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 Outono Horácio Pinto da Hora. Brasileiro (1853-1890). Óleo sobre tela. Dim.: 2,60 x 1,20 m
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Ao constituir o Museu Mariano Procópio, em 1936, após a doação da villa e da área que circundava sua residência, o advogado Alfredo Ferreira Lage contribuiu para que a cidade de Juiz de Fora, no estado de Minas Gerais, se transformasse em uma das grandes guardiãs da história imperial brasileira.
Entre as preciosidades colecionadas ao longo dos anos e que, mais tarde, formariam a coleção de cerca de 40.000 peças do museu, estão as excepcionais obras da pinacoteca, que revelam a representativa produção artística no período de 1870 a 1930.
O destaque desse mês da Seção Vitrine é a alegoria “Outono”, óleo sobre tela, de autoria do pintor sergipano Horácio Pinto da Hora (1853-1890), medindo 2,60 x 1,20m, que se encontra, atualmente, exposta na Grande Galeria Maria Amália, do Museu Mariano Procópio.
A Profª de História da Universidade Federal de Sergipe, Maria Thetis Nunes, já havia citado no Congresso de História do 2º Reinado, realizado no Rio de Janeiro, a necessidade de um maior destaque a Horácio Hora, que foi um dos representantes do Romantismo brasileiro, e que, até hoje, tendo sido pouco referenciado dentro da história da pintura brasileira:
Um dos poucos pintores românticos do Brasil e possivelmente o maior deles foi o sergipano Horácio Hora (1853-1890)...
Cremos que a pouca projeção de Horácio Hora nos meios culturais do Brasil decorreu de sua ausência dos centros artísticos da Corte (...)
Sua tendência artística se formou espontaneamente, em contato com a vetusta cidade onde nasceu e passou infância e juventude, Laranjeiras, hoje enquadrada entre as cidades históricas a serem restauradas no Brasil. Foram os velhos sobrados patriarcais, as antigas igrejas, onde artistas rústicos haviam deixado a exteriorização do sentimento e da fé, os imensos canaviais, os engenhos fumegantes e os saveiros carregados de açúcar cortando o rio Sergipe que marcaram a sensibilidade da criança pobre que ele foi. Vagando por essas paragens, ia rabiscando os primeiros desenhos que substituíram o pouco interesse pelos deveres escolares. Ali, em tenra idade já pintava com maestria expressivas figuras, na cal das paredes da cidade, zombando dos burgueses apatacados. Mais tarde, quando retornou de Paris, com conhecimentos técnicos aprimorados em estudos com mestre renomados, fixou as impressões da terra natal em diversos quadros como: ‘Vista Geral de Laranjeiras’, ‘Praça da Matriz’, ‘Ponte Nova’ e ‘Gruta da Mariana’.
Influentes políticos sergipanos se interessaram pelo jovem artista autodidata, que já impressionava pelo retratos pintados para ganhar a vida, e conseguem, em 1874, da Assembléia Legislativa Provincial, uma subvenção anual de 2 contos de réis, por espaço de 3 anos para estudar desenho dentro ou fora do país. Horácio Hora escolheu Paris e para lá seguiu no ano seguinte, num momento em que a capital francesa vivia o redemoinho do encontro de novas e velhas correntes artísticas. Já o Realismo triunfara, há algum tempo, nas Letras e Artes, suplantando o Romantismo que fora aos limites do emocionalismo e do sentimentalismo. No ano anterior, o Impressionismo fizera aparição, preconizando a nova escola que iria envolver uma das mais belas Plêiades de pintores de todos os tempos (...).
Retornou ao Brasil em 1881, após 6 anos de vivência em Paris. Tentou fincar raízes em Sergipe e viver das produções artísticas. As condições sócio-econômicas provinciais, porém, desfizeram esse sonho. Apesar de ter encontrado grande receptividade na Bahia, na Academia de Belas Artes então existente, e possibilidade de êxito conforme aconteceu com a exposição ali realizada, retornou a Paris em 1884, e lá morreria em 1890 com apenas 37 anos de uma existência inquieta e atormentada.
A obra de Horácio Hora que vai a cerca de 300 trabalhos, é profundamente impregnada pelo Romantismo, escola mais aproximada do temperamento emocional e apaixonado que o marcava, como bem acentua Baltazar de Góis seu principal biógrafo (...).
Romanticamente, morreu em esmagadora miséria em Paris, ao escravizar-se a uma paixão que o levou às últimas conseqüências, fazendo-o abandonar compromissos artísticos e desprezar oportunidades promissoras. Simboliza, assim, Horácio Hora um momento importante do Romantismo na pintura brasileira.
Principais Obras do artista
- Peri e Ceci
- Miséria e Caridade
- Quitanda em Paris
- Interior de um quarto em Paris
- Rua Laffayette
- Auto-retrato
- Capitão Hora
- Marquesa de Catumbi
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ROMANTISMO
A arte romântica se caracteriza por esforçar-se em expressar estados da alma e sentimentos intensos ou místicos, evitando claridade e definição.
O escritor alemão Ernst Hoffmann definiu a essência do romantismo como a "infinita saudade". Na escolha dos temas, os artistas do movimento romântico mostraram grande afinidade com a natureza — especialmente em seu aspecto selvagem e misterioso — assuntos exóticos, melancólicos, melodramáticos e que produzem medo ou paixão.
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Museu Mariano Procópio
Rua Mariano Procópio s/nº - Juiz de Fora, Minas Gerais.
Tel: (32) 3211-1145/ Fax (32) 3215-5687.
Horário: Terça a domingo, das 12 a 18h.
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