|
FRANÇA, Paris - Caso das obras supostamente furtadas do Instituto do Mundo Árabe, na França, revela fragilidades no interior da instituição.
O enredo parece o de um filme policial. Mas se passou nas últimas semanas, em Paris. O presidente do Instituto do Mundo Árabe, centro cultural que fica às margens do rio Sena, chama a polícia e a imprensa internacional para anunciar o o desaparecimento de 80 obras do acervo da instituição. No cargo há três meses, o presidente apresenta uma lista e revela que o número de obras desaparecidas representa 10% do acervo do instituto.
A investigação policial começa. É então que se fica sabendo que o diretor do museu, demitido assim que foi feita a queixa de furto, só tomara conhecimento do furto pela imprensa. Não teve acesso prévio à lista dos bens desaparecidos. Destituído do cargo, não pode mais entrar no prédio, mas convocado pelos investigadores, tenta indicar, de memória, o paradeiro de algumas das obras listadas.
E eis a surpresa: três quartos das obras supostamente desaparecidas são reencontradas, em poucos dias, dentro da própria instituição. Estavam todas lá, em depósitos e na reserva técnica – e, o cúmulo: três delas na própria sala da presidência, inclusive uma escultura de 1,70 metro de altura.
Alívio para o patrimônio, mas o caso afetou a instituição, sobre a qual paira agora um ar de desconfiança. A instituição, que comemora seu vigésimo aniversário e recebe uma média de 1 milhão de visitantes por ano (com exposições com um público de 700 mil pessoas, como a mostra sobre os faraós), criada para estimular o diálogo entre as culturas, ser um grande centro cultural do mundo árabe, agora mostra ao público suas desavenças internas e, pior, sua desorganização.
Ao reconvocar a imprensa para comunicar o “reaparecimento” das obras, o presidente do IMA se defendeu, dizendo que, por não saber onde estavam as peças, achou melhor comunicar à justiça e à imprensa o fato, para que não fosse acusado de complacência. Balanço final: para a instituição, que já vinha sofrendo problemas financeiros e de falta de público, o fato não deve ter um efeito positivo. Principalmente quando se pensa em possíveis empréstimos externos de museus árabes, necessários para a montagem das exposições que garantem metade dos custos do IMA.
Fonte: ABER
|