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Antecipando as comemorações de centenário da Semana de Arte Moderna, a Pinakotheke homenageia uma das figuras centrais daquele evento: Victor Brecheret. Além de importantes obras de sua trajetória, a exposição reunirá raras obras que participaram da mostra histórica de 1922, não somente de Brecheret, mas também de nomes como Di Cavalcanti, Zina Aita, Anita Malfatti, Menotti del Picchia, Vicente do Rego Monteiro e John Graz.

Victor Brecheret, Torso masculino, década de 1930, bronze, 27 x 21 x 39,5 cm, foto Sérgio GueriniA Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro apresenta de 17 de maio a 14 de julho de 2018 a exposição Victor Brecheret (1894 – 1955), com obras do grande artista nascido na Itália e radicado no Brasil, um dos expoentes do modernismo, e integrante da histórica Semana de 22. Com curadoria de Max Perlingeiro, a exposição reunirá importantes obras do artista e de outros nomes que participaram daquele evento divisor de águas na arte brasileira: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Menotti del Picchia, John Graz, Vicente do Rego Monteiro, Helios Seelinger e Zina Aita. Várias dessas obras estiveram na Semana de 22, no Theatro Municipal de São Paulo.

 Serão ao todo 54 obras, entre esculturas, pinturas e desenhos, além de três publicações históricas, relacionadas à Semana de Arte Moderna – o livro de horas de Soror Dolorosa "A que morreu de amor" (1920), poema de Guilherme de Almeida que inspirou a escultura exposta por Brecheret na Semana de 1922; capa do álbum de gravuras de Di Cavalcanti “Os fantoches da meia-noite” (1922); e o livro “As máscaras” (1920), poema de Menotti del Picchia ilustrado por J. Prado (editado por Monteiro Lobato e Cia, São Paulo). A exposição terá ainda a projeção de filmes sobre Brecheret.

De Brecheret, estarão 41 raras obras: 21 esculturas em bronze, uma em mármore, três em terracota, uma em pedra, e duas da emblemática série com incisões nas pedras roladas pelo mar, além de um conjunto de 12 desenhos a nanquim. O público poderá percorrer sua produção desde 1919 ao fim de sua vida.

Tadeu Chiarelli, autor do texto do livro que acompanha a exposição, destaca: “o objetivo da mostra não é apresentar uma retrospectiva exaustiva da obra de Brecheret”. As esculturas e desenhos de Brecheret apresentados “traçam um arco da trajetória do artista, desde aquelas que chamaram a atenção de seus descobridores na Pauliceia até as de plena maturidade, alcançada entre os anos 1940 e 1950, quando o escultor já conquistara reconhecimento nacional e internacional”. “Se os desenhos expostos enfatizam apenas os últimos anos de sua carreira, já o conjunto de esculturas pontua alguns dos momentos em que sua produção sofreu transformações significativas, não apenas pela importância deles na trajetória do artista, mas igualmente pelo fato de abrirem outras perspectivas para se pensar a questão do tridimensional no Brasil em meados do século passado”, afirma.

Victor Brecheret, diversos

Percurso da Exposição

As esculturas menores estarão dispostas sobre bancadas no meio das salas, para que o público possa vê-las integralmente. Há esculturas de grande formato, de até quatro metros, da série dos granitos recolhidos do mar, como grandes seixos rolados, que receberam incisões de Brecheret, como sulcos e linhas, com temática indígena. A exposição terá três módulos distintos, detalhados por Max Perlingeiro:

