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Angelo Oswaldo de Araújo Santos
Secretário de Estado de Cultura de Minas Gerais

Em Belo Horizonte, está prevista a inauguração de um museu dedicado à cadeira

A cadeira é arte e ofício. É convite a se assentar e conversar. Ela própria conta a história do homem e da mulher, desde o remoto tempo em que se puseram de pé e quiseram descansar. Uma pedra côncava ou um tronco de árvore teriam sugerido a primeira. As mais diversas atividades foram desenhando cadeiras peculiares. Sentar e fazer. A curul tornou-se símbolo de poder, a cátedra, da dignidade do saber, e o trono, de majestade. Os respaldos, quanto mais elaborados, passaram a definir não só autilidade e a simbologia do móvel como a sua época e os respectivos estilos.

A cadeira desceu das caravelas para multiplicar-se nas infindáveis versões ensejadas pela prodigalidade da madeira da terra do pau brasil. A partir dos modelos portugueses, e das variações neles introduzidas pelo mobiliário oriental, graças à presença lusitana na Índia, na China e na Indonésia, a cadeira brasileira passou pela mão africana e alcançou formas tão genuínas como os assentos zoomórficos dos nossos indígenas, graciosa na simplicidade e elegante no requinte.

A cadeira filipina de pé de bolacha, a joanina de espaldar curvo, a Dom José ou a Dona Maria, a de medalhão Luís Felipe, todas tiveram interpretações vernaculares que evidenciam a surpreendente inventividade da mão do povo. Minas Gerais particularizou-se no país, por ter ensejado a formação da primeira sociedade urbana, cuja influência se prolongou nas dimensões do mundo rural dilatado após o ciclo do ouro. Daí a proeminência do móvel mineiro no contexto nacional.

Da oficina de Antônio Francisco Lisboa, Aleijadinho, procedem as cadeiras de cônego e o trono episcopal vistos no Museu Arquidiocesano de Mariana. Do Senado da Câmara de Sabará, remanesce no Museu do Ouro notável cadeira de assento e espaldar de couro lavrado. Geométricas e marchetadas, as cadeiras Dona Maria I encerram a série de móveis apresentada pelo Museu da Inconfidência, em Ouro Preto. Cadeiras furadas com compartimento para vasilha sanitária aparecem no Museu do Diamante, em Diamantina. Nobres exemplares do Segundo Reinado comparecem ao Museu Mariano Procópio, em Juiz de Fora. De gosto eclético, as cadeiras da primeira Belo Horizonte se preservam no Museu Abílio Barreto ou no foyer da Sala Minas Gerais, salvas do descarte ensejado pela Cidade Administrativa.

O século XX instigou a criatividade do design. As lições de Joaquim Tenreiro, por sobre a matriz portuguesa, foram decisivas para o abrasileiramento das linhas advindas da Bauhaus e do modernismo europeu e norte-americano, reinventadas com talento e surpresa. Sérgio Rodrigues, Lina Bardi e Oscar Niemeyer assinam cadeiras hoje museológicas. Três de uma que se deve a Lúcio Costa estão na presidência do IPHAN, em Brasília.

O Museu da Cadeira está sendo criado em Belo Horizonte por João Caixeta e Fabiano Lopes. O projeto encontra-se em fase adiantada e há previsão de abertura do Museu em breve tempo.Cada cadeira é um capítulo da nossa história. A iniciativa tem relevo especial para o patrimônio artístico e histórico do Estado e do País, constituindo-se em esplêndida realização dodiálogo entre o mundo do cotidiano e o universo da cultura.


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