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 Fachada do Museu Julio de Castilhos | |
O Museu Julio de Castilhos, o museu mais antigo no Rio Grande do Sul, comemorou 106 anos de existência no dia 30 de janeiro. Fundado em 1903, como Museu do Estado, por decreto assinado pelo então Presidente do Estado Borges de Medeiros, a instituição foi criada com o objetivo de abrigar objetos que vinham sendo coletados desde 1901, e estavam sediados nos pavilhões construídos para a 1ª Exposição Agropecuária e Industrial do Estado – no atual Parque da Redenção. |
Em 1905, a casa da Rua Duque de Caxias, nº 1231, da família de Julio de Castilhos, que falecera dois anos antes, foi adquirida pelo poder público. Em 1907, o Museu do Estado passou a denominar-se Museu Julio de Castilhos.
Missão
Ao longo de um século de existência, o Museu Julio de Castilhos vem promovendo a expressão das identidades culturais do povo rio-grandense, democratizando o acesso ao conhecimento e possibilitando a reflexão crítica em relação às questões relacionadas à história do Rio Grande do Sul e do Brasil.
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 Escolares2 - Pátio do Museu com canhõesda época da Revolução Farroupilha (1835-1845)
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 Cambuchis, cultura guarani . | |
O acervo
Composto por cerca de dez mil peças, o acervo do Museu Julio de Castilhos é tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Ele possui as seguintes catalogações: armaria, arquitetura, arreios, arte náutica, bandeiras, bibliografia, condecorações, documentos, escravatura, etnologia, filatelia, heráldica, iconografia, indumentária, instrumentos musicais, instrumentos de trabalho, máquinas, medalhas, missões, mobiliário, numismática, objetos decorativos, objetos de uso pessoal, regionalismo, sigilografia, tesserologia, utensílios domésticos e viaturas.
Exposições Permanentes
Visitar o Museu Julio de Castilhos representa imergir na história do Rio Grande do Sul e do Brasil. A instituição possui as seguintes exposições permanentes:
Gabinete de Julio de Castilhos – Mostra a trajetória do político Julio de Castilhos, por meio de objetos pessoais, mobiliário, imagens e textos históricos com dados biográficos. As imagens remetem o visitante a Porto Alegre do final do século XIX, mais precisamente o entorno da Praça da Matriz, com os prédios do Executivo e do Legislativo.
Sala Missioneira – Reúne exemplares da estatuária Missioneira, com idade superior a trezentos anos, que foram usadas pelos padres jesuítas na evangelização dos índios Guarani. As esculturas em madeira, representando santos católicos, se constituem nas primeiras doações recebidas pelo Museu Julio de Castilhos, logo após a sua criação, em 1903. Destacam-se as esculturas de São Francisco Xavier e de Nossa Senhora da Conceição, além de bancos em formato de animais e sinos que pertenceram a capelas jesuíticas.
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 Quarto de Julio de Castilhos | |
 Gabinete - Escritório de Julio de Castilhos. | |
Sala Indígena – Enfoca a diversidade cultural existente entre os grupos indígenas que habitaram o Rio Grande do Sul. Estão representados desde os povos caçadores-coletores, nômades, até os dos sambaquis, que viveram na região litorânea. Também estão expostos instrumentos de trabalho, adornos, artesanato e cerâmicas dos grupos ligados à agricultura, estabelecidos, posteriormente, no Estado - entre eles os Guaranis e os Kaingang.
Escravatura – Exibe instrumentos de tortura, utilizados contra os negros escravos no Rio Grande do Sul.
Revolução Farroupilha - Expõe pinturas, em óleo sobre tela, retratando os líderes Bento Gonçalves e David Canabarro. Além das obras, armas usadas na revolução e objetos de uso pessoal da época.
Canhões Farroupilhas – No pátio do Museu, integrado em 2003 aos espaços de exposição da instituição, os visitantes podem conhecer canhões que pertenceram à esquadra de Garibaldi. Por longo tempo eles permaneceram no fundo do arroio Santa Izabel, na cidade gaúcha de Camaquã, onde foi travado um embate pelos Farrapos. Em 1926, os canhões foram resgatados e levados para a instituição.
