| |
"Vê-se no meio da areia a pequena igreja de Copacabana, isolada num pequeno platô, mais à direita um segundo plano, formado por um grupo de montanhas, entrando pelo mar e esconde a sinuosidade do banco de areia, cuja extremidade reaparece com sua parte cultivada, tão reputada pelos seus deliciosos abacaxis." Jean Baptiste Debret “Viagem Pitoresca ao Brasil” (1834)
A ORIGEM DE “COPACABANA”
Em meados do século XVIII, o nome que designava o espaço da atual Copacabana até a Lagoa Rodrigo de Freitas, conhecido na época por “Sacopenapã”, foi substituído por “Copacabana”, que significa na língua quíchua - utilizada por nativos do Peru e da Bolívia - “mirante azul”, mas o nome é também originário do termo aymara arcaico “Copakawana”, significando aquele que atira a pedra preciosa.
Foi justamente no Posto 6, em Copacabana, que foi erguida um capela em homenagem à N.Sª de Copacabana, para colocação de uma réplica da imagem existente na península de Copacabana, esta localizada entre o Peru e a Bolívia, na orla sul do lago Titicaca. A imagem de N.Sª de Copacabana original era considerada milagrosa, correspondendo à Virgem Maria.
A IGREJINHA
Já no século XVII, neste mesmo local entre Ipanema e Copacabana, já era possível avistar uma pequena capela construída em homenagem à Nossa Senhora de Copacabana, reconstruída pelo Engenheiro-Mor José Fernando Alpoim, em cumprimento de ex-voto do Bispo D. Antônio do Desterro.
A Igrejinha foi demolida em 1908, dando lugar ao referido Forte de Copacabana, tendo em vista a privilegiada e propícia visão para defesa da entrada da Baía de Guanabara.
|
 Vista da Igrejinha de Copacabana João Baptista da Costa, óleo s/ tela | |
 Vista geral do Forte Copacabana
| |
O FORTE DE COPACABANA
O Forte de Copacabana, com projeto de Tasso Fragoso e sob a chefia do Major Eugênio Franco, teve sua construção iniciada em 1908 e ocupa uma área total de 114.169m², sendo considerado como a mais moderna Praça de Guerra da América do Sul. A execução da obra se estendeu por 6 anos e 9 meses, utilizando mais de 2 mil operários civis. O Forte de Copacabana foi inaugurado em setembro de 1914 pelo então Presidente da República, Marechal Hermes da Fonseca.
As muralhas externas do Forte, voltadas para o mar, têm 12 m de espessura. A fortificação é equipada por 4 cúpulas blindadas e 6 canhões, tendo um deles capacidade para atirar a uma distância de 23 km. A fortificação foi tombada em 1990, não podendo, desde então, ter suas características externas alteradas.
|
 Portão Monumental - Corpo da Guarda | |
 Entrada da Exposição Permanente | |
O MUSEU HISTÓRICO DO EXÉRCITO
O Museu Histórico do Exército está localizado na antiga fortificação do início do século XX, no Rio de Janeiro.
