edição brasileira, 

ISSN 1981-6332

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Arquiteta

- Estudos Preliminares para a Implantação do Museu de Arquitetura da Cidade de São Paulo -


A idéia de uma justa urbanização, de organização dos homens nesse desejo da cidade contemporânea, não pode ser concretizada se não for planejada, experimentada, acertando e errando para fazer algo que possa ser ´existoso´. É o caso dessa história de ´reviver´ os centros.
Paulo Mendes da Rocha

          É, sem dúvida, um grande desafio inserir um museu num espaço urbano – paradoxalmente - decadente e de extrema vitalidade, como é o centro da cidade de São Paulo. No limite dessa inserção em um local bastante adensado, a tarefa torna-se ainda mais árdua, quando se deve adequar uma nova construção a um local cujas bases urbanísticas já estejam tradicionalmente sedimentadas. A proposta do estudo preliminar a ser realizado pelos alunos do curso de pós-graduação da FAU/USP visa a contribuir para formação de profissionais que, ao projetarem um museu, tenham critérios e cuidados específicos para esse tipo de edificação, que não é um mero depósito de objetos de arte, mas, acima de tudo, um espaço de cultura, convívio e lazer. O que segue abaixo é a síntese de um dos muitos estudos realizados.

          A presença de um museu nas imediações da Praça da República constituiria um marco na história cultural da cidade (especialmente do Centro), proporcionando-lhe um novo dinamismo, ou seja, "mais vida", daí o conceito de "revitalização". Nesse sentido, há que se observar a diversidade das construções ali existentes, sua importância e seu uso, antes da tomada das primeiras decisões para elaboração do projeto.

          O estudo aqui apresentado tem por principal objetivo projetar uma edificação para abrigar o Museu de Arquitetura da Cidade de São Paulo, que, em princípio, seria no quarteirão compreendido entre as ruas: Marquês de Itu, Bento Freitas, General Jardim e Rego Freitas, preservando, obrigatoriamente, o prédio onde funciona o IAB (Instituto de Arquitetos do Brasil) e o da Aliança Francesa.


foto: FAU-USP

Toma por ponto de partida a real situação do uso do espaço urbano e a condição de manutenção obrigatória do edifício do IAB e o da Aliança Francesa. Seria muito mais fácil, sem dúvida, pressupor a demolição do restante do quarteirão e ajustar o projeto do museu a somente dois edifícios. Haveria maior liberdade para a concepção do partido, para o estudo volumétrico e para a própria redefinição do entorno. No entanto, optou-se por partir de uma realidade existente, que prevê a conservação de alguns edifícios dada à sua especificidade construtiva - como é o caso de um hotel, uma edificação recente e de grande porte - ou ao uso, como é o caso de algumas lojas ali instaladas, que caracterizam o local como um "centro aberto de comércio de material artístico". A mesma diversidade de construções que compõem o quarteirão onde será construído o museu é encontrada em seu entorno: uma mescla de edifícios de várias épocas, alguns novíssimos e outros em péssimo estado de conservação. (Vale lembrar que, quando falamos na construção do museu e nas demolições, estamos no âmbito do hipotético).


foto: FAU-USP

          Do mesmo modo, há grande variação em termos de uso dessas edificações: existem imóveis comerciais e residenciais, por isso a paisagem local é marcada por estilos arquitetônicos diferentes, que resume bem a diversidade urbana que caracteriza a cidade de São Paulo: a cidade patchwork, segundo o antropólogo italiano Massimo Cavenacci (1993). Em sua visita a São Paulo em 1986, assim definiu nossa cidade:

          A cidade apresentava-se como uma mistura de estilos, um imbricado de signos, um congestionamento de tráfegos. Experimentos "futuríveis", autoconstruções marginais, demolições constantes, hipermercados ou shopping centers: tudo era estilisticamente permitido e podia coexistir lado a lado. Cidade patchwork.

          Dessa forma, num espaço urbano tradicionalmente tão conhecido e tão diverso, com seus múltiplos usos, cogitou-se a implantação do "Museu de Arquitetura da Cidade de São Paulo". Temos, a seguir, um breve estudo dos itens fundamentais para a construção de um museu:

1. Partido:

          Antes de se pensar o partido, organizou-se um fluxograma para que os elementos obrigatórios do projeto e suas respectivas áreas estivessem devidamente conectados, com fluxo de circulação coerente e viável. O fluxograma auxiliou muito na elaboração dos primeiros croquis, para que houvesse plena obediência ao programa proposto. Adotou-se também o conceito de "museu-museu", de Montaner, segundo o qual, está "inserido na tradição tipológica de museu, adequando-se à morfologia urbana e a construções pré-existentes" (2000:62).

