assombradas pela expansão desordenada, a descaracterização da arquitetura e da paisagem, a precariedade dos instrumentos de ordenamento, salvaguarda e controle, o empobrecimento da população e a banalização da violência ética e estética. Tantas vezes chamada de "museu a céu aberto", Ouro Preto impõe hoje a adoção de políticas que possam gerar transformações urgentes e profundas na sua realidade em crise. O agravamento da situação pelos impactos terríveis da pandemia exige reação ainda mais contundente na luta pelo futuro.

Em meio a fatores altamente negativos, o estabelecimento de um programa de retomada dos valores da cidade e da cidadania de Ouro Preto procura enfrentar as adversidades perversas e concertar as contribuições que possam produzir os resultados desejados. A revisão do Plano Diretor, cuja aplicação tem sido sempre negligenciada, acha-se em curso, assim como uma reforma administrativa que, vencidas as restrições impostas por lei federal neste ano de 2021, irá consolidar as práticas ora adotadas em sintonia com as novas metas. Uma Secretaria de Cultura e uma Secretaria de Política Urbana desempenharão papéis relevantes no revigoramento de estratégias que possam assegurar a Ouro Preto um futuro compatível com o seu passado. Preservação requer uma atuação firme e objetiva no espaço urbano como um todo e no quadro social que nele se insere, visando novas atuações e atitudes.

A implantação do Paço da Misericórdia (antigo hospital no qual começa a se instalar um mercado cultural e turístico), a abertura do Museu Boulieu (coleção da diáspora do barroco ibérico), a revitalização do Horto dos Contos e do Parque Natural da Cachoeira das Andorinhas, a execução do projeto do Monumento Natural do Morro da Queimada, a instalação do Centro de Eventos da Fábrica de Tecidos, a reorganização do Museu Aleijadinho, o resgate da área do Vira-Saia, a articulação do Circuito das Minas de Ouro e o projeto de ocupação do Morro da Forca são algumas das balizas de uma mudança intensa no contexto urbano e cultural, a partir de uma perspectiva que se ilumina pelos focos do campo museológico.

Os museus exercem um protagonismo singular na vida de Ouro Preto. Juntamente com seus congêneres - como os parques - e outros equipamentos culturais, são determinantes na percepção de que as políticas de cultura representam a melhor base para a diversificação da economia, o aumento da renda e a criação de empregos. A conservação do patrimônio resulta numa resposta econômica proporcionada pelo turismo, e a lição é comprovada pelos museus.

Desta forma, Ouro Preto reage à tragédia sanitária, social e econômica da atualidade, qualificando-se para um futuro em que patrimônio cultural e cidadania estarão integrados em novas condições de moradia, emprego, saúde e educação. A cidade museal pretende ser, amanhã, a cidade ideal concebida agora entre angústias e perdas, sonho e esperança.


[1] Prefeito de Ouro Preto (2021-2024), ex-presidente do IBRAM, ex-presidente do IPHAN e ex-secretário de Cultura de Minas Gerais.


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