Sonhos e Conflitos: A Ditadura do Observador
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“Já não existe mais aquela tese de um curador que possa fazer de tudo uma unanimidade.” Francesco Bonami - Curador da 50ª Bienal de Veneza
A Bienal Internacional de Artes Visuais de Veneza, evento histórico no mundo das artes, revela as realidades do mundo através de 64 pavilhões nacionais, na edição de 2003. Mas não estará presente apenas na cidade de Veneza, como também em seu entorno, em outras cidades italianas, ultrapassando os limites da sede da arte neste período do ano, através de um agente comunicador que descreverá os vários locais de exibição do evento internacional. |
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Na 50ª Exposição Internacional de Arte, o tema selecionado foi “Sonhos e Conflitos: A Ditadura do Observador”, que corresponde a um novo posicionamento dos curadores de exposições no mundo globalizado. No dia 14 de junho, às 15h, o evento foi inaugurado oficialmente, em Veneza, como resultado da composição de diferentes projetos, apresentando a “Exposição das Exposições”, dirigida pelo curador Francesco Bonami, que nasceu em Veneza, em 1955, e, atualmente, mora nos EUA. Bonami, montou uma equipe de assessores com 12 curadores para viabilizar o projeto deste ano.
O evento conta com a participação de mais de 200 artistas de 64 países, que expõem suas obras por 15.000m², distribuídos em áreas distintas, que incluem, entre outros subtemas: A Zona, Conflito, Zona de Urgência, A Estrutura de Sobrevivência (com a participação de 5 artistas brasileiros), Atrasos e Revoluções (pavilhão italiano que terá a participação da mineira Rivane Neuenschwander) e uma área de representação árabe.
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"Eu não pretendo oferecer ao espectador a chave-mestra para o entendimento; minha perspectiva é oferecer a pureza da idéia representada." Francesco Bonami Curador da 50ª Bienal de Veneza |
Este ano, a Bienal preparou 3 espaços de exposição que abrangem as diversas características da Arte Contemporânea, em locais como: o Arsenale, o histórico Giardinni della Bienale (Jardim da Bienal) e o Museo Correr, este último na Praça de San Marco. Segundo o curador Bonami, o espectador poderá criar seu próprio itinerário das mais variadas tendências e realidades da arte contemporânea, já que a exposição foi concebida como um ‘mapa’ composto de várias ilhas.
No Museo Correr – em parceria com o Musei Civici Veneziani, o curador da exposição “Pittura/ Painting”, procura mostrar, através de 40 trabalhos, que já participaram de outras bienais de Veneza, a evolução da pintura desde 1964 até os dias atuais, o que corresponde há 39 anos de pura arte.
O Jardim da Bienal foi o local escolhido para acolher as “Instalações” que participam do evento, criado pelo grupo italiano Gruppo A12, onde 5 jovens artistas foram convidados por Massimiliano Gioni para exibirem seus trabalhos mais recentes. É visível o equilíbrio atingido nessa Bienal com relação à participação da arte italiana, comparada com os eventos de outros anos.
O projeto intitulado “Vivere Venezia”, organizado pela Faculdade de Design e Artes (IAUV), Conzorcio Venezia Nuova e com curadoria de Angela Vettese, será realizado através do Giardinni e continuará através da Via Garibaldi até o complexo do Arsenale.
A Bienal, através da Direção Geral de Arquitetura e Arte Contemporânea, dará o Prêmio de Melhor Artista Emergente, no Pavilhão de Veneza.
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O BRASIL NA 50ª BIENAL DE VENEZA |
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O Brasil tem uma representação significativa na Bienal deste ano, que, além das artistas Rosângela Rennó e Beatriz Milhazes - já reconhecidas internacionalmente e indicadas por Alfons Hug - estão convidados: Hélio Oiticica, Cildo Meireles, Fernanda Gomes, Marepe e Alexandre da Cunha.
A artista mineira Rosângela Rennó, representando a parcela dos “Conflitos” do tema de 2003, apresenta a sua “Série Vermelha” em 2 salas do Pavilhão Brasileiro, enquanto Beatriz Milhazes, artista carioca, se refere à parte temática dos “Sonhos” em suas obras.
 O Diamante, de Beatriz Milhazes: o sonho que se contrapõe ao conflito |
O projeto gráfico do catálogo da Bienal ficou sob responsabilidade do artista brasileiro Cildo Meireles, enquanto 5 maquetes de Oiticica dos anos 70 poderão ser apreciadas pelo público e Alexandre Cunha entrará com sua produção dos últimos anos. Fernanda Gomes e Marepe desenvolveram novas obras especialmente para o evento.
Os artistas, através de simples materiais, procuraram expor um discurso poético através de assuntos do cotidiano. A participação brasileira foi patrocinada pela empresa BrasilConnects, que irá itinerar a parte italiana da mostra Pintura: De Rauschenberg to Murakami (1964-2003), e, após o término do evento, virá da Bienal para o Brasil, em 2004, e será remontada na Oca, em homenagem ao aniversário da cidade de São Paulo.
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 catálogo do evento: projeto gráfico de Cildo Meireles
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CIRCUITO EXPOSITIVO
Jardim da Bienal:
- Atrasos e Revoluções – Pavilhão Italiano
– curadoria: Francesco Bonami e Daniel Birnbaum
- A Zona – realizado pelo Gruppo A12
– curadoria: Massimiliano Gioni
Arsenal:
- Clandestino
- curadoria: Francesco Bonami
- Linhas Imperfeitas
- curadoria: Gilane Tawadros (colaboração do Fórum de Artes Africanas)
- Sistemas Individuais
- curadoria: Igor Zabel
- Zona de Urgência
– curadoria: Hou Hanru
- A Estrutura da Sobrevivência
- curadoria: Carlos Basualdo
- Representações Árabes Contemporâneas
- curadoria: Catherine David
- O Cotidiano Alterado
- curadoria: Gabriel Orozco
- Estação Utopia
- curadoria: Molly Nesbit, Hans-Ulrich e Rirkrit Tiravanija
Museo Correr:
- Pintura: De Rauschenberg to Murakami (1964-2003)
- curadoria: Francesco Bonami
Stazione Santa Lucia
Países Estrangeiros participantes:
Austrália, Áustria, Bélgica, Brasil, Canadá, República Tcheca, Dinamarca, Egito, Finlândia, França, Alemanha, Grã-Bretanha, Grécia, Hungria, Islândia, Israel, Japão, Holanda, Noruega, Polônia, República da Coréia, Romênia, Rússia, Sérvia e Montenegro, República Eslova, Espanha, Suécia, Suíça, EUA, Uruguai e Venezuela.
Outros países:
Argentina, Bósnia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Croácia, Equador, El Salvador, Estônia, FYROM, Geórgia, Indonésia, Irã, Irlanda, Quênia, Latvia, Lituânia, Luxemburgo, Nova Zelândia, Panamá, Portugal, Peru, República da Armênia, República do Chipre, República da Eslovênia, Singapura, Tailândia, Turquia e Ucrânia.
50ª Bienal de Veneza
Visitação: 15/06 a 02/11/2003
Veneza – Itália
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