          Desta feita, passou-se à concepção do partido, uma edificação construída num total de cinco andares, cuja fachada principal está prevista para ser posicionada na esquina que compreende as ruas Marquês de Itu e Bento Freitas. Esse posicionamento privilegia essa confluência de ruas, permitindo fácil acesso de quem vem a pé da Praça da República, bem como proporciona o mesmo a usuários de ônibus e do metrô. Com o aproveitamento máximo da referida esquina, o partido oferece ao transeunte que vem da Praça da República, uma fachada emblemática, na qual encontra-se a entrada principal. Nesse ângulo de visão, qualquer pessoa poderia reconhecer o Museu de Arquitetura, identificado por grande letreiro ou painel ilustrativo. A entrada em vidro confere leveza e transparência, tornando o espaço de recepção uma espécie de "pórtico público", embora ofereça todas as condições de controle de acesso, como convém a um museu.

          Ainda no plano térreo, ao lado do hall de entrada, colocamos uma grande área, de caráter semipúblico, uma espécie de "praça coberta", abaixo da construção erguida sobre pilotis, adotando o conceito desenvolvido por Le Corbusier. Essa área, cujo acesso externo se dá pelas ruas Bento Freitas e General Jardim destina-se ao acolhimento do público que ali passa (casualmente ou propositalmente), oferecendo um convite ao descanso, ao lazer e à visita ao museu. Assim, moradores da região e visitantes podem criar e participar de eventos tais como: encontros, manifestações, concertos, exposições, entre outros. Essa praça coberta permite ainda o acesso da Aliança Francesa e do pátio interno ajardinado, local que une o museu ao conjunto de lojas e escritórios, bem como ao estacionamento de ônibus.

          Já o prédio de escritórios e lojas, fisicamente separado do museu, tem sua entrada principal pela rua Marquês de Itu, entre duas edificações preservadas. Também erguido sobre pilotis, e adotando o mesmo estilo arquitetônico do museu, configura-se como uma grande galeria, garantindo a manutenção do tradicional comércio de material artístico. Os fundos dessa galeria conectam-se ao estacionamento de ônibus de turismo e ao pátio interno ajardinado. Os turistas que chegam em caravanas podem ter acesso ao museu através desse pátio, criando – quando necessário - filas independentes das filas que se formam na entrada principal.

2. Justificativas:

Das demolições: a decisão de demolir alguns edifícios levou em consideração que esses edifícios a serem demolidos sejam aqueles que tenham menos de três andares e estejam em estado crítico de conservação. Conseqüentemente esses prédios têm pouco valor comercial, o que facilitaria as negociações de desapropriação.

Da preservação do hotel: o hotel é um edifício recente, de grande porte, de difícil negociação para desapropriação. Pode, em contrapartida, atender a visitantes de outras cidades e/ou estados. Entre esse grande edifício e os fundos do teatro da Aliança Francesa, localiza-se o pátio ajardinado, local parcialmente sombreado (pela projeção da sombra do alto edifício), abrigado da agitação da rua. Essa área corresponde ao estacionamento do hotel, único trecho a ser negociado em permuta com a área de estacionamento em subsolo.

3. Áreas do Museu

3.1. Hall de entrada: O hall de entrada constitui uma grande área em setor circular, que acolhe os visitantes pela esquina, impondo-se monumentalmente a quem vem da Praça da República. Por conta do pequeno desnível do solo, o visitante que está a pé deverá subir uma pequena escadaria, com poucos degraus, porém larga em extensão, acompanhando a curva desse setor. O acesso a deficientes físicos se dá pela praça coberta, nivelada com a rua General Jardim. No hall de entrada localizam-se o balcão de recepção e bilheteria, loja e livraria, além de um café expresso. O acesso à grande circulação para os andares superiores só será possível após passagem por catracas eletrônicas, que controlam o fluxo dos pagantes.

3.1.2. Loja: No hall de entrada, há uma loja de lembranças para turistas, ou ainda para material de desenho, embora a galeria de lojas possa oferecer o mesmo, num espaço ainda maior.

3.1.3. Livraria: A livraria pode oferecer livros especializados em arte e arquitetura, também vídeos e CD-rom. É bem visível e de fácil acesso a quem entre e/ ou dais do museu pelo hall principal.

