DECLARAÇÃO DE QUEBEC
PRINCÍPIOS
DE BASE DE UMA NOVA MUSEOLOGIA
1984
Introdução
Um
movimento de nova museologia tem a sua primeira expressão
pública e internacional em 1972 na “Mesa- Redonda de
Santiago do Chile” organizada pelo ICOM. Este movimento
afirma a função social do museu e o caráter global das
suas intervenções.
Proposta
1. Consideração de ordem universal
A
museologia deve procurar, num mundo contemporâneo que
tenta integrar todos os meios de desenvolvimento, estender
suas atribuições e funções tradicionais de identificação,
de conservação e de educação, a práticas mais vastas
que estes objetivos, para melhor inserir sua ação naquelas
ligadas ao meio humano e físico.
Para
atingir este objetivo e integrar as populações na sua
ação, a museologia utiliza-se cada vez mais da interdisciplinariedade,
de métodos contemporâneos de comunicação comuns ao conjunto
da ação cultural e igualmente dos meios de gestão moderna
que integram os seus usuários.
Ao
mesmo tempo que preserva os frutos materiais das civilizações
passadas, e que protege aqueles que testemunham as aspirações
e a tecnologia atual, a nova museologia – ecomuseologia,
museologia comunitária e todas as outras formas de museologia
ativa – interessa-se em primeiro lugar pelo desenvolvimento
das populações, refletindo os princípios motores da
sua evolução ao mesmo tempo que as associa aos projetos
de futuro.
Este
novo movimento põe-se decididamente ao serviço da imaginação
criativa, do realismo construtivo e dos princípios humanitários
definidos pela comunidade internacional. Torna-se, de
certa forma, um dos
meios possíveis de aproximação entre os povos, do seu
conhecimento próprio e mútuo, do seu desenvolvimento
cíclico e do seu desejo de criação fraterna de um mundo
respeitador da sua riqueza intrínseca.
Neste
sentido, este movimento, que deseja manifestar-se de
uma forma global, tem preocupações de ordem científica,
cultural, social e econômica.
Este
movimento utiliza, entre outros, todos os recursos da
museologia (coleta, conservação, investigação científica,
restituição, difusão, criação), que transforma em instrumentos
adaptados a cada meio e projetos específicos.
2. Tomada de posição
Verificando
que mais de quinze anos de experiências de nova museologia
– ecomuseologia, museologia comunitária e todas as outras
formas de museologia ativa – pelo mundo foram um fator
de desenvolvimento crítico das comunidades que adotaram
este modo de gestão do seu futuro.
Verificando
a necessidade sentida unanimemente pelos participantes
nas diferentes mesas de reflexão e pelos intervenientes
consultados, de acentuar os meios de reconhecimento
deste movimento;
Verificando
a vontade de criar as bases organizativas de uma reflexão
comum e das experiências vividas em vários continentes;
Verificando
o interesse em se dotar de um quadro de referência destinado
a favorecer o funcionamento destas novas museologias
e de articular em consequência os princípios e meios
de ação;
Considerando
que a teoria dos Ecomuseus e dos museus comunitários
(museus de vizinhança, museus locais...) nasceu das
experiências desenvolvidas em diversos meios durante
mais de 15 anos.
É
adotado o que se segue:
A
- que a comunidade museal internacional seja convidada
a reconhecer este movimento, a adotar e a aceitar todas
as formas de museologia ativa na tipologia dos museus;
B
- que tudo seja feito para que os poderes públicos reconheçam
e ajudem a desenvolver as iniciativas locais que colocam
em aplicação estes princípios;
C
- que neste espírito, e no intuito de permitir o desenvolvimento
e eficácia destas museologias, sejam criadas em estreita
colaboração as seguintes estruturas permanentes:
- Um
comitê internacional “Ecomuseus/ Museus comunitários”
no quadro do ICOM (Conselho Internacional de Museus);
- Uma
federação internacional da nova museologia que poderá
ser associada ao ICOM e ao ICOMOS (Conselho Internacional
dos Monumentos e Sítios), cuja sede provisória será
no Canadá;
D
- que seja formado um grupo de trabalho provisório cujas
primeiras ações seriam: a organização das estruturas
propostas, a formulação de objetivos, a aplicação de
um plano trienal de encontros e de colaboração internacional.
Quebec,
12 de Outubro de 1984.
Adotado
pelo I Atelier Internacional
Ecomuseus/
Nova Museologia
Fonte: PRIMO, Judite. Museologia
e Patrimônio: Documentos Fundamentais – Organização
e Apresentação. Cadernos de Sociomuseologia/ nº
15, Págs.189-191; ULHT, 1999; Lisboa, Portugal.
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