MINAS GERAIS, Belo Horizonte - A Capela de Nossa Senhora das Mercês, localizada no povoado de Bento Rodrigues, no distrito de Santa Rita Durão, em Mariana, e o Parque das Águas de São Lourenço, na região sul de Minas, foram tombados como patrimônio cultural do Estado de Minas Gerais.

Capela de Nossa Senhora das Mercês (divulgação/IEPHA)

Em reunião realizada em setembro (19/09), no auditório do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG), o Conselho Estadual de Patrimônio Cultural – Conep – aprovou por unanimidade o reconhecimento do templo e do parque que passam a integrar a lista de bens culturais protegidos pelo Estado.

Capela de Nossa Senhora das Mercês
A Capela de Nossa Senhora das Mercês foi construída entre 1750 e 1815. Testemunho material do Ciclo do Ouro e da religiosidade colonial mineira, sua arquitetura segue um tipo tradicional característico de capelas das Minas setecentistas e oitocentistas, possuindo elementos artísticos integrados de relevante qualidade técnica e com implantação em notável harmonia com a morfologia da paisagem. A dedicação a Nossa Senhora das Mercês é testemunho da presença marcante da Irmandade das Mercês, composta, em sua origem, por indivíduos escravizados ou libertos e com práticas de auxílio e amparo entre seus pares.

A utilização da Capela das Mercês era comum somente em ocasiões específicas, como velórios e funerais, durante as festividades em comemoração ao mês de Maria e no dia de Nossa Senhora das Mercês, já que a capela principal do povoado era a de São Bento. Ao contrário desta, que foi destruída após o rompimento da Barragem de Fundão, em novembro de 2015, a Capela das Mercês, por estar em parte mais elevada, não foi diretamente atingida. Foi local de abrigo para os moradores nos momentos seguintes ao rompimento e, em seguida, teve seus usos religiosos potencializados e passou a ser também local de encontros comunitários. Por seus valores estético e documental, que remetem às características arquitetônicas e ao testemunho da história mineira, e ainda pelos significados sociais e de memória que nela se encerram, a Capela de Nossa Senhora das Mercês foi tombada pelo Iepha-MG, no dia 18 de setembro de 2018, incluindo o trecho da rua São Bento que liga a capela às ruinas da Igreja de São Bento.

Parque das Águas de São Lourenço
A proteção do Parque das Águas de São Lourenço, por meio do seu tombamento estadual, acompanha recomendação do Ministério Público do Estado de Minas Gerais, de 2013. A motivação para seu tombamento está relacionada com a história da região sul de Minas Gerais, principalmente da segunda metade do século 19 e início do século 20, quando se destacou o potencial das fontes de águas minerais voltadas para o lazer e turismo associados a tratamentos curativos. Neste período, a criação de estâncias hidrominerais proporcionou a inserção de cidades como Araxá, Caxambu, Lambari, Poços de Caldas e São Lourenço, em um contexto nacional e internacional de turismo balneário. A conformação e a consolidação do Parque das Águas de São Lourenço se deram naquele contexto, sendo que sua configuração física, composta pelas fontes de águas minerais, edificações de suporte à atividade balneária, lagos e mata nativa, ainda expressa sua importância cultural no cenário estadual.

Parque das Águas de São Lourenço (divulgação/IEPHA)

Os registros de descobrimento da primeira nascente de água mineral no local do atual Parque das Águas de São Lourenço ocorreram por volta do ano de 1826. A fama das propriedades medicinais das águas do sítio do Viana se espalhou e, após a morte de Francisco Viana, em 1874, as terras foram adquiridas pelo comendador Saturnino da Veiga, que constituiu a empresa para sua exploração, em 1890.

A primeira captação foi realizada em 1892, mesmo ano de conclusão da ermida do Senhor Bom Jesus do Monte, a edificação mais antiga existente no Parque das Águas. Na década de 1930, ocorreram grandes obras modernizadoras, com a construção do Balneário, das fontes Vichy, Andrade Figueira e Alcalina. Estas foram resultado da concepção do arquiteto francês Henri Sajous, profissional inserido no movimento Art Déco e que se destacou no Brasil por diversos projetos e pela atuação internacional em projetos de balneários termais.

Fonte: SEC MG

Agenda

Seg Ter Qua Qui Sex Sáb Dom
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31