• Brecheret: do Palácio das Indústrias à Semana de Arte Moderna
O período de seu primeiro ateliê, seu encontro com os artistas Helios Seelinger (1878-1965), Di Cavalcanti (1897-1976), Oswald de Andrade (1890-1954) e Menotti del Picchia (1892-1988), e sua participação na Semana de Arte Moderna de 1922. Neste núcleo estarão pela primeira vez reunidas obras de artistas que participaram da Semana de 22, como Anita Malfatti (1889-1964) – “Penhascos”, “A Onda”, “Mulher de cabelos verdes” (os três de 1915-16), “Nu masculino” e “Marinha, Monhegan”; “Homens trabalhando”, de Zina Aita (1900-1967); Di Cavalcanti, com a pintura “Sem título” (1917-1922) e o desenho “Carnaval” (1917-1924); John Graz (1891-1980), com o quadro “Paisagem de Espanha”; Vicente do Rego Monteiro, com “Cabeças de negras”, e, de Brecheret, “Soror dolorosa” (c.1919), e “Ídolo” (c. 1919), e a pintura de grande formato “Sem título” (década de 1930) de Helios Seelinger, um dos responsáveis pelo reconhecimento de Victor Brecheret.

Victor Brecheret, diversos

• A escultura: técnicas e processos
Brecheret foi, sem dúvida, o artista que mais pesquisou técnicas e processos na escultura: bronze polido, bronze patinado, gesso, terracota, mármore, pedra de França, madeira e pedra rolada. Pelo menos um exemplar de cada uma delas, está presente neste segundo módulo da exposição, além de desenhos e estudos preparatórios.

• Arte indígena e as pedras de seixos rolados
A partir do fim dos anos 1940 e nos anos 1950, o artista iniciou uma série de esculturas, algumas monumentais, sobre a temática indígena, em busca de uma escultura essencialmente brasileira. Este terceiro módulo mostra que o escultor tinha em mente aquilo que Mário de Andrade lhe aconselhara, em 1921: “Estude os tipos dos nossos índios, tipos não desprovidos de beleza, unifique-os num tipo único, original e terá a maior das qualidades”.

Victor Brecheret, Acalanto de Bartira, 1954 bronze, 88x226x20cm, foto Sérgio Guerini

Brecheret percebeu na arte primitiva indígena a forma estrutural que perseguia desde a década de 1920. Guilherme de Almeida (1890-1969), poeta e escritor, um de seus grandes incentivadores, foi um dos intelectuais que melhor definiu as “pedras de Brecheret”: “Eis que isto Brecheret se pilhou fazendo, intuitivamente, com suas pedras: grandes pedregulhos rolados que o mar lhe deu, com um mistério hieroglífico inscrito na sua matéria. Dir-se-iam formas lisas de Brancusi? Não. Brancusi quis fazer pedras roladas para significar coisas, Brecheret recebeu estas coisas nas pedras roladas que tirou do mar. Se fosse possível haver uma Arte Brasileira, seria essa que Brecheret inventou. Essa, sim, e natureza nossa: material, sentimento, ideia, expressão, gentes, bichos, coisas, ritmos e mística do Brasil” (“Diário de São Paulo”, 21 de janeiro de 1948).

Victor Brecheret, década de 1940, nanquim sobre papel

Nu feminino com mãos em arabesco, década de 1940, nanquim sobre papel, 30 x 21,5 cm
Composição religiosa, década de 1940, nanquim sobre papel, 32 x 24 cm
Três nus de índios, década de 1940, nanquim sobre papel, 31,5 x 21,5 cm

Sábados na Pinakotheke

Em torno da exposição Victor Brecheret (1894 – 1955), a Pinakotheke Cultural realizará ao longo de alguns sábados, das 11h às 13h, atividades gratuitas para crianças em seu jardim, ou, em caso de chuva, no espaço expositivo.

Victor Brecheret, 'Soror dolorosa', circa 1919, mármore (foto Sérgio Guerini)Serviço

Victor Brecheret (1894 – 1955)
Visitação pública: 17 de maio a 14 de julho de 2018
Pinakotheke Cultural Rio de Janeiro
Rua São Clemente 300, Botafogo
22260-000 - Rio de Janeiro - RJ
Telefones: (21) 2537-7566
E-mail: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo. 
Segunda a sexta-feira, das 10h às 18h, e aos sábados, das 10h às 16h.
A entrada é gratuita
Visitas escolares poderão ser agendadas pelo telefone (21) 2537-7566
Estacionamento gratuito no local

Curadoria: Max Perlingeiro
Realização: Pinakotheke Cultural
Apoio institucional: Instituto Victor Brecheret

 

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