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Expo `Onde está você, Geração 80 ?`, CCBB - RJ
´Onde está você, Geração 80 ?´
A gente não quer só comida. A gente quer comida, diversão e arte. (Titãs - hit dos anos 80)
Dentro da programação especial comemorativa dos seus quinze anos de atuação, o Centro Cultural Banco do Brasil Rio de Janeiro inaugurou no dia 12 de julho a exposição “Onde está você, Geração 80?", para marcar os 20 anos do emblemático evento "Como vai você, Geração 80?", realizado na Escola de Artes Visuais do Parque Lage do Rio de Janeiro. A mostra lançou artistas que hoje são marcantes na cena artística brasileira e internacional como Daniel Senise, Beatriz Milhazes, Jorge Guinle Filho, Leonilson, Leda Catunda e Victor Arruda.
O curador Marcus Lontra – idealizador da mostra original – retoma a pergunta feita há 20 anos com outra indagação, reunindo 130 trabalhos de 48 artistas que participaram daquela exposição histórica, ou que têm sua poética associada às questões levantadas naquela época. Além de trabalhos marcantes dos anos 80, será mostrada também a produção atual dos artistas. Com isso, a exposição pretende provocar uma reflexão sobre o impacto dos parâmetros lançados em 1984 na arte brasileira, e sua continuidade no panorama atual.

Daniel Senise - Janela, 2003 acrílica em colagem s/ madeira, 150 x 200 cm |
Nomes importantes que não estiveram na exposição original, como o escultor Ângelo Venosa, o pintor Alex Flemming e os integrantes do grupo paulistano Casa 7 –Nuno Ramos, Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade – também foram incluídos nesta mostra, por integrarem a mesma geração e compartilharem do mesmo processo criativo.
"Onde está você, Geração 80?" ocupa todo o primeiro andar do Centro Cultural Banco do Brasil, e mostra o vigor que estes artistas trouxeram para a arte brasileira. A exposição deixa claro que a chamada "volta à pintura" – que aconteceu também em países como a Itália, com a transvanguarda, e na Alemanha, com o neoexpressionismo – assumiu no Brasil nuances próprias e plurais, que se confundem com a abertura política e o apagar das luzes dos anos de chumbo da ditadura militar.
Muito mais do que uma simples volta à pintura, os artistas daquele período lançaram uma nova leitura para a associação entre arte e vida, amadurecida nos anos 60 e 70. Com a abertura democrática, sem a necessidade de falar nas entrelinhas para burlar a censura, estes artistas deixam de citar os grandes temas políticos. Eles assumem o papel de cronistas do cotidiano, tratando de temas como a sexualidade e a vida urbana. Elementos da cultura de massa, como heróis das histórias em quadrinhos, personagens da TV e rótulos de refrigerante, invadem a tela com a mesma força das citações à história da arte. A pintura se transforma na mídia mais adequada para uma arte que procura ser menos cerebral e recuperar o prazer pelo fazer. As enormes quantidades de tinta formam camadas de matéria sobre a superfície do quadro. O corpo passa a ser o elemento mais valorizado, tanto na construção da figura, como na própria ação do gesto. Para conter esse gesto amplo, corporal, são necessárias telas de formatos monumentais, outra característica da arte do período.

Beatriz Milhazes - Sem título, 1985 óleo sobre tela, 180 x 170 cm |
Marcus Lontra ressalta o contexto histórico-político existente em 1984:
Frederico de Morais, um crítico que estimulou muito os artistas dos anos 80, tinha um texto sobre os anos 70 intitulado `A geração que levou porrada`. Tempos depois, fiz um artigo sobre os anos 80 em que dizia que aquela era a geração que não tinha levado porrada.
Para ele, o momento das "Diretas Já" foi um pano de fundo importante para a produção do período.
Havia uma sensação interna de vitória, e as pessoas participavam da democratização brasileira de uma maneira romantizada. Queríamos festejar, aproveitar a vida.
A liberação do corpo e a maior liberdade afetiva se refletiram na estética da época. “A obra passa a ser um espetáculo plástico. Os quadros são impactantes, um frenesi”, complementa.
COTIDIANO VALORIZADO
Outra questão marcante da geração 80 foi a mistura entre elementos da cultura popular e erudita, que passam a ser citados à exaustão nos trabalhos destes artistas.
"Objetos do cotidiano são valorizados e ganham força equivalente a signos da história da arte. Uma renda do nordeste poderia ser tão importante quanto a imagem de uma pintura clássica. Não há mais necessidade de se relacionar com a arte de forma reverencial", observa Lontra. “A dramatização e o resgate da emoção são outras questões devidas ao período", acrescenta ele.
 Sergio Romagnolo - Fusca de ponta cabeça, 2003 Plástico modelado, 180 x 160 x 400 cm |
O curador ressalta ainda que "esses artistas trouxeram para a arte a praxis como fundamento da expressão artística. Daí a volta à pintura. Não se queria apenas pensar o mundo, mas fazê-lo". Lontra prefere não usar o termo "movimento" para definir aquele momento artístico. "A Geração 80 não era um movimento no sentido teórico, mas de conquista de espaço institucional. Era, antes de tudo, uma engrenagem", afirma. "A idéia de que as pessoas tenham acesso às artes e de que a ação artística não seja excludente é válida até hoje. A geração 80 trouxe isso".
Leia mais:
>> Módulos da Expo ´Onde está você, Geração 80?´
>> Artistas Participantes da Expo ´Onde está você, Geração 80?´
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Exposição "Onde está você, Geração 80?" Visitação: de 13 de julho a 26 de setembro de 2004 Centro Cultural Banco do Brasil Rua Primeiro de Março, 66, Centro - Rio de Janeiro Telefone: (21) 3808-2020 De terça a domingo, das 10h às 21h Entrada franca
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