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Adriana Mortara Almeida
• Historiadora, doutora em Ciência da Informação e Comunicação.
• Membro da diretoria do ICOM-BR (até 2012).
• Consultora nas áreas de educação, estudos de público e avaliação em museus e instituições culturais.
• Em 2010, atua como consultora para o Cenpec na elaboração do Programa Educativo do futuro Museu de História do Estado de São Paulo.



Museus e harmonia social - convivência na diversidade


Adriana Mortara Almeida [1]

          Os museus lidam com a cultura material e imaterial de indivíduos e grupos sociais. Por meio da pesquisa, preservação e exposição de partes do universo cultural, os museus contribuem significativamente para o contato com diferentes formas de pensar, agir, produzir, representar, falar e sonhar dos diferentes grupos humano.

          Entretanto, o simples contato com diferentes aspectos culturais não garante a compreensão da lógica das culturas representadas e o significado daquilo que está exposto. Nesse sentido, existe um forte esforço da expografia e da ação educativa para tornar compreensível para diferentes públicos os discursos propostos pelas exposições museológicas.

          Os educadores dos museus favorecem a compreensão dos aspectos culturais apresentados nas exposições, que muitas vezes são desconhecidos dos visitantes ou conhecidos a partir de outras leituras. Entretanto, não basta auxiliar a compreensão. É preciso iniciar e promover questionamentos para a construção de novas visões sobre os temas tratados e também visões críticas que possam levar à ação.

          Acredito que é esse o sentido da colocação de Amareswar Galla:

“A aceitação às cegas da harmonia como objetivo que se quer alcançar a qualquer preço, se executada pelos museus, significaria que se tornariam agentes do conformismo. Papel, espero, que poucos aceitem!”. (Notícias Del ICOM, dezembro 2009 / janeiro 2010, n.2, p.3, grifo nosso)

          A tarefa não é fácil e nem curta. Por meio de exposições e ações educativo-culturais os museus podem promover o contato entre diferentes culturas, a compreensão dos aspectos dessas culturas representados, o questionamento dessas visões propostas e a construção de novas visões em seus programas públicos. E, por fim, incentivar a ação no sentido de proporcionar mudanças nessas culturas e naquelas dos públicos visitantes / participantes.

          Como seria isso? Há diversas formas de atuar no sentido do ‘não-conformismo’. Nas exposições com temáticas antropológicas ficam mais evidentes as questões culturais: exposições sobre a vida cotidiana de grupos indígenas atuais podem ser realizadas em diferentes pontos do país. Entretanto, se os grupos representados fizerem parte da população local a sua participação na concepção da exposição geraria discussões que por si só já contribuiriam para o pensar e repensar desses grupos. O visitante que não pertencesse ao grupo procurará compreender o significado do que aparece representado na exposição. Os recursos expográficos e educativos podem contribuir muito na qualidade da compreensão dos visitantes.

          As situações econômica e social dos grupos representados podem não estar em grande ‘harmonia’ devido a problemas de saúde, de moradia, de instabilidade legal da posse das terras, entre outros motivos. Essa situação pode estar representada na exposição. E então, como ultrapassar o conformismo do “já conheço o problema” e basta? Como favorecer as formas de refletir e agir no sentido da mudança?

          A forma mais direta é atuando junto aos grupos representados, por meio da reflexão sobre sua situação, a representação dessa situação para ‘outros’ e a construção de caminhos para a transformação dessa situação.

          Outro meio é pela própria existência da exposição, que traz a temática para fora da comunidade / grupo e permite ampliar para outros grupos sociais. A exposição pode colocar na ‘agenda’ da mídia, dos políticos e dos acadêmicos questões a serem debatidas. A realização de debates, seminários, visitas-conferência junto às exposições favorecem a ampliação das discussões sobre as temáticas tratadas.

          O trabalho educativo junto aos grupos organizados, especialmente de escolares, pode colocar também na ‘agenda’ da educação os problemas tratados na exposição. Materiais didáticos impressos e disponibilizados para ‘download’ em sites, discussões por meio da Internet são também recursos para o aprofundamento das temáticas e dos debates sobre elas.

          As mudanças não ocorrem rapidamente porque as situações são complexas e implicam em ações que envolvem muitas pessoas, entidades e instituições. O papel do museu e dos educadores do museu é o de colocar as questões nas ‘agendas’ dos próprios grupos implicados, da comunidade do entorno e da sociedade como um todo, gerando debates, troca de opiniões e experiências que podem levar a possíveis transformações positivas. Não se trata do museu se transformar em uma plataforma de reivindicações de diferentes grupos.

          Entretanto, por meio da comunicação museológica, é possível trazer novas temáticas e novas visões que propiciam o contato, a compreensão e a crítica de elementos de diversos grupos culturais. A harmonia seria questionada e poderia levar a transformações para a melhoria da vida cultural, social, econômica e política de grupos culturais.

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[1] 
• Historiadora, doutora em Ciência da Informação e Comunicação.
• Membro da diretoria do ICOM-BR (até 2012).
• Consultora nas áreas de educação, estudos de público e avaliação em museus e instituições culturais.
• Em 2010, atua como consultora para o Cenpec na elaboração do Programa Educativo do futuro Museu de História do Estado de São Paulo.

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