BAHIA, Salvador - Resgatar, fortalecer e dar visibilidade à memória do carnaval de Salvador é o mote do projeto “Memórias do Reinado do Momo”, idealizado pelo professor Paulo Miguez (Vice-Reitor da Universidade Federal da Bahia) e coordenado pela pesquisadora e doutora em Cultura e Sociedade pela UFBA, Caroline Fantinel.


Innocentes em Progresso (1937). Funceb - Biblioteca Pública da Bahia (Acervo Waldelois do Rego)

No dia 14, no Museu de Arte da Bahia – MAB, acontece o lançamento da segunda edição do projeto, com a apresentação de pesquisa sobre os primeiros carnavais de Salvador e o lançamento do novo website, um minidocumentário sobre o Clube Carnavalesco Embaixada Africana e, ainda, uma obra visual inédita, assinada pelo artista plástico baiano Anderson AC, remetendo ao desfile mais emblemático do Clube, em 1897. A partir das 14h e aberto ao público.

O projeto “Memórias do Reinado de Momo” tem apoio financeiro do Governo do Estado, através do Fundo de Cultura, Secretaria da Fazenda, Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia e Secretaria de Cultura da Bahia.

Considerada a maior festa de rua do mundo, a folia momesca remonta ao século 19, quando surgiram as primeiras agremiações, clubes e sociedades carnavalescas. A partir de entrevistas com pesquisadores, recortes de jornais e fotografias da época, o projeto traz um levantamento das entidades carnavalescas que se apresentaram de 1884 até 1930, com destaque para os clubes mais emblemáticos, como Cruz Vermelha, Fantoches da Euterpe, Innocentes em Progresso, Pândegos da África e Embaixada Africana. Ao todo, o site irá disponibilizar mais de 30 fotografias raras e 200 matérias jornalísticas divulgadas à época.

“Conhecido mundialmente pela beleza dos seus blocos afro e pela potência do seu trio elétrico, o carnaval soteropolitano foi palco de uma diversidade de outras experiências festivas. Salvaguardar essa memória, portanto, desponta como medida fundamental para devolver dignidade aos atores e grupos culturais, que foram invisibilizados ao longo desse reinado de Momo por conta de disputas diversas, sejam de ordem social, cultural, étnica, territorial ou econômica”, pontuou Caroline Fantinel.

De fato, os clubes negros foram proibidos de desfilar em 1905 (só puderam retornar após mais de uma década) e não há qualquer registro imagético ou sonoro de nenhum deles. Não à toa, o projeto irá apresentar uma tela que rememora e celebra o maior dos clubes afro-carnavalescos: a Embaixada Africana. “Meu desejo foi de salientar aspectos do universo político e lúdico trazidos pela Embaixada, além de tentar mostrar seus ecos e influências nos carnavais atuais. Foi, sem dúvida, um dos meus maiores desafios recentes como artista”, afirmou Anderson AC, que assina o painel panorâmico de 0,60cm x 2,40m. Com passagens por Angola, Portugal e França, em 2019 o artista apresentou a mostra “Pintura Muralista” num dos pilares da resistência artística visual da arte negra no país: o Museu Afro-Brasil, em São Paulo.

Cordões, batucadas e escolas de samba – “Memórias do Reinado do Momo” teve início em 2015, apresentando um recorte um pouco mais recente da história dos festejos, partindo de 1930 até a década de 70, com um trabalho de pesquisa sobre os cordões, batucadas e escolas de samba - organizações típicas da participação dos setores populares na festa e que, a exemplo do que sucedeu com as agremiações negras, praticamente desapareceram do cenário carnavalesco contemporâneo.

Todo o material levantando nesta primeira edição da pesquisa - mais de 160 entidades mapeadas, um acervo de 50 fotografias raras, 150 matérias jornalísticas, os resultados dos concursos oficiais da Prefeitura no período de 1955 a 1975, e ainda uma série de oito entrevistas com pesquisadores participantes da festa – também estará no website que será lançado dia 14. Na oportunidade, participarão do debate: o idealizador Paulo Miguez, os pesquisadores Fábio Baldaia, Rafael Soares e Iury Batistta, além da própria Carol Fantinel.

“A nossa proposta é, justamente, revisitar e tornar pública a memória da nossa mais importante festa. Nessa segunda edição do projeto, fomos ainda mais longe na linha do tempo, resgatando os fatos e os personagens que marcaram os primórdios do carnaval soteropolitano, especialmente na virada do século 19 pro 20. E a decisão de disponibilizar a pesquisa em um site é tornar esse conhecimento acessível e ao alcance de todos, restituindo o valor, a dimensão e a relevância dessas agremiações que, apesar do protagonismo de outrora, tiveram sua história e importância silenciadas”, destacou Fantinel.


Foto: Arquivo Municipal de Salvador

 

Fundo de Cultura do Estado da Bahia (FCBA)
Criado em 2005 para incentivar e estimular as produções artístico-culturais baianas, o Fundo de Cultura é gerido pelas Secretarias da Cultura e da Fazenda. O mecanismo custeia, total ou parcialmente, projetos estritamente culturais de iniciativa de pessoas físicas ou jurídicas de direito público ou privado. Os projetos financiados pelo Fundo de Cultura são, preferencialmente, aqueles que apesar da importância do seu significado, sejam de baixo apelo mercadológico, o que dificulta a obtenção de patrocínio junto à iniciativa privada. O FCBA está estruturado em 4 (quatro) linhas de apoio, modelo de referência para outros estados da federação: Ações Continuadas de Instituições Culturais sem fins lucrativos; Eventos Culturais Calendarizados; Mobilidade Cultural e Editais Setoriais. Para mais informações, acesse: www.cultura.ba.gov.br

Serviço
Memórias do Reinado de Momo
Lançamento do novo website do projeto com exibição de minidocumentário e obra visual inédita sobre o Clube Carnavalesco Embaixada Africana
Debate com os pesquisadores Paulo Miguez, Caroline Fantinel, Fábio Baldaia, Rafael Soares e Iury Batistta
Local: Museu de Arte da Bahia - MAB (Av. Sete de Setembro, 2340 - Corredor da Vitória)
Data: 14 de fevereiro
Horário: 14h
Gratuito
Mais informações: @memoriasdemomo

Fonte: Secult BA

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