edição brasileira, 

ISSN 1981-6332

Revista MUSEU - cultura levada a sério O portal definitivo que mostra os bastidores
dos museus, a criatividade dos profissionais
da área e seus projetos inovadores,
divulgando a cultura no Brasil e no mundo.
   cultura levada a sério  
Busca no site
Em Foco
Artigos
Notícias
O Escriba
Glossário
Galeria
Na Estrada
Vitrine
Canal RM
Publicações
Loja RM
RM Imports
Projetos
Agenda
Endereços
Legislação
Links
Em Contato
Cadastre-se
Nossa Equipe
Parcerias
Patrocínio
Publicidade
Brindes
Expediente

O seu apoio é muito importante para nós !
Clique aqui e faça do Revista Museu sua Home Page Inicial !!
 
Nuno, Restaurador, Museu Municipal de Arqueologia, Amadora, Portugal. . . . < A r t i g o s > .
. <
Nuno Moreira > .
Restaurador, Museu Municipal de Arqueologia, Amadora, Portugal.

- CONSERVAÇÃO PREVENTIVA - ALGUMAS BASES PARA A SUA GENERALIZAÇÃO NOS MUSEUS EM PORTUGAL -


PARA COMEÇAR...
A prática da conservação preventiva tem vindo a instalar-se gradualmente nos museus portugueses. Contudo, está longe de estar generalizada, dada a grande falta de formação e informação. São vários os motivos que levam a que os museus não implementem estas práticas, dos quais se destacam: - o desconhecimento total desta actividade; - a já referida falta de formação dos funcionários das instituições; - a inexistência de bibliografia específica em quantidade e, sobretudo, em português, entre outros. Em relação ao que se afirmou, Gael de Guichen comentou um dia que é tão ou mais importante prosseguir com investigação em conservação preventiva como é fundamental que se ensine, se faça compreender e se aplique adequadamente aquilo que já conhecemos. Por esse motivo, a explanação que se segue, sobre alguns princípios e metodologias fundamentais, revestir-se-á de um carácter eminentemente didáctico que favorecerá uma rápida assimilação do exposto.
OS INIMIGOS DOS BENS CULTURAIS
Preservar, conservar são alguns dos conceitos que abundam no discurso dos diversos agentes do património. Mas, na prática, o que implica a aplicação desses conceitos? Muito mais do que aquilo que se faz, mas muito menos do que aquilo que se possa pensar. Acima de tudo, preservar, conservar, salvaguardar são uma questão de bom senso. Num museu, e porque é sobre ele e o património aí depositado que nos debruçamos, a aplicação dos princípios da conservação preventiva trará benefícios significativos que, contudo, não serão mensuráveis a curto prazo. Daí que devamos estar conscientes do que fazemos, por forma a que não transformemos esses benefícios em perdas materiais, sendo fundamental que saibamos o que é a conservação preventiva e quais as suas práticas adequadas. O objectivo primordial da conservação preventiva consiste em assegurar a preservação de uma colecção ou de um objecto em particular, aumentando a sua esperança de vida. Tal é possível através de uma intervenção não directa sobre o bem ou conjunto de bens culturais, conseguindo diminuir ou eliminar os factores responsáveis pela sua degradação e que colocam em risco a sua estabilidade física, química, formal e estética.
Estão assim estabelecidos os alvos a abater - os factores de degradação. A seguir, exporei sucintamente, os principais factores e alguns dos recursos tecnológicos para o seu controlo e mitigação.
A Luz
"Toda a luz degrada" é um cliché pleno de significado que traduz a acção deste agente de degradação sobre os bens culturais. Todos nós nos apercebemos deste fenómeno quando a nossa roupa fica com um aspecto ruçado, da mesma forma que acontece com a generalidade dos materiais que constituem os bens culturais, quer sob a acção da luz visível quer pelas radiações nela contidas (UV e IV). Então, devemos prover para que nos museus haja adequada monitorização, recorrendo-se a luxímetros e medidores de ultra-violetas, e controlo da iluminação, eléctrica e solar, por forma a minimizar os seus efeitos degradativos para a sua monitorização, para que assim possamos controlar e gerir as doses de iluminação anuais a que cada objecto pode estar sujeito.
A Poluição
A poluição é um problema que não tem só origem no exterior do museu, mas também no seu interior. Quando se trata da poluição externa ao edifício do museu, proveniente do tráfego automóvel, da industria ou de outras fontes poluentes, uma das melhores formas de controlá-lo é garantir a estanquecidade do edifício e adequar os sistemas de ventilação de tal forma que seja possível filtrar os agentes poluentes. No que concerne à poluição interna do museu, ela é tão ou mais danosa que a proveniente do exterior dado que pode, muitas vezes, passar despercebida. Ela tem origem, de um modo geral, na alteração de diversos materiais, desde as próprias vitrinas, passando pelo funcionamento regular de equipamentos, como é o caso das fotocopiadoras. Assim, e no que respeita aos materiais há que saber escolhê-los tendo em conta a sua durabilidade, inalterabilidade e compatibilidade com os restantes.
A termohigrometria
As condições termohigrométricas também afectam o estado de conservação dos bens culturais, quer directamente (flutuações constantes de humidade relativa; valores de humidade relativa abaixo ou acima de valores críticos; etc.), quer indirectamente (aparecimento de colónias de micro-organismos e desenvolvimento de corrosão). Dada a sua importância, este é um factor que deve ser controlado, desenvolvendo-se, no museu, os mecanismos de monitorização (utilização de termohigrógrafos, data loggers, etc.) e controlo adequados, quer se tratem de meios passivos (p. ex. calafetagem), quer activos (p. ex. ventilação com tratamento de ar)
Outros factores de degradação
O manuseamento inadequado, a existência de micro e macro-organismos, os vários tipos de vandalismo, as catástrofes naturais e humanas, entre outros são factores que contribuem de formas diversas para a degradação dos bens culturais. Refira-se que uma das barreiras fundamentais para controlar os seus efeitos é o edifício em que se instala o museu. Independentemente da sua tipologia, é possível criar condições para que haja eficácia no controlo. Contudo, para que tal se verifique, é importante que a concepção não fique vedada ao trabalho do engenheiro ou arquitecto, mas que se baseie num trabalho interdisciplinar em que o profissional da conservação preventiva constitui o analisador e fornecedor de elementos que contribuirão para o sucesso da salvaguarda do património museológico.
EM JEITO DE BALANÇO
Finalizo o texto em torno da aplicabilidade da conservação preventiva nos museus que, assim lançada, poderá permitir um debate alargado a todos os interessados, directos e indirectos, pela preservação do nosso património museológico.
Fica a ideia, inequívoca, de que conceber um museu que seja um espaço de memória, de comunicação e de conservação, criando um espaço de raiz ou adaptando um já existente é, como referiu um dia Murray Frost, tarefa mais complexa, onerosa e condicionada do que conceber um hospital.

Diga de 0 a 5 o que você achou da matéria.
012345
 
Normas de
Publicação
Conheça os Requisitos e Normas de Publicação de Artigos.


         
voltar ao topoVoltar ao Topo
Revista Museu Site desenvolvido por Clube de Ideias
Copyright © 2001-2009

Conheça nossa política de privacidade.