Espaço aberto às artes plásticas e à música
No sentido de ampliar suas funções de instituição museológica, O Museu Julio de Castilhos tem desenvolvido novas atividades, visando oferecer outras opções de cultura e de lazer à comunidade, bem como valorizar o trabalho produzido por artistas locais.
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 Escravatura - Gargalheira - Instrumento de suplício da época da Escravatura, formado por dois semicírculos, era colocado em torno do pescoço do escravo que se queria punir. | |
 Escravatura2 - outros objetos de tortura, usados contra negros escravos no Rio Grande do Sul. Fazem parte da sala permanente de exposições sobre a Escravatura. | |
Com caráter didático e informativo, o projeto Releitura no Museu expõe obras de artistas plásticos gaúchos, inspiradas em objetos que compõem o acervo do Museu. Já o projeto Sarau no Museu, realizado em parceria com o Instituto de Música da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, promove apresentações de música erudita, executadas por alunos dos cursos de graduação e de Extensão da Universidade, sempre na última quarta-feira do mês.
Outros eventos
Além desses, outros eventos compõem a programação do Museu Julio de Castilhos: recitais de música, leituras de textos, apresentações teatrais, lançamento de livros, cursos de desenho e de restauração em madeira, palestras e seminários.
Educação patrimonial
A leitura de relatórios da instituição revela que a partir da metade do século XX, o serviço de monitoria às escolas se constituiu numa das principais atividades desenvolvidas pelo Museu Julio de Castilhos que, atualmente, recebe em torno de 1.300 crianças ao mês.
Com o objetivo de preparar os educadores para um melhor aproveitamento em sala de aula, das visitas dos alunos à instituição, foi criado o Programa de Educação Patrimonial, dirigido aos professores da rede pública. Nele, historiadores convidados abordam temas da História, relacionando-os ao acervo do Museu. As palestras são oferecidas gratuitamente e contam com o apoio das secretarias estadual e municipal de Educação.
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 Sala Missioneira | |
 Tinteiro em prata que pertenceu a Julio de Castilhos. | |
O casarão da Rua Duque de Caxias
O casarão do Museu Julio de Castilhos, na Rua Duque de Caxias, nº 1231, foi construído em 1887 para servir de moradia ao Coronel Augusto Santos Roxo, herói na expedição de reconquista do território brasileiro ocupado pelas forças paraguaias. No entanto, adquirido pela Comissão Executiva do Partido Republicano Rio-grandense (PRR), o prédio acabou sendo doado a Julio de Castilhos que ali viveu com sua esposa, Honorina, e seus seis filhos.
Em 1909, foi realizada a primeira reforma na casa para adaptá-la às atividades de exposição. Depois, vieram outras duas: em 1925, com a construção de duas salas no pavilhão superior, e durante o período de 1968 a 1973, quando o prédio recebeu reformas no telhado, no forro, no assoalho, na rede hidráulica e na elétrica. O Museu voltou a ser aberto ao público durante as festividades dos seus 70 anos.
Em 1980, o prédio ao lado da sede do Museu, de número 1.205, construído entre os anos de 1917 e 1918, foi adquirido pelo governo do Estado para possibilitar a ampliação da instituição. As obras de restauração do anexo foram concluídas em 1996, inaugurando novos espaços de exposição. Neste mesmo ano, o casarão do Julio de Castilhos foi desativado, em vista da necessidade de reformas no telhado e da colocação de um novo forro, ações que foram realizadas, parcialmente, em 1997.
Fama de mal assombrado
As duas mortes trágicas ocorridas nas dependências do Museu Julio de Castilhos – a de Julio de Castilhos, em 1903, vítima de uma cirurgia, realizada em seu próprio quarto, para a retirada de um tumor; e a de sua esposa, Honorina, em 1905, que, inconformada com a morte do marido, se suicidou num dos aposentos da casa – têm suscitado a fama de a instituição ser mal assombrada.
