edição brasileira, 

ISSN 1981-6332

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Ana, Arte-Educadora . . . < A r t i g o s > .
. <
Ana Mae Barbosa > .
Arte-Educadora

- Museus como Laboratórios -


          Valiosos aliados dos educadores populares que atuam nas ONGs, assim como dos educadores escolares, são os departamentos de educação dos museus. O prestígio dos serviços educativos é muito recente embora ainda haja enorme resistência por parte de curadores, críticos, historiadores e artistas à idéia do museu como instituição educacional. Museus são Laboratórios de Conhecimento de Arte, tão importantes para a aprendizagem da Arte como os Laboratórios de Química o são para a aprendizagem da Química. Compete aos educadores que levam seus alunos aos museus estender nas oficinas, nos ateliês e salas de aula o que foi aprendido e apreendido no Museu.

          No Brasil, os primeiros serviços educativos em Museus foram organizados nos  anos cinqüenta por Ecyla Castanheira e Sígrid Porto, no Rio de Janeiro. No período dominado pelo modernismo, a criação de ateliês livres, oficinas ou atividades de animação cultural foi prática freqüente nos grandes museus como o Museu de Arte de São Paulo (MASP), com o Clube Infantil (1948), e o Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio, que movimentou a cidade com os Domingos da Criação e com o ateliê para crianças e adolescentes conduzido por Ivan Serpa. Posteriormente, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Centro Cultural São Paulo também tiveram muito bem orientados ateliês  livres.

          Os departamentos educativos do Museu Lasar Segall e do Museu de Arte Contemporânea (MAC/USP), a partir do fim da década de 80 foram muito influentes na formação dos professores de Arte introduzindo-os à condição pós-moderna.

          Os ateliês para crianças e adolescentes destas duas instituições já não eram comandados pelo expressionismo, mas educavam para linguagens específicas como a gravura e o design.  No MAC foi sistematizada a Proposta Triangular, que modificou o ensino da Arte na escola fundamental e média no Brasil, introduzindo o conhecimento da Arte ao lado da prática com os meios artísticos. A Proposta Triangular salientou a importância da interpretação da Arte e das vantagens de ver e analisar as obras ao vivo.

          Os Museus,  lugares da prática da Leitura da obra de Arte, passaram a ser mais procurados pelos professores e seus alunos à medida que a Abordagem Triangular foi sendo difundida e, posteriormente (1996/97), quando seus princípios foram integrados, como agenda escondida, aos Parâmetros Curriculares determinados pelo Ministério da Educação (MEC), e a procura dos professores por cursos e visitas a Museus foi intensificada.

          A partir da década de 90, por estes motivos ou por um maior desenvolvimento da consciência social, muitos Museus criaram setores educacionais. A atenção dada à educação nos museus aumentou quando  as mega-exposições  fizeram descobrir que as escolas são o público mais numeroso das exposições e que, portanto, inflam as estatísticas e ajudam a mostrar  grande número  de visitantes aos patrocinadores.

          O MASP recriou seu setor educacional e novos foram organizados em museus como o MAM /SP, MAM/RJ, MAC/Niterói, MARGS/Porto Alegre, MAMAM/Recife, Centro Cultural do Banco do Brasil (Rio, SP, Brasília), Instituto Cultural Itaú, Museus de Belém, de Curitiba, de Belo Horizonte, de Florianópolis. A análise dos processos de mediação usados na condução das visitas de muitas instituições mostra que algumas ainda se apegam a roteiros, direcionando o olhar do visitante somente para as obras sobre as quais os monitores se prepararam para falar.

          Em outros casos de educativos de museus, a animação cultural predomina e funciona como instrumento de sedução, sem grande valor para levar ao entendimento da Arte. Jogos superficiais, que não têm o objetivo específico de desenvolver a percepção, também não levam a nada, só entretêm. São os programas preferidos pelos professores visitantes quando nada entendem de Arte.

          A Pedagogia Questionadora de muitas exposições do Centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo (CCBB/SP) é a melhor forma de mediação. Em vez de visita guiada, com informações fornecidas pelos monitores (ou Educadores, como prefiro chamar), são propostas questões que exigem reflexão, análise e interpretação sem que sejam evitadas informações que esclarecem e/ou apoiam interpretações. Mesmo esta linha, se não instituir o diálogo entre monitor e visitante, pode ser irritante quando o monitor apenas se limita a devolver a pergunta do visitante. Há uma outra linha que felizmente agora só raramente se vê, mas que, no caso de mega- exposições, ainda acontece. Trata-se da submissão da ação educacional aos desígnios do curador, funcionando o monitor como mero reprodutor das idéias do curador as quais algumas vezes repete sem nem entender muito bem.

