SÃO PAULO, São Paulo - Com curadoria de Maria Alice Milliet, exposição Desafio da modernidade -- Família Gomide-Graz: décadas de 1920-30 é parte da trilogia sobre o modernismo que o museu apresentará nos próximos anos.

"Que soluças tu, transido de frio, sapo-cururu, da beira do rio...", declamou o escritor brasileiro Ronald de Carvalho, sob vaias, o poema Manuel Bandeira durante a Semana de Arte Moderna de 1922. Os versos da clássica obra Os sapos (1918) rimam com ironia a transformação e necessidade de ruptura da poesia, referindo-se aos modernistas que aspiravam por liberdade e simplicidade na linguagem. Assim como na literatura, a arte moderna buscava romper antigos paradigmas e implementar novas formas de expressão. O movimento tomou proporções inimagináveis e a Semana de 22 se transformou em um marco na história da arte brasileira. Para iniciar as comemorações do centenário do movimento, o Museu de Arte Moderna de São Paulo apresenta Desafio da modernidade -- Família Gomide-Graz: décadas de 1920-30, primeira exposição da trilogia, em cartaz a partir de 16 de junho, com curadoria de Maria Alice Milliet.

A mostra lança luz sobre a interface entre artes visuais e design enquanto uma vertente moderna brasileira, fruto da Semana de 22. "Pode-se dizer que suas criações são solidárias na medida em que pinturas, desenhos, tecidos, mobiliário e luminárias foram projetados para compor determinados ambientes, para funcionar em conjunto. É arte integrada ao espaço habitado e como tal será mostrada", explica a curadora.

Os artistas Antônio Gomide, John Graz e Regina Gomide-Graz foram figuras pioneiras na art déco e na introdução das composições geométricas abstratas no Brasil por meio de objetos utilitários. Nascidos no Brasil, os irmãos Gomide mudaram-se para Suíça em 1913, e conheceram John Graz na Academia de Belas Artes de Genebra. Graz enamora-se de Regina, com quem se casa em 1920, no Brasil. Na mesma década, ele entra em contato com os pioneiros do modernismo e participa da Semana de Arte Moderna de 22.

Enquanto isso, também em 1920, Antonio vivia em Toulouse e se aproximava do artista francês Marcel Lenoir, com quem aprendeu técnicas de afresco. Ainda na França, ele teve contato com modernistas brasileiros e artistas europeus ligados aos movimentos de vanguarda, a exemplo de Victor Brecheret, de quem foi vizinho em Montparnasse, bairro boêmio da capital, e Vicente do Rego Monteiro - ambos integrantes do movimento modernista.

Regina dedica sua obra à tapeçaria e confecciona painéis, colchas, almofadas, tecidos e abajures em estilo cubista e art déco. Em 1923, no Rio de Janeiro, realiza pesquisa sobre tecelagem indígena do Alto Amazonas, sendo, ao lado de Vicente do Rego Monteiro, pioneira no interesse pela tradição indígena brasileira.

"A marca registada dos projetos de John Graz é a harmonia entre todos os elementos que integram o espaço planejado. Ele visava o 'design total': do mobiliário, aos painéis, luminárias, até detalhes como maçanetas e grades", explica a curadora. Considerado o introdutor do art déco no Brasil, Graz se consagrou como arquiteto de interiores nas décadas de 1920 e 30, em São Paulo.

Regina e John Graz colaboraram com Warchavchik na montagem dos interiores da Casa Modernista. A casa, aberta para visitação pública, é hoje considerada um marco na introdução de um novo modo de morar. A proposta conjugava uma arquitetura funcional e despojada de ornamentos com ambientes organizados a partir de um mobiliário de formas puras, complementado pelo melhor da arte moderna.

