É chegado o momento. Após muita determinação em se criar
um meio de informação abrangente na área da cultura, nasce,
enfim, a Revista Museu.
O
embrião desse meio de comunicação, dedicado a todos aqueles
interessados no complexo mundo dos museus, agora se torna
um adulto consciente de sua responsabilidade com a sociedade:
DIVULGAR A CULTURA A SÉRIO.
Dez
anos se passaram desde que surgiu a primeira idéia da equipe
em proporcionar, da melhor maneira possível, o acesso ao
que acontece no palco e nos bastidores dos museus. Novas
tecnologias passaram a ser aplicadas no cotidiano dos museus,
a interatividade passou a ser um aspecto fundamental na
relação do público com as instituições culturais, a exemplo
do Newseum, em
Nova Iorque (EUA); a informatização dos acervos é, hoje,
praticamente uma regra no meio museológico; a evolução de
uma nova museografia fez com que as coleções saíssem das
Reservas Técnicas e se alternassem com o acervo permanente
das exposições; as noções de preservação do patrimônio cultural
se firmam mais a cada dia.
Enfim,
o mundo assiste atento às mudanças, assimilando novas conceituações
na área cultural. Os museus, responsáveis pela educação
do povo e pela divulgação da cultura de cada país, se modernizam
para tentar acompanhar essa rápida evolução. O Brasil sofre
com a redução de verbas para dar continuidade aos trabalhos,
com a dificuldade na contratação de técnicos especializados
e com a interrupção de importantes projetos existentes,
o que contrasta com a abundância de verbas destinadas à
cultura e aos museus em outros países.
Mas, no caso brasileiro, a sensibilidade e a criatividade
dos nossos técnicos e colaboradores permitem que esses obstáculos
sejam vencidos e que o público seja testemunha de um verdadeiro
milagre, quando esse mesmo público vibra, questiona ou critica
as exposições temporárias.
Nesta
década, diversas questões foram aprimoradas e reestudadas;
novos conceitos continuam a surgir; a concepção da obra
de arte se diversifica; o perecível passou a fazer parte
da realidade mundial; assim, o que preservaremos a partir
de 2001? Quais seriam os melhores caminhos para mostrar
a nossa rica cultura para as novas e as antigas gerações
de brasileiros? A identidade nacional também se encontra
marcada nas manifestações folclóricas, nas festas religiosas,
na dança, na música e na vida de muitos brasileiros, e é
a recentemente nomeada “cultura imaterial” que se ergue
como uma nova bandeira.
Na
entrada do novo milênio, a avidez por mudanças encontra-se
mais amadurecida. Atualmente, a diversidade de tendências
na área cultural fez com que a equipe da Revista Museu,
assim como museus e instituições, se adaptasse à nova realidade,
sem nunca perder a idéia embrionária da Revista, que é a
informação com seriedade. A maior mudança veio na adaptação
a um novo tipo de meio de comunicação e de uma maior abrangência
das mensagens. No século XXI, a nossa responsabilidade crescerá
ligeiramente,
partindo do nosso imenso Brasil, para um novo observador:
o mundo.