          O ano passado tive uma experiência desta categoria. Uma monitora que me acompanhou em uma exposição que pretendeu rivalizar com a Bienal, perguntou  primeiro se eu era artista. Respondi que não e ela se sentiu segura para despejar, com muita simpatia, uma série de conceitos que não havia digerido muito bem como “esta obra tem que ver com o não lugar”. O respeito humano me impediu de perguntar porque. Mas, logo depois encontramos uma amiga minha, famosa curadora que a monitora  não conhecia. Ela perguntou à monitora se não havia uma van para nos levar aos outros lugares onde estavam as outras instalações. Ela respondeu que não havia e as outras obras estavam difíceis de encontrar porque a intenção da exposição era nos levar a descobrir a cidade. A curadora respondeu:- Minha filha, eu sou do ramo. Eu quero é ver as outras instalações, o que já tentei e não consegui. Obviamente a monitora ficou sem graça e saiu rápido.

          Ainda na década de 90, o MAC/USP e o SESC se destinguiram em produção de exposições para crianças. Dentre elas, a melhor, do ponto-de-vista de uma visão multicultural e do embasamento teórico, foi “O Labirinto da Moda” (1996), com a Curadoria de Gláucia Amaral. Aliás, no que concerne à preparação de monitores, o “Labirinto da Moda” foi um divisor de águas. Antes, a idéia era preparar os monitores para explicarem a  exposição que estava sendo  apresentada. No “Labirinto da Moda”,  a idéia era preparar os monitores para a compreensão da Arte e funcionava como um curso muito bem planejado com reuniões de discussão de textos e aulas por profissionais da Arte, ao longo do tempo em que a exposição estava em cartaz e não apenas reuniões de discussão dos problemas pontuais da exposição. A equipe de coordenação/orientação era formada por Maria Christina Rizzi, Ana Amália Barbosa e Cildo Oliveira.  O SESC ainda organizou dois  importantes cursos de Arte/Educação: “A Compreensão e o Prazer da Arte”, em 1998, e “A Compreensão e o Prazer da Arte: além da tecnologia”, em 1999, trazendo muitos professores estrangeiros e os melhores arte/educadores do país, além de designers e artistas, que usam as novas tecnologias como mediação e linguagem.

          Foram produzidos por museus, centros culturais e bienais, interessantes materiais para levar à compreensão da Arte. O livro “De olho no MAC” (1992) foi o  pioneiro para a leitura da obra de arte com crianças e adultos iletrados.

          Contudo, estes materiais costumam ser  muito inferiores em projeto gráfico aos ricos catálogos dedicados às exposições. Até hoje, no Brasil, só um catálogo de exposição publicou, além de textos críticos, um texto dos arte/educadores encarregados do projeto educacional: o da exposição de Alex Flemming, no CCBB-SP (2001), que também produziu um material destinado aos professores com a mesma qualidade visual do catálogo.

          Acredito que a  atuação dos Museus  na  Educação  será cada vez maior  e mais profissionalizada.

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Obs: A autora, que é arte-educadora, aproveita a oportunidade para comunicar a realização do evento abaixo, a ser realizado em outubro de 2004:

Seminário "Mediação Social e Cultural: arte como experiência"
Data: 19 a 22 de outubro de 2004
Idealização: Ana Mae Barbosa
Coordenação: Ana Mae Barbosa, Rejane Coutinho e Heloisa Margarido Sales
Local : Centro Cultural Banco do Brasil / São Paulo
Tel.: (11) 3113-3600

Programação

Mediação Social:

Arnold Aprill (EUA) - Diretor Executivo do Chicago Arts Partnerships in Education. Projeto Arte para a Comunidade, financiado pela Marshall Field’s.

Mediação Cultural:

Paul Naylor (Inglaterra) - Especialista em educação e acesso a arte e bens culturais com importantes projetos desenvolvidos nas artes visuais, teatro etc. Diretor do Engage (Associação Nacional de Educação em Galerias de Arte) desde 1996, com sede em Londres e atuação em toda Inglaterra e várias cidades da Europa e EUA.

Bernard Darras (França) - Professor da Universidade de Paris I Pantheón – Sorbonne. Leitura da obra de arte.

Philip Yenawine (EUA) - Foi diretor do Departamento de Arte Educação do Museu de Arte Moderna de New York, e atualmente é Co-Diretor do Visual Understanding in Education. No MOMA foi responsável pela mudança da bem sucedida abordagem modernista de Victor D’Amico para a também bem sucedida abordagem pós-moderna na Arte Educação, a qual responde às condições culturais de nosso momento atual.

Haverá mesas-redondas com convidados(as) brasileiros(as) e os participantes poderão apresentar painéis com suas atividades.

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- Postado em 4 de abril de 2004 \ 27:22 por Editoria RM

 

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