Em 1932, John torna-se sócio fundador da Sociedade Pró-Arte Moderna-SPAM, na qual os irmãos Gomide tiveram uma expressiva participação. A associação buscava estreitar as relações entre artistas e pessoas que se interessavam pela arte em todas as manifestações, além de promover exposições, concertos, conferências, reuniões literárias, organizar anualmente o mês da arte e instalar uma sede social. Oficialmente fundada em 22 de dezembro de 1932 e idealizada pelo poeta Mário de Andrade, a SPAM reuniu artistas brasileiros como Anita Malfatti, Lasar Segall, Tarsila do Amaral, os mecenas Paulo Prado, Olívia Guedes Penteado, os escritores Sérgio Milliet e Menotti Del Picchia, entre outros.

Para coroar a mostra, o público pode conferir pinturas emblemáticas de Antonio Gomide, painéis e móveis de John Graz e tapeçarias e colchas de Regina Gomide-Graz. Também figuram trabalhos de ícones do modernismo brasileiro, como Lasar Segall, Tarsila do Amaral, Victor Brecheret, Rego Monteiro, Cícero Dias e o quase desconhecido Cássio M'Boy.

Programação especial dos próximos anos
Em 2021, o museu apresentará uma exposição histórica sobre a Semana de 22. Com curadoria de Aracy Amaral e Regina Teixeira de Barros, a mostra apresenta obras de artistas que participaram da Semana propriamente dita, bem como os desdobramentos da arte moderna até 1935. Serão também apresentadas obras modernas anteriores a 1922.

Em 2022, uma prospecção dos rumos da cultura moderna será exposta como forma de comemoração dos 100 anos da Semana de Arte Moderna. Com a proposta de lançar novos olhares para o futuro, assim como o espírito da manifestação, a mostra contará com curadoria mista de especialistas das áreas de artes visuais, literatura, teatro, dança, arquitetura e música.

Sobre o MAM São Paulo
Fundado em 1948, o Museu de Arte Moderna de São Paulo é uma sociedade civil de interesse público, sem fins lucrativos. Sua coleção conta com mais de 5 mil obras produzidas pelos mais representativos nomes da arte moderna e contemporânea, principalmente brasileira. Tanto o acervo quanto as exposições privilegiam o experimentalismo, abrindo-se para a pluralidade da produção artística mundial e a diversidade de interesses das sociedades contemporâneas.

O Museu mantém uma ampla grade de atividades que inclui cursos, seminários, palestras, performances, espetáculos musicais, sessões de vídeo e práticas artísticas. O conteúdo das exposições e das atividades é acessível a todos os públicos por meio de áudio-guias, vídeo-guias e tradução para a língua brasileira de sinais. O acervo de livros, periódicos, documentos e material audiovisual é formado por 65 mil títulos. O intercâmbio com bibliotecas de museus de vários países mantém o acervo vivo.

Localizado no Parque Ibirapuera, a mais importante área verde de São Paulo, o edifício do MAM foi adaptado por Lina Bo Bardi e conta, além das salas de exposição, com ateliê, biblioteca, auditório, restaurante e uma loja onde os visitantes encontram produtos de design, livros de arte e uma linha de objetos com a marca MAM. Os espaços do Museu se integram visualmente ao Jardim de Esculturas, projetado por Roberto Burle Marx para abrigar obras da coleção. Todas as dependências são acessíveis a visitantes com necessidades especiais.

Serviço
Desafio da modernidade -- Família Gomide-Graz: décadas de 1920 -- 30
Curadoria: Maria Alice Milliet
Abertura: 16 de junho, terça-feira
Período expositivo: 16 junho até 16 de agosto
Local: Museu de Arte Moderna de São Paulo
Endereço: Parque Ibirapuera (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº - Portões 1 e 3)
Horários: terça a domingo, das 10h às 17h30 (com permanência até as 18h)
Telefone: (11) 5085-1300
Estacionamento no local (Zona Azul: R$ 5,00 por 2h)
Acesso para pessoas com deficiência
Restaurante/café
Ar condicionado
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Fonte: divulgação por e-mail

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