O Forte de Copacabana foi desativado em 1987 para transformar-se em espaço cultural, deixando de funcionar como unidade operacional. A partir de 1996, após a inauguração da Exposição Permanente do Museu, a História do Exército Brasileiro, suas campanhas militares e feitos históricos encontram-se ilustrados nos 2 módulos da Exposição Permanente:
Primeiro Módulo (inaugurado em 1996)
O Salão Colônia – Império, que corresponde às Forças Militares na Colônia e no Império no Brasil (1500-1889), sendo composto por 10 vitrines, subdivididas de forma didática com os seguintes temas:
- Sistema de Defesa e de Integração Territorial – Fortificações (onde podem ser vistos objetos como arcabuz, forquilha, bandeira da Ordem de Cristo, a bandeira real e de D.João III. Há referência à União das Coroas Ibéricas e às invasões estrangeiras)
- Expansão Territorial – Expedições Bandeirantes
- Primeiras Manifestações Nativistas – Batalha dos Guararapes
- Corte Portuguesa no Rio de Janeiro – Conde de Linhares, 1º Ministro da Guerra
- Dom Pedro I declara a Independência – As forças militares consolidam o Império do Brasil
- Comando Militar em Operações – A Tríplice Aliança
- Memórias da Guerra do Paraguai
- Duque de Caxias – Comandante Militar e Estadista – Patrono do Exército
- Fazenda Santa Mônica – O Estadista Militar se afasta do Cenário Político
- A Queda da Monarquia e a Proclamação da República
 Batalha dos Guararapes | |
 Corte Portuguesa no Rio de Janeiro | |
 Maria Quitéria - 1ª Mulher-Soldado | |
 A Queda da Monarquia e a Proclamação da República | |
Ao percorrer este 1º Salão, o visitante pode observar o detalhismo dos personagens, a indumentária, as medalhas e condecorações, o mobiliário, a liteira, entre outros objetos, além de ter acesso a mais informações através dos quiosques multimídia distribuídos no espaço, que auxiliam não só com relatos de fatos históricos, mas com detalhes sobre os próprios objetos e personalidades.
Segundo Módulo (inaugurado em 1998)
O Salão República é composto por 9 vitrines, distribuídas através dos seguintes temas:
- Proclamação da República
- Floriano Peixoto e seu Gabinete (foi feita uma cópia do gabinete de acordo com pesquisa realizada no Museu do Itamaraty, onde ficava originalmente)
- Revolta da Armada
- Campanha de Canudos (alegoria que lembra o sertão, com terra seca, a cruz e o pôr-do-sol típico local)
- A Modernização do Exército (1906-1940)
- Marechal Cândido Mariano Rondon (foi realizada pesquisa com relação à ambientação, utilização de acervo original da Comissão Rondon, as linhas telegráficas, inclusive estudos sobre a vegetação brasileira)
- O Movimento Tenentista – “Os 18 do Forte”
- O Brasil na II Guerra Mundial (Há uma homenagem às enfermeiras da Força Expedicionária Brasileira – na época 67 voluntárias; como exemplo, destaca-se um manequim da Major Elza, com o rosto feito a partir de fotografias)
- Gabinete de Curiosidades – que ressalta a origem dos museus, através das coleções. A idéia é a disponibilização do acervo que não se encontra na exposição permanente, com reciclagem das peças.
 Floriano Peixoto em seu gabinete | |
 Marechal Cândido Rondon | |
 Movimento Tenentista - "Os 18 do Forte" | |
 O Brasil na II Guerra Mundial | |
O PROJETO MUSEOGRÁFICO
Após a realização de uma pesquisa histórica sobre a fortificação e pesquisa museológica sobre as peças, ambas feitas pela equipe técnica da Coordenadoria do Museu, em 1993, foi montada uma exposição na fortificação, com base sobretudo na documentação iconográfica, reconstituindo as salas conforme as mesmas funcionavam em 1940.
A partir do sucesso dessa primeira exposição, em 1994, deu-se início ao projeto conceitual de exposição para a implantação do Museu Histórico do Exército, sendo, desde o início, estabelecida a subdivisão que hoje se apresenta: dois salões referentes à Colônia/Império e à República.
Sob coordenação da museóloga Solange Coelho Calvano, foi contratada a arquiteta Cláudia Aguiar Soares e duas cenógrafas, que executaram juntamente com toda a equipe (setorizada de acordo com os temas), o projeto museográfico com base na cenografia e em estudos técnicos e de materiais que acabaram por gerar:
- divisão do espaço em 10 módulos;
- uso de materiais nobres (como, por exemplo: granito no piso; madeira freijó encerada e cristal temperado para as vitrines, este último escolhido para proporcionar maior segurança);
- Rebaixamento do teto em colméia de madeira pintada, permitindo a colocação do sistema de climatização (ar condicionado central), do som ambiente e iluminação (computadorizada);
- Instalação de venezianas que facilitam a aeração;
- Linguagem visual enriquecida a fim de atender a 4 aspectos: Didática; Adequação do espaço expositivo; Escassez de acervo e Valorização do elemento humano.