3.2. Acesso aos andares superiores: O acesso principal aos andares superiores se dá por meio de escadas rolantes, escadas em alvenaria e elevadores. As escadas ficam situadas num átrio de vidro, permitindo que o visitante veja, ao mesmo tempo, parte da rua e parte do interior do museu, inclusive os espaços de exposição. No térreo, essa área sob as escadas, por receber muita luz, será ajardinada. As escadarias interligam os espaços de grande circulação, facilitando o acesso a dois grandes blocos que compõem o corpo do museu. Os elevadores estão divididos em dois conjuntos independentes: um conjunto só para os visitantes, outro para serviços, sendo que esses conjuntos não compartilham o mesmo espaço de circulação.

3.3. Espaço de exposições permanentes: O espaço destinado a exposições permanentes tem pé-direito duplo, para abrigar grandes e altas maquetes. Receberá iluminação (parcial) azimutal e iluminação artificial. Conecta-se com a área de circulação principal e tem saída de emergência.

3.4. Espaço de exposições temporárias: Conforme o programa oficial, há dois espaços para exposições temporárias, de fácil acesso pela área de circulação principal, e com saída de emergência. A iluminação é lateral, com brise-soleil.

3.5. Auditórios: Os auditórios recebem iluminação artificial (de apoio e ribalta) e tratamento termo-acústico. Também têm saídas de emergência.

3.5.1. Grande auditório – com 400 lugares, é destinado a conferências, apresentações musicais, projeção de cinema e vídeo.

3.5.2. Pequeno auditório – com 150 lugares, destinado a conferências e projeções para públicos menores.

3.6. Foyer: Área de recepção aos auditórios permite fácil acesso à cafeteria. Recebe iluminação natural pelo átrio da escadaria, além da iluminação artificial no teto.

3.7. Cafeteria: A cafeteria/restaurante oferece espaço para rápidas refeições em balcão ou para refeições em mesas. As mesas podem ocupar área interna ou um terraço que se localiza na esquina principal, permitindo uma visão parcialmente panorâmica do entorno.

3.8. Escritórios (administração e curadoria): Pela grande circulação, tem-se acesso ao setor administrativo, via recepção.

3.9. Salas de aula: Num total de três, localizam-se junto à exposição, no segundo andar, o que facilita o apoio didático.

3.10. Acervo e oficinas: Todo material a ser exposto chega ao acervo e às oficinas pelo elevador de carga, cujo acesso é exclusivo aos funcionários.

3.11. Estacionamento: O estacionamento para automóveis dos visitantes e dos funcionários fica no subsolo do edifício, ocupando quatro pavimentos. A entrada e a saída localizam-se na rua General Jardim. Do estacionamento ao museu há acesso por escadas de alvenaria e elevadores (social e serviço). Também conta com acesso às escadas de emergência.

4. Segurança:

4.1. Contra incêndio: Deve haver duas escadarias de incêndio com acesso por todos os andares, inclusive do subsolo, com saída para o pátio interno ajardinado e também com a possibilidade de saída para o hall principal. Elas atendem às áreas de maior circulação: praça, exposição permanente, exposições temporárias, apoio ao acervo, acervo, dois auditórios, apoio técnico, administração e infra-estrutura.

4.2. Ao patrimônio: Todo o museu será monitorado com câmeras internas e sistema contra roubo de objetos de pequeno porte nas saídas. Além disso, contará com vigilantes nos principais acessos.

5. Paisagismo:

          As áreas verdes na forma de canteiros estão próximas à entrada principal, com arbustos e forrações. No pátio central, há gramado, flores e arbustos de sombra. Na praça, há vasos com arbustos próximos à entrada de luz natural.

Conclusão:

          Acreditamos que e existência de um museu de arquitetura na cidade de São Paulo seja realmente necessária devido ao fato de ser esta uma cidade cuja significação maior é constituída por seu conjunto urbanístico e arquitetônico. Contudo, sabemos que, para que isso ocorra, é preciso que haja iniciativas públicas e privadas que fomentem a construção e a manutenção de um museu desse porte, afinal, idéias e propostas para que isso aconteça já é uma realidade.

Bibliografia:

  • CANEVACCI, Massimo. A cidade polifônica – Ensaio sobre a antropologia da comunicação urbana. São Paulo, Studio Nobel, 1993.
  • LAUB, Michel "A utopia do convívio" – entrevista com Paulo Mendes da Rocha, in: Bravo!, São Paulo, set. de 2003, p. 31.
  • MONTANER, Josep Maria. Museus para o século XXI, Barcelona, Editorial Gustavo Gili, 2000.

Agradecimentos:

A Denise Teixeira, pela elaboração dos croquis e do projeto no AutoCad.
Aos professores Paulo Bruna, Lúcio Gomes Machado e Mônica Junqueira, pelas orientações.

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A articulista é Doutoranda na FAU/USP
e Monitora de História da Arte na FAU/USP.

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