EGITO, Cairo - Uma réplica do colosso do faraó Ramsés II, de 83 toneladas, será retirada na madrugada da próxima sexta-feira do centro da capital egípcia, como teste geral antes da transferência da peça original em 25 de agosto. Assim anunciou hoje, em entrevista coletiva, o egiptólogo Zahi Hawass, secretário do Conselho Supremo de Antiguidades (CSA).
"O teste, no qual será utilizada uma réplica fiel de concreto armado da estátua, servirá para que nos inteiremos sobre eventuais riscos ou erros no transporte do original, localizado na praça Ramsés II", em frente à estação ferroviária, disse Hawass.
O secretário indicou que a mudança do modelo será iniciada por volta das 2h locais (21h de Brasília de quinta-feira), a partir da praça de Al Tahrir, a cerca de três quilômetros da atual localização do colosso.
"Depois de três anos de exaustivos estudos realizados por uma comissão de analistas de alto nível, decidimos transferir o colosso, de 11,5 metros de altura, pelo risco que representa a poluição ambiental e audiovisual da área onde se encontra atualmente", explicou Hawass. Além disso, advertiu que o monumento está ameaçado pelos tremores gerados pelo metrô e o trânsito da praça Ramsés II, uma das mais movimentadas da capital.
Hawass lembrou, em seu discurso, que os faraós não ordenaram que fossem erigidas estátuas nas praças, mas em templos e palácios.
"Esse colosso, esculpido há cerca de três mil anos com blocos de rocha de Assuã, cerca de 950 quilômetros ao sul do Cairo, estava em frente ao templo do Deus da Magia Ptah, na antiga capital faraônica de Menfis, onde hoje se encontra a localidade de Mit Rahina, cerca de 19 quilômetros a sudoeste da capital", ressaltou.
Ao ser questionado sobre os riscos da mudança, Hawass respondeu que "a operação será realizada de maneira científica, após terem sido estudados todos os detalhes". No entanto, adiou a decisão final da retirada de Ramsés II aos resultados do teste da próxima sexta-feira.
Por sua vez, Ibrahim Mahlab, um dos membros da comissão de analistas e responsável da companhia que retirará o colosso, mostrou um protótipo do veículo no qual a réplica, e, posteriormente, a estátua original, serão transportadas.
Serão instaladas de pé dentro de uma estrutura metálica, colocada entre duas plataformas móveis que terão a capacidade de girar até 30 graus para se adaptarem às curvas do percurso.
O colosso original será levado para um armazém especial até que seja concluída a construção do "Grande Museu Egípcio", na estrada desértica entre o Cairo e Alexandria, e em cujo pátio ficará instalado o colosso, longe dos engarrafamentos da capital. Calcula-se que a mudança da estátua irá durar 13 horas, já que a velocidade do veículo será de entre 15km/h e 20km/h.
Também está previsto que o colosso deixe a praça que atualmente leva seu nome em uma sexta-feira, feriado para os muçulmanos, no qual as ruas permanecem praticamente vazias. A estátua, descoberta em 1888 nos palmeirais de Mit Rahina, foi posta em frente à estação ferroviária em 1954.
Ramsés II, que nasceu em 1304 a.C. e morreu em 1237 a.C., foi um dos mais importantes faraós do antigo Egito, e também é lembrado pelo templo de Abu Simbel, que ordenou levantar para preservar sua memória, há 3.300 anos, na margem ocidental do Nilo, 1.200 quilômetros ao sul do Cairo.
Fonte: EFE / JB
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