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Simone Flores Monteiro
• Coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Rio Grande do Sul.
• Membro do Comitê Gestor do Sistema Brasileiro de Museus.
(atualização em 05/2009)



Museus para a harmonia social


Simone Flores Monteiro [1]

          Museus para a harmonia social, esta é a proposta de reflexão para o Dia Internacional dos Museus para o ano de 2010, apresentada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), é também a temática da 8ª Semana Nacional de Museus, de 17 a 23 de maio, e foi o tema do 12º Fórum Estadual de Museus do Rio Grande do Sul, realizado de 5 a 7 de maio, em Santa Maria, assumido como um compromisso de pensar o museu como agente de transformação social na construção de uma sociedade em que viver e comunicar em rede supõe previamente aceitar e viver na diversidade.

          No Fórum os presentes foram levados, pelo Professor Mario Chagas, a refletir sobre “Que museus queremos quando falamos de harmonia social? Que museus estamos construindo para promover a harmonia? E de que harmonia estamos falando?”

          Ivan Izquierdo afirma “ houve algo seletivo e proposital em nosso esquecimento” (IZQUIERDO,2004, p.17) e Mario Chagas diz “ suponho que se engana quem pensa que há humanidade possível fora da tensão entre o esquecimento e a memória”(CHAGAS,2005,p.24)  e essa” tensão esta refletida nos museus”, portanto  são desafiadores os questionamentos citados acima na  medida em que lembrar e esquecer se refletem nos discursos e ações museológicas.  Como os museus vão desenvolver ou vem desenvolvendo práticas de comunicação e de interação  que considere a harmonia para as diferentes comunidades e que considere as relações entre memória e direitos?

          Se antes os museus eram criados por políticas de estado para reforçar o conceito de estado-nação com base na unidade e homogeneidade da população, atualmente muitos se constituem por iniciativas das comunidades e contribuem para o sentido da multiplicidade e da pluralidade.

          Os museus vêm estabelecendo redes e conexões muito antes da era da informação, na forma em que entrecruzam dados, pessoas, idéias, métodos e narrativas e de algum modo já entendiam a sociedade como uma rede, já atuavam como conectores culturais de espaço e tempo. O desafio esta no estabelecer, continuamente, variadas possibilidades de conexões entre culturas diferentes, realidades sociais distintas e possibilitar sempre o encontro entre os  homens contribuindo para a valorização da dignidade humana e para a promoção da cidadania, dois dos princípios fundamentais dos museus, estabelecidos no Artigo 2º do Estatuto Brasileiro de Museus.

          O trabalho da valorização do diverso e das múltiplas possibilidades de relações e conexões é a idéia do museu como rizoma, de conexões várias, que produz agenciamentos.  Segundo Deleuze e Guattari, “um agenciamento é precisamente este crescimento das dimensões numa multiplicidade que muda necessariamente de natureza à medida que ela aumenta suas conexões.” (DELEUZE & GUATTARI, 1995, p.17). Ainda, “... o rizoma conecta um ponto qualquer com outro ponto qualquer e cada um de seus traços não remete necessariamente a traços de mesma natureza...” (DELEUZE & GUATTARI, 1995, p.32), é o enraizamento para garantir continuidade, mesmo com as mudanças. É a idéia das redes de museus, pois as funções e os processos dominantes da era da informação estão cada vez mais organizados em torno de redes.

          Os sistemas ou redes de museus podem configurar-se como uma ferramenta de empoderamento dos distintos atores sociais e como uma inovação no modelo de gestão da administração pública, na medida em que redesenham a relação do governo com o setor museológico, tornando-a participativa e democrática, e conferem um maior valor público às ações desenvolvidas pelo Estado. E, nesse sentido, construindo a harmonia pelo diálogo, pela troca, pelas interlocuções, pela aprendizagem e pela informação das diferenças.

          Novos discursos com causas “que transformam a realidade com vontade, imaginação e engenho”(UGARTE,2008, p.57), estão presentes nas múltiplas relações dos museus e das redes com os diversos públicos e a idéia é abrir a possibilidade de passar de um mundo de poder descentralizado para outro de poder distribuído, onde se valorize a dimensão humana, onde sendo raiz vamos caminhando e construindo outro mundo.

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Bibliografia

  • Canclini, Nestor García. (2005). Diferentes, Desiguais e Desconectados. Rio de Janeiro: UFRJ.
  • _____. (2003). Reconstruir políticas de inclusão na América Latina. – In Políticas Culturais para o Desenvolvimento: uma base de dados para a cultura, UNESCO Brasil, Brasília.
  • Castells, Manuel. (2001). A sociedade em rede. São Paulo: Paz e Terra.
  • Chagas, Mário. (2008). Museus, Memórias e Movimentos Sociais. Texto da aula inaugural do Curso de Museologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul [UFRGS].
  • _____. (2008). Diversidade Museal e Movimentos Sociais. In Nascimento Junior, J. do & Chagas, M. de. (Orgs). Ibermuseus 2 Reflexos e Comunicações. Brasília: IPHAN, DEMU.
  • _____. (2005), Museus: Antropofagia da Memória e do Patrimônio. In Revista do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional Museus: antropofagia da memória e do patrimônio. Org. Chagas, Mario. nº 31 Brasilia: MinC/IPHAN
  • _____. (2002). Memória e Poder: dois movimentos. Cadernos de Sociomuseologia, nº 19.
  • Coralina. Cora. (1985). Vintém de Cobre: meias confissões de Aninha. Goiânia. Ed. Universidade Federal de Goiás.
  • Deleuze, Gilles & Guattari, Félix. (1995). Mil Platôs – capitalismo e esquizofrenia.Rio de Janeiro, Editora 34.
  • Gouveia, Antonio Camões. (2010). O Mundo Museu Observaçoes várias sobre uma rede de problemas e de criação .Lisboa. Boletim RPM 34.IMC.
  • Izquierdo, Iván.  (2004).  A Arte de Esquecer. Rio de Janeiro, Vieira & Lent.
  • Tolentino. Atila.(2008) Governança em Rede – O caso do Sistema Brasileiro de Museus. Brasilia. Monografia do Pós-Graduação Especialização em Políticas Públicas de Cultura. UNB.
  • Ugarte, David de. (2008). O Poder das redes: manual ilustrado para pessoas, organizações e empresas, chamadas a praticar o ciberativismo. Porto Alegre, Edipucrs.

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[1]
• Coordenadora do Sistema Estadual de Museus do Rio Grande do Sul.
• Membro do Comitê Gestor do Sistema Brasileiro de Museus.

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