Desde a década de 70, quando se intensificaram as visitas ao Museu, até a atualidade, depoimentos de populares e funcionários atestam a visão de fantasmas circulando pelo ambiente. Um dos casos mais conhecidos refere-se a um vigilante noturno que, após fazer a guarda no Museu, pediu demissão, apavorado com a companhia indesejável que tivera na noite anterior.
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 Escolares - Cerca de três mil estudantes da rede pública estadual e municipal visitam o Museu mensalmente. | |
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 São Francisco Xavier (século XVIII, autor desconhecido)
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Estratégia vitoriosa
A busca por recursos externos, por meio da apresentação de projetos a agentes financiadores, tem sido uma estratégia vitoriosa da equipe do Museu Julio de Castilhos.
Em janeiro de 2005, a instituição foi contemplada com uma verba de 26 mil reais do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a criação de um sistema de segurança interno. Graças a este recurso, foram instaladas câmeras de vídeo, monitores e de sensores contra roubo, visando dar mais proteção ao acervo do Museu.
Em outubro de 2004, a instituição recebeu da Fundação Vitae, uma verba de 20 mil reais para a informatização do catálogo do seu acervo. Com esta quantia, foram adquiridos quatro computadores, um scanner, uma impressora e uma máquina digital, todos equipamentos de última geração.
Mais de oito mil objetos já foram catalogados, tendo especificado, em cada um deles, a sua descrição, o seu histórico e localização, além da digitalização da imagem da peça, em diferentes dimensões. Com a conclusão dos trabalhos, que deve ocorrer antes do prazo previsto - outubro de 2006 -, pesquisadores e visitantes terão acesso ao banco de dados, cuja implementação está sendo feita de acordo com o programa DONATO, desenvolvido pelo Museu de Belas Artes do Rio de Janeiro.
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 "Botas do Gigante", pertencentes a Francisco Ângelo Guerreiro que sofria de gigantismo (2,45 metros de altura) | |
Quem foi Julio de Castilhos?
Júlio Prates de Castilhos nasceu em 29 de junho de 1860, na Fazenda da Reserva, atual município de Julio de Castilhos. Formou-se pela Faculdade de Direito de São Paulo, onde conheceu a filosofia positivista, da qual tornou-se adepto. Além da advocacia, exerceu a política e o jornalismo.
Líder Republicano, Julio de Castilhos participou, em 1882, da fundação do Partido Republicano Rio-grandense (PRR). Em 1884, assumiu o cargo de editor-chefe do jornal A Federação, tornando-se, mais tarde, o diretor.
Como deputado federal, participou da Constituinte de 1891 – a primeira constituição gaúcha foi baseada em projeto de sua autoria. No final de 1892, assumiu, pela segunda vez, a presidência do Estado – cargo ao qual havia renunciado em 1891. Em 1893, na revolução federalista, derrotou os "maragatos" (federalistas e monarquistas, liderados por Gaspar Silveira Martins, que usavam lenços vermelhos) como líder dos "pica-paus republicanos" (adeptos do Estado local forte e autônomo, que usavam lenços brancos).
Em 1898 transmitiu o cargo de Presidente do Estado a Borges de Medeiros, mantendo-se na direção do PRR até a sua morte, em 24 de outubro de 1903. Na Praça da Matriz, no centro de Porto Alegre, um monumento presta homenagem a Julio de Castilhos, considerado um dos nomes mais célebres da história política do Estado.
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Museu Julio de Castilhos
Rua Duque de Caxias, nº 1.237 e 1205 - Centro
Porto Alegre - RS - Cep 90010-283
Fone: (51) 3221-3959
E-mail: museu_juliodecatilhos@cultura.rs.gov.br
O horário de funcionamento ao público é de terças a sextas, das 12h às 18h.
A entrada é gratuita.
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- Postado em 12 de março de 2006 \ 0:0 por Editoria RM
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