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Cátia Rodrigues Barbosa [1]

Na entrevista realizada no ano de 2013, com o filósofo e museólogo Bernard Deloche por Anik Meunier e Marie-Blanche Fourcade, publicada no Cahiers d’études supérieures– Muséologies, da Universidade de Québec em Montréal; ao perguntá-lo das condições de acesso permitidas pelas novas mídias, numa lógica de democratização da cultura e valorização do desenvolvimento das novas categorias de público de museu, Deloche respondeu: “Parece, em todo caso, que o desenvolvimento de sites de museus, por meio da internet não reduz, como acreditávamos no início, a frequentação física dos estabelecimentos. Podemos mesmo dizer, que contribuem para reforçá-las. O visitante pode escolher antes, as prioridades de suas visitas. Outra colocação, expor as coleções online permite abrir ao público todas as reservas ou somente uma parte delas..., porque são raros os museus que expõem suas reservas e frequentemente se sentem frustrados com a ideia de que todas as suas riquezas dormem no fundo de seus porões. Dessa maneira, graças a complementariedade de dois tipos de visitas, chegamos a mostrar “tudo a todos”, conforme o sonho democrático do Conde de Clarac, conservador do departamento das esculturas do Louvre, meados do século XIX. Isso significa que o campo dos públicos está no processo de se ampliar e se diversificar? Nada é certo nesse domínio, como mostraram os trabalhos já antigos de Pierre Bourdieu. Por exemplo, os novos públicos são, sobretudo atraídos pela arte contemporânea com à qual eles se sentem em consonância. Mas, eu não acredito que esteja aí o efeito das novas mídias...” [Tradução nossa].

Nesse sentido, retomemos a questão dos museus, no que tange à sua missão e metas; ao que se refere o seu plano museológico. As tecnologias não são fins em si mesma, mas sobretudo, os seus suportes se apresentam e participam de maneira estratégica no plano geral dos museus, nos seus meios de comunicação com seus públicos.

Todas as possibilidades de hiperconectividade, face-a-face, email, web se tornam potencialidades de enunciações, por meio das redes de conexões. Cabe refletir sobre a própria ideia de redes de conexões dos Museus e seus públicos.

Partimos do pressuposto que os públicos de museus não são passivos, existe um anterior à qualquer conexão tecnológica que é próprio do sujeito, que diz respeito ao Humano.

A mediação, por meio das redes de conexões se inscrevem numa concepção de verdade como interpretação, uma vez que ela mesma propõe aproximações das exposições museológicas, simbolizando concepções de mundo. Essas aproximações dos públicos mediadas pelas redes de conexões (redes sociais) reenviam aos conceptores de exposições a diversidade de seus leitores, de seus sentimentos e se fazem representar nas próprias conexões estabelecidas.

Ao considerarmos o pressuposto acima, somos conduzidos a interrogar não apenas o significado das redes de conexões acessadas pelos públicos de museus, usadas pelos museus, criadas pelos museus e que mudaram a organização dos seus conhecimentos, a forma como divulgam as suas exposições, seus acervos e suas atividades. Mas, também, a maneira como pensamos essas transformações e seus impactos sobre a diversidade cultural, o “culto” às coleções, a interatividade na relação sujeito (s)-exposições. 

Se não podemos pensar desvinculando a tecnologia, no que tange às redes de conexões, é preciso reconhecer que não podemos pensar apenas com ela, caso queiramos incorporá-la às nossas experiências de vida.

Cabe citar a pesquisa de Tatiana Mara Alves Martins, intitulada “Crowdsourcing em museus: contribuições para a preservação do patrimônio na web 2.0.” A autora apresenta como resultado de suas análises: o crowdsourcing contribui para o aproveitamento das potencialidades dos museus e ajuda a minimizar os riscos.

As tecnologias digitais e seus meios de utilização favorecem o trabalho em equipe dos museus. O fascínio dos públicos pelos museus, em meio à diversidade de informações, de imagens tridimensionais expostas nas redes de conexões corroboram com o papel das tecnologias aplicadas nos museus e para a difusão deles. 


[1] PPGGOC-UFMG. Membro do ICOM (CECA-CIMUSET). PhD em Museologia pelo MNHN/Paris. Mestre em Educação - UFMG. Coordenadora do Grupo de pesquisa MUSAETEC (UFMG). Profa. adjunta da Escola de Ciência da Informação - UFMG.

Referências

  • MEUNIER, Anik; FOURCADE, Marie-Blanche. Entretien avec Bernard Deloche. Cahieurs d’étude supérieures Muséologies, v. 2, p.55-62, 2013. UQÀM.
  • GASPARETTO, Débora Aita. O « curto-circuito » da arte digital no Brasil., Santa Maria- RS 2014.
  • KRZYSZTOF, Pomian. Collectionateurs, amateurs et curieux.. Paris 1987.
  • MARTINS, Tatiana Mara Alves. Crowdsourcing em museus: contribuições para a preservação do patrimônio na web 2.0. Dissertação de Mestrado. PPGGOC-UFMG 2017.
  • SERRES, Michel. Polegarzinha. Trad. Jorge Bastos. Ed. Bertrand Brasil, RJ 2013. 

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