- Manequins desenvolvidos pelos artistas Renato Castelo e Hebe Cabral
- Telas encomendadas para o artista plástico Álvaro Martins
- Alguns manequins foram feitas com rostos de soldados ou de pessoas que pareciam com personalidades.
O ACERVO
O processamento técnico do acervo teve início no mesmo ano de 1993, no intuito de cadastrar as inúmeras coleções e acondicionar adequadamente os objetos, visando sua preservação e estudo. Atualmente, o Museu conta com um acervo de 10.000 peças registradas, com suas respectivas fichas de catalogação, que permitem o total controle do acervo.
A informatização do acervo foi desenvolvida através de um programa do Museu Militar Conde de Linhares, a partir de 1998, e adotado pelo Museu Histórico do Exército.
No caso das peças a serem selecionadas para a instalação do primeiro módulo Colônia-Império, fizeram-se necessárias: a aquisição de acervos em antiquários; a confecção de réplicas; a contratação de artistas plásticos que pintassem temas militares e de profissionais que confeccionassem maquetes, armamentos, uniformes, mobiliário, etc. Para o 2º módulo, o Museu já possuía mais objetos referentes à República.
 Quepe de Solano Lopes | |
 Sabre oficial de Duque de Caxias | |
Entre os objetos, o visitante poderá apreciar:
- Tela de Maria Quitéria (1ª Mulher soldado, nascida em 1762 e heroína da resistência baiana, participou também da Guerra da Independência);
- Liteira do séc. XIX, usada por Duque de Caxias, proveniente da Fazenda Santa Mônica, doada em 1970 ao Museu. A peça foi restaurada por 1 ano e meio, pelo restaurador Prof. Ivan Coelho de Sá;
- Quepe do Presidente Solano Lopes (Memórias da Guerra do Paraguai – 1865 a 1870);
- Mesa da Princesa Isabel e Cadeira do Conde D´Eu (esta de 1860, que foi utilizada por ele e, depois, por Duque de Caxias);
- Armamento (originais e réplicas);
- Máquina fotográfica de fole utilizada por Rondon em suas expedições;
- Sabre de honra do General Osório (1871) – com trabalhos em ourivesaria (Manoel Joaquim Valentim); desenho (Nicolau Fachinetti); pintura (Pedro Américo e Victor Meirelles); figuras e ramagens (Chaves Pinheiro). A peça é tombada pelo Patrimônio.
Outros Espaços
|
 Gabinete de Curiosidades | |

Cúpula dos Canhões | |
- GABINETE DE CURIOSIDADES
- SALÃO DE EXPOSIÇÕES TEMPORÁRIAS (inaugurado em 2000)
- ESPAÇOS ALTERNATIVOS (Projeto Peça do Mês)
- CASA DE CHÁ
- LOJA DO MUSEU
- FORTIFICAÇÃO
- CÚPULA DOS CANHÕES
- CAMPO DE MARTE
- ALAMEDA OCTÁVIO ALMEIDA
- PRAÇA CORONEL EUGÊNIO FRANCO
 Pátio da Fortificação | |
Museu Histórico do Exército End: Av. Atlântica – Posto 6 – Copacabana – CEP 22070-020 Assessoria de Comunicação Social – (21)2522-4460 Agendamento de visitas de colégios – (21) 2287-3781 E-mail: mhexfc@openlink.com.br
Obs.: As visitas podem ser guiadas por soldados treinados e orientados para repassar as informações históricas ao público. |
O Revista Museu agradece a todos os integrantes do Museu Histórico do Exército, em especial à jornalista Marisa Rocha e às museólogas Marilda Reis e Marly Martins Rosa.
---------------------------
Copyright 2003. Revista Museu. Todos os direitos reservados.
Leia também:
>> As muitas Copacabanas e o rosário
>> Clique aqui para fazer um comentário.
Edições Anteriores
28/4/2010 - `Max Ernst – Uma semana de bondade`, MASP, SP
17/4/2010 - Mostra Internacional `Einstein`, MHN, RJ
13/7/2009 - IPAC implanta inédito Sistema de Patrimônio na Bahia
17/5/2009 - Expo Caminhos da Fé / Les Chemins de la Foi
26/3/2009 - Obras da Vanguarda Russa pela Primeira Vez no Brasil
25/9/2008 - Inhotim, onde arte e natureza integram a comunidade
1/5/2008 - Museu de Folclore Rossini Tavares - Catalogação dos Acervos -
19/10/2007 - `Mestres do Anime` no CCBB/DF
17/8/2007 - Ciríaco, um predestinado artesão da alma - nossa homenagem póstuma
18/7/2007 - Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana homenageia Chico Rei em 2007
17/5/2007 - Capitais Culturais no Mundo em 2007
1/5/2007 - Museu Abelardo Rodrigues comemora 25 anos
17/1/2007 - Bienal Naïfs do Brasil [entre culturas] 2006
14/12/2006 - Mostra `Calder no Brasil`, Paço Imperial, RJ
26/11/2006 - Museu Asas de um Sonho é inaugurado no centenário do 14 Bis
9/11/2006 - Uma Abordagem Arqueológica do Antigo Engenho Paul, PB
20/9/2006 - A Igreja e o Tesouro de Nossa Senhora das Salas, Sines, Portugal
6/8/2006 - Pantheon dos Andradas é reinaugurado em Santos, SP
10/4/2006 - Museu da Casa Brasileira mostra o lado Designer de Santos Dumont
12/3/2006 - O repouso do olhar nos distritos do Alto Jequitinhonha
13/12/2005 - Estação Central de Belo Horizonte recebe o Museu de Artes e Ofícios
9/8/2005 - Festa do Rosário - Serro – Minas Gerais
15/5/2005 - A Restauração da `Casa do Forro Pintado`, Diamantina, MG
11/3/2005 - Patrimônio da cidade histórica do Serro é entregue restaurado em 2005
7/1/2005 - Fazendas do café do Vale do Paraíba 01 - início da viagem e Barra do Piraí
7/1/2005 - Fazendas do café do Vale do Paraíba 02 - Conservatória
7/1/2005 - Fazendas do café do Vale do Paraíba 03 - Rio das Flores
23/11/2004 - Os Museus Vikings da Europa
11/8/2004 - Na Estrada - Grécia, o país das Olimpíadas 2004
11/8/2004 - Na Estrada - Grécia / Arredores de Atenas e as Ilhas
11/8/2004 - Na Estrada - Grécia / Dicas para os Viajantes
4/7/2004 - Novo roteiro turístico de Santos revela preciosidades do Brasil
6/6/2004 - O Espírito dos Lugares no Museu da Guarda
17/5/2004 - A Capela de São João Batista e a Pintura de Quadratura Landiana na Capital do Pará
4/5/2004 - O Rio através do olhar poético do italiano Facchinetti
28/4/2004 - Revista Museu visita a Reserva Técnica do MHEx, RJ
28/4/2004 - Palestra `Criatividade e Funcionalidade`, RJ, 23 de março de 2004
1/4/2004 - Estação da Luz - Um Novo Brilho na Vida Paulistana
20/1/2004 - Museu Histórico Nacional - Expo `A Comunicação Escrita`
3/10/2003 - `1ª Mostra dos Escultores Setecentistas`, Museu de Arte Sacra, MG
14/9/2003 - Lisboa - Cestos Africanos no Museu Nacional de Etnologia
19/8/2003 - Parque Nacional do Caraça, MG
4/8/2003 - A Ilha Fiscal, Antiga Ilha dos Ratos, RJ
14/7/2003 - Museu Histórico do Exército, RJ
15/6/2003 - Museus Histórico e do Café, Ribeirão Preto, SP
25/5/2003 - Nos Bastidores do Museu Imperial, Petrópolis, RJ
10/5/2003 - Museu de Ciência e Técnica, Ouro Preto, MG
26/4/2003 - O Renascimento dos Museus no Norte do País
3/4/2003 - Angola - Dois momentos registram o Sonho da Libertação
30/1/2003 - Museus de Arequipa